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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Junho 10, 2006

Jacarandás[as árvores que os de fora gostam]

Miguel Marujo

Em Aveiro, ao contrário do que me dizia a memória, há jacarandás. Rodeiam José Estêvão, na Praça da República. E floriram apenas no ano passado, contam-me a Isa e o Filipe, com o calor seco que atravessou os canais da ria. Ninguém terá registado esse momento, só ele, que também os admiraria à saída do Parlamento, se fossem já árvores de Lisboa no século XIX. Ficamo-nos por cá a admirá-los.

Junho 10, 2006

Cidade

Miguel Marujo

Lisboa cheia de luz percorrida nos trilhos que os lisboetas pouco fazem, deixando lugar ao vozear constante de outras línguas. Subo ao Castelo, de autocarro para evitar a canícula. Espanhol, italiano, inglês, francês, alemão. E um casal adolescente português na idade da parvalheira. Depois desce-se a colina, chega-se à Baixa, vai suja a cidade, misturam-se as cores e os sabores de gentes de todo o lado, negros, brancos, árabes, católicos, pecadores, turistas, lisboetas, imigrantes, emigrantes, mendigos e indigentes, apressados e vagarosos. Num impulso tomo a direcção da Igreja de São Domingos. Não é sumptuosa, tem estatuária que a desfigura, velas que incomodam, preces que se queimam, mas as paredes negras e despidas do incêndio devolvem a beleza - das coisas simples. Da cidade em volta, luminosa.