Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Maio 09, 2006

Chato

Miguel Marujo

Num chat promovido pelo PortugalDiário questionei o secretário de Estado da Administração Interna sobre a intervenção na Quinta da Torre, em que 600 polícias destruíram casas para apreender 19 armas e deter dez pessoas, das quais apenas uma ficou presa. Resposta: estas acções têm controlo judicial e não se pode empolar mediaticamente uma porta arrombada de quem se recusou a cumprir uma ordem judicial (palavras dele).
Aguardo serenamente idênticas intervenções, por exemplo, na Quinta da Marinha, onde se mantém arame farpado que impede o acesso livre à costa.

Maio 08, 2006

Inquilinos

Miguel Marujo

Os condomínios, contam-me amigos, podem ser locais perigosos (lá no prédio, a administração adia a inevitável reunião). Reuniões que acabam quase ao estalo, ranger de dentes e lágrimas. Por causa do cão que ladra, do bebé que chora, da música berrada ou da roupa que é suja depois de lavada — ou de varandas fechadas. É um retrato do país, certamente. Um microcosmos de violência latente, insultos mesquinhos, vitórias pequeninas. Lembrei-me disto por causa do cão que ladrou este fim-de-semana bem cedo. E do congresso do CDS-PP.

Maio 08, 2006

Sem lugares comuns

Miguel Marujo

Dois dos meus dois bloguistas favoritos (o Lutz, compincha da Terra, e o Afonso-bombix) juntaram-se a outros dois escribas de primeira água para fazer um blogue incomum. Quem decretou o fim da blogosfera voltou a precipitar-se.

Maio 07, 2006

Neste dia, o sorriso louco das mães

Miguel Marujo

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível ser reencontrado por dentro do amor.

Herberto Hélder

Maio 06, 2006

CPM*

Miguel Marujo

«Como é que se reabre um blogue? Voltando a dar-lhe corda. Enchendo o depósito. Chamando o resto da turma. Arrumando a pistola no saco. Perdendo a vergonha na cara.» Redescoberta da rapaziada que volta a querer casar. Eu recomendo-lhes vivamente este estado civil (e este também, claro).


* - erradamente chamados de cursos de preparação para o matrimónio, a sigla significa na realidade Centros de Preparação para o Matrimónio.

Maio 06, 2006

O mal maior (comentado)

Miguel Marujo

Vai animado o debate em torno do meu comentário ao comunicado dos bispos portugueses sobre o preservativo-mal-menor, na Terra da Alegria. Insisto num aspecto, que acho sair reforçado pelas intervenções lúcidas de CA (e espero não as estar a sublinhar abusivamente em defesa da minha tese): «O bem acessório da declaração da semana passada esquece que o prazer para a Igreja-oficial-hierárquica continua a ser o mal maior». O que digo é que continua a existir uma clara incapacidade de Roma e da CEP de alguns sectores da Igreja dissociarem a relação sexual da procriação. O que mantenho é que o prazer é parte integrante de uma relação a dois, que se quer criadora de vida. E gerar vida, não é apenas procriar: é também a descoberta mútua dos corpos pelo casal. E, aqui, a Igreja-hierárquica continua a querer amputar-nos o corpo. O preservativo, disse-o, é acessório.

Maio 05, 2006

Off

Miguel Marujo

É impossível tentar ver um filme ou uma série a desoras. Mais desoras ficam com os intervalos de 20 minutos, depois de 8 ou 10 minutos de emissão. Seja na RTP-de-serviço-público ou na SIC ou TVI. Depois admiram-se que os canais de cabo (apesar do má que é a TV Cabo) ganhem adeptos e o AXN seja o mais visto do mês. Ponham os olhos nisto.