Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 31, 2006

Quando os jornalistas sobem sete colinas

Miguel Marujo

Os jornalistas não andam (salvo raras excepções) de autocarro e por isso pouco percebem do que se fala, quando escrevem sobre autocarros, bilhetes, passes sociais... Por exemplo, a Carris anunciou uma nova reestruturação das suas carreiras, a partir de 9 de Setembro, acabando com algumas, mudando o percurso de outras e introduzindo uma numeração diferente a novos percursos (será a "rede 7", com o 46 a passar a ser o 746, por exemplo; uma medida quase absurda, mas adiante).

Outro detalhe: também acabará com os módulos, impondo definitivamente o cartão "Sete Colinas". Rodrigo Guedes de Carvalho, há dias na SIC, explicava atabalhoadamente a alteração, numa notícia que parecia redigida sem conhecimento de causa a partir do comunicado de imprensa da Carris. Uma das ideias repetidas, sem confronto com a realidade pelos jornalistas, é de que esta mudança de bilhetes não tem implicações no tarifário. Mas tem.

Um exemplo prático: o BUC (bilhete único de coroa, assim chamado) para a "coroa urbana" de Lisboa custa 1,50 € e dá direito a duas viagens (ao contrário do nome, o passageiro não consegue comprar hoje em dia um bilhete para uma única viagem, a não ser no autocarro, onde paga 1,20€). Agora, com o "Sete Colinas" o carregamento mínimo obrigatório é de cinco viagens (3,55€). Um visitante ocasional de Lisboa pode em alternativa comprar o "Sete Colinas" diário (3,30€), mas se quiser fazer uma ou duas viagens apenas terá de comprar cinco viagens... Mais, para as contas: o cartão "Sete Colinas" custa 50 cêntimos. Ou seja, para começar a viagem teremos de pagar à cabeça 4,55€, quando até agora, com um simples BUC a coisa ficava por 1,20€. O aumento tarifário é nítido e as "nuances" de marketing da empresa não deviam iludir os jornalistas. Mas estes preocupam-se mais com portagens, combustíveis e parques de estacionamento.


[Declaração de interesses: sou utente (quase diário) da Carris, acho que a rede melhorou muito com novos autocarros, mas entendo que muito mais pode e deve ser feito, para conforto de quem viaja. Tenho dúvidas que o caminho seja a anunciada remodelação.]

Agosto 31, 2006

A literatura para explicar a política

Miguel Marujo

O romance «The Children of Gebelaawi», do escritor egípcio - e o único árabe premiado com o Nobel da Literatura -, Naguib Nahfouz, que morreu ontem no Cairo, aos 94 anos, foi considerado blasfemo pelos líderes da Universidade islâmica de Al-Azhar e foi banido até hoje em todo o mundo árabe, Egipto incluído, à excepção do Líbano. [a partir do Público, sublinhados nossos]

Agosto 30, 2006

Um jantar por causa do cartaz

Miguel Marujo

Caro Miguel.

Não há nada como a provicoincidecisão ;)

Não é que ontem, de modo que não vou qui relatar, acabei por ir jantar com uns amigos, e uma deles também vira a tal suspensão amorosa de serviço da Camponesa onde… fomos então jantar (degustei uma picanha com batatas assadas com pele…)

Estávamos à porta vendo a ementa e os preços e vem o senhor lá de dentro, a quem dissemos que vieramos chamados pelo cartaz, e a sua resposta foi curiosa : Estávamos para dizer o que se costuma dizer : motivos pessoais, indisponibilidade, etc… até que dissemos, Bolas, mas porque não pôr a verdade e já está? ;)

Depois resolveu-nos a questão de três de nós que são vegetarianos (têm uns pratos pequenos a que chamam « diversos »).

Estávamos já no café, quando vem um daqueles mui conhecidos vendedores de flores asiáticos, e perante a nossa negação, lá explicou ele no seu português de desenrasca (aqui poderia ter-se uma extensa e pertinente conversa socio-política ;) que o senhor do restaurante no-las oferecia… Enfim, só às mulheres, mas pronto, são os usos e costumes…

No fim, entregámos ao balcão uma das toalhas de mesa onde escrevéramos, tais crianças ou whathever : Viemos por amor.

Enfim, foi um belo jantar.

Abraço.

Vítor Mácula

PS: Nova Orleães já é um pouco mais longe para ir em provicoincidecisão ;) (Enfim, mas nunca se sabe...) E Nova Orleães dava para outra longa e interessante conversa socio-política...

Agosto 30, 2006

Quando católicos não dão o exemplo...

Miguel Marujo

«A Direcção da Oficina de São José, no Porto, acaba de dispensar os serviços de duas técnicas que denunciaram situações de maus-tratos aos menores daquela instituição. Uma delas chegou inclusivamente a testemunhar durante o julgamento dos 13 envolvidos no designado caso Gisberta. A decisão foi comunicada oficialmente sob a forma de não renovação de contratos a prazo de uma assistente social e uma psicóloga, que estão ligadas à instituição "Qualificar para Incluir". O afastamento tem efeito a partir de 30 de Setembro.» [in JN]

A JOC e a LOC deviam intervir. O bispo do Porto devia intervir. Os católicos não devem calar mais este atropelo.

Agosto 29, 2006

O peixe não morde

Miguel Marujo

Os praticantes de pesca lúdica têm de respeitar as restrições biológicas e a dimensão mínima das espécies, além de guardar entre si ou face a pescadores profissionais uma distância mínima de 10 metros. Assim determina uma nova lei, que de tão anedótica quase nem merece comentário. Quem vai fiscalizar, quem vai medir, quem vai multar? Eu, assim, nunca teria aprendido a arte da pesca. Com o Rui e o Chico, aos 10/12 anos, às 4/5 da manhã, em São Martinho do Porto ou na Praia da Barra, a menos de dez metros, a aprender como se escolhiam os chumbos, os iscos... Uma lei para o lixo.

Agosto 29, 2006

Elixires

Miguel Marujo

Maria Esther de Capovilla, uma mulher com quase 117 anos, a pessoa mais velha do mundo (segundo o Guinness), morreu domingo no Equador. Para os que procuram o elixir quase eterno, foi revelado que na sua juventude beberia leite fresco de mulas. Mas o mais relevante é que Esther nasceu (a 14 de Setembro de 1889) no mesmo ano em que nasceram Adolf Hitler e Oliveira Salazar. Este dado é que é significativo, para mim que não o conhecia. Esqueçam os debates recentes sobre o fascismo (ou não) do Estado Novo: afinal há algo mais profundo que unia o nacional-corporativismo salazarento do nacional-socialismo hitleriano.

Pág. 1/8