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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 13, 2006

40º à sombra

Miguel Marujo

No fundo da avenida
bebendo um capilé
quarenta graus à sombra
nas mesas do café
e aquela rapariga
eu já não sei o que dizer
o que fazer

mediterrâneo agosto
é pleno verão
o sol a pino
e eu faço uma revolução

parte um navio
desce a maré
vejo o céu vermelho
tomara que estivesse a arder
e aquela rapariga
eu já não sei o que dizer
o que fazer

mediterrâneo agosto
é pleno verão
o sol a pino
e eu faço uma revolução

eu só te quero a ti
eu só te quero para mim
agosto aqui para mim
só ter um fim
é ter-te a ti
só para mim
agosto aqui
só para mim

Radar Kadafi, in «Prima Donna» (1987), acompanhados de Jennifer Connelly.

Agosto 13, 2006

[legenda]

Miguel Marujo

A estátua que deixa que aconteça é de Augusto Rosa. O busto da autoria de Teixeira Lopes, em homenagem ao actor de teatro Augusto Rosa, nascido em Lisboa, em 1852, no seio de uma família de grandes actores teatrais. Foi realizado por encomenda da Câmara Municipal e inaugurado em 25 de Dezembro de 1925, no Largo da Sé (Jardim Augusto Rosa). Chega-se lá com o autocarro 37 e os eléctricos 12 e 28. [informações do Lisboa Interactiva] Ideias para um programa de férias.

Agosto 12, 2006

A lista de Helena

Miguel Marujo

Hoje, por uma vez, somos tentados a concordar em parte com Helena Matos, no Público [sem link disponível], que ataca a censura e as proibições, porque «[...] quanto mais pactuarmos com ela [censura], mais precisamos de acentuar as memórias e as histórias sobre as censuras e as opressões passadas. Nada que nunca se tenha visto. Infelizmente funciona quase sempre. Até ao dia em que a realidade nos explode diante dos olhos. Seja sob a forma de carros incendiados nos subúrbios, cadáveres atirados para o fundo de poços, como Gisberta, ou raptados e torturados, porque são judeus, como aconteceu, em França, a Ian Halimi. [...]» A dúvida só se instala porque esta é a mesma Helena Matos que bate palmas a cada movimento anglo-americano para erradicar a insegurança do mundo, e que se compraz com as medidas de vigilância a todos os árabes. A lista de Helena nunca incluiria a morte de Jean-Charles de Menezes nesta lista de coisas que nos explodem diante dos olhos.

Agosto 11, 2006

Revisionismos no calor do Verão

Miguel Marujo

Pacheco Pereira* diz que a geração dele perdeu a noção do que é a guerra. Vasco M. Barreto lembra que "para frisar que a Europa vive sob a protecção dos EUA muito me custaria se, por omissão, a experiência de um familiar ferido em combate [na Guerra Colonial] passasse à História como paintball radical". Afinal, adverte e bem Vasco M. Barreto, "anda por aí um certo revisionismo, que fez do 28 de Maio um fim à choldra, da ditadura de Salazar uma catequese compulsiva e do 25 de Abril uma inconsequente brincadeira de magalas, tendo em conta o prognosticável - ao bom estilo de João Pinto - estiolamento do Marcelismo" [no post de leitura obrigatória, "Paintball em Cabinda"].

* - biógrafo de Cunhal, e que combate (muito bem) a hagiografia-revisionista comunista sobre o antigo líder do PCP.

Agosto 11, 2006

Por estes dias [uma legenda]

Miguel Marujo

«A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a dez metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! [...] Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canadá ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acha normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar!»

[José Mário Branco, FMI, recordado pelo Bruno, para legendar a foto do cravo, e cá por coisas!]

Agosto 10, 2006

Fora daqui

Miguel Marujo

O Chiado de Agosto não tem lisboetas, é uma Babel grande, que apetece percorrer devagarinho. E nem o Sol é desculpa para nos abrigarmos no ar condicionado de lojas e cafés. Vale a pena deixarmo-nos levar. Os corpos são ainda mais bonitos assim. E, por breves instantes, tudo parece mais calmo: o mundo, Londres, Haifa, Beirute, o emprego. Longe de tudo.