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Fundamentalismos (follow up)

por Miguel Marujo, em 06.02.06
O pior é insistir — de um lado e do outro. O irracionalismo de multidões obriga a cuidados, todos os cuidados no que se faz e se diz. Não se trata de ceder, mas para apagar o fogo não se atiram mais achas para a fogueira.

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Fundamentalismos

por Miguel Marujo, em 03.02.06
Enquanto isso, os militares americanos também criticam a liberdade de expressão...


De Tom Toles, no Washington Post

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Discos pedidos

por Miguel Marujo, em 03.02.06
aqui o disse: entram poucas novidades cá em casa e quase só as ouço quando visito a Sara ou o os quase famosos. E o Rui, em trabalho na Polónia, já está como eu. Pergunta-me "Onde é que encontro "Mandibula Dourada", Norman?" Prometi-lhe que vou pedir à Sara...

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O Pôncio Monteiro da literatura*

por Miguel Marujo, em 03.02.06

Um rapaz vai coleccionando frases soltas de textos de imprensa ou excertos longos de livros para fazer a leitura, mesmo que parcial, de uma certa realidade. Há sempre uns que dão nas vistas assim. Têm alma de Pôncio Monteiro que, a propósito do penalty que beneficiou nessa semana o FCP, é capaz de atirar para cima da mesa a relíquia de A Bola de 1963, em que o árbitro fez vista grossa ao golo irregular do Benfica. E com o aplauso do papa, claro, para a análise arguta ecoar mais.

[* - a propósito de uma polémica sobre crítica literária e amiguismo e jornalismo, que pode ser lida em muitos sítios, a começar aqui...]

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[de um e-mail] «Retomamos as Tertúlias em Sta.Isabel [Lisboa] na próxima 2ª feira - 6 de Fevereiro - às 21,30 h com o tema "Motivações para Crer". A entrada faz-se pela porta que está ao nosso lado direito quando estamos de frente para a fachada principal.
A ideia é reflectir mais sobre os motivos da descrença (cíclica, episódica, crónica ou aguda, grave ou leve) com que todos nos deparamos e procurar encontrar as pistas que nos podem ajudar.
S. Tomé pediu para ver. Viu e acreditou. Costuma dizer-se que, apesar desta dúvida, foi santo. Talvez a dúvida faça parte da santidade, pois sem ela não seria pueril tanta da nossa fé.»

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Não se ralem

por Miguel Marujo, em 02.02.06

Cartoon de Delize, para o France Soir (clicar para aumentar)

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[estante submersa] A minha biblioteca não é muito extensa. E, apesar de alguns esforços, na categoria de igrejas/religiões está mais ou menos como a maioria das livrarias portuguesas: um outro “best-seller”, algumas excentricidades e depois um conjunto de livros anónimos. Apesar deste quadro tinha esperanças em encontrar alguma coisa a que me “agarrar” sobre o humor, o riso – uma frase, uma ideia, uma pista. Mas nada. Melhor: quase nada. Neste assunto, como noutros, Bento Domingues está à frente. Dito de outro modo (porventura, mais correcto): está mais próximo de nós.

Em As Religiões e a Cultura da Paz (Porto, Figueirinhas, 2002), o terceiro volume das suas crónicas dominicais no Público, Bento Domingues introduz-nos (pp. 79-81) ao hino litúrgico do Evangelho de João – «No princípio era a Alegria» – para o contrapor como «uma atitude estranha ao cristianismo primitivo, mas, desde há séculos, profundamente infiltrada no seu tecido cultural»: lembra-nos frei Bento, «Nietzsche não foi o único a identificar o cristianismo com a religião do dever, do sacrifício, da tristeza e do ressentimento». Eu, hoje, também o descobri à espreita na minha estante.

[gargalhadas de Deus] «O prazer, o humor, o riso e a alegria deixaram de ser considerados os frutos normais das acções boas», escreve ainda Bento Domingues. Que viaja depois brevemente pelos que riram muito ao longo dos séculos, mas mais ainda por aqueles que olharam o riso como coisa perversa. Mas há – naquela pequena viagem – uma curiosidade histórica (estudada pela teóloga italiana Maria Caterina Jacobelli*) que fará corar puristas da liturgia da dor e do sofrimento: «O costume popular de o padre fazer rir as pessoas durante as celebrações litúrgicas, especialmente no dia de Páscoa», um «costume popular que percorreu quase toda a Europa, desde o século IX até aos começos do século XX. [...] O “riso pascal” era a linguagem popular de sintonia com a alegria da ressurreição».

[século de Fátima] Chegados ao século XX, o mundo perde o riso – as duas Grandes Guerras, o muro da Guerra Fria, os conflitos regionais que se multiplicaram, as ditaduras sanguinolentas que espalharam o terror (dos campos de concentração de Hitler aos “gulags” de Estaline, dos totalitarismos genocidas de Pol Pot ou Suharto aos voos mortíferos dos militares na América do Sul, dos fuzilamentos de republicanos em Badajoz à morte lenta do Tarrafal). Este século é também – imagem grosseira? – o século de Fátima, com uma doutrina embebida neste mundo maniqueísta e bipolar, com a sua imagem de dor e sofrimento, angústia e esperança.

[andamos sérios] A Igreja ficou “séria”. Perdeu o “riso pascal” e preferiu o Calvário à Ressurreição. Os cristãos aplaudem a Paixão de Mel Gibson e escarnecem da humanidade de Deus manifestada num quadro de Paula Rego.

Aqui chegados: enxoframo-nos com os humores dos outros sobre nós e perdemos a capacidade de rir – a auto-crítica, o “ver, julgar e agir” que nos ajuda a trilhar o caminho do questionamento, não o das certezas sofridas. Rir é bom. Rir de nós, melhor remédio é. O pior é que preferimos responder ao eventual achincalhamento com presunções sérias e dogmas de virtude pública. Soubéssemos rir da «Última Ceia» caricaturada por Herman há uns anos, com uma «Última Ceia» ainda mais divertida...

[festa] Há festa na igreja – pode parecer quase blasfémia. Mas é mais do reino da blasfémia proibir música no espaço de culto, como recentemente determinou o bispo de Viana do Castelo, que fazer do templo um local de verdadeiro encontro, conhecimento e celebração. Não se pede um “barbecue”, pede-se a descoberta da festa também nas coisas da Igreja. Na celebração, e fora dela. Andamos sérios. Nada que uma boa anedota não resolva.

* - cf. Il Risus Pascalis e il Fondamento Teologico del Piacere Sessuale, Brescia, Queriniana, 1990. Pode ainda ler-se duas perspectivas “bloguísticas” opostas sobre a matéria: no Barnabé, um texto de Rui Tavares (O tabu da sátira religiosa), e no What do you represent, um texto de Eduardo sobre «O Barnabé [que] dá catequese aos seus 900 leitores» (post de 13 de Maio).
** - este texto foi publicado na Terra da Alegria, a 19 de Maio de 2004 sobre (a falta de) humor dos cristãos. Recupero-o, agora que é o islamismo que está na berlinda.

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Eu por mim

por Miguel Marujo, em 01.02.06
... hoje vou esperar que neve. Pode ser que o país anime.

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