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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 11, 2005

Cavaco, não. Portugal já deu para esse peditório

Miguel Marujo

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Os portugueses esquecem-se depressa das coisas. Às vezes, dão-lhes descanso durante algum tempo, mas depois esquecem-se. Esqueceram-se da foragida Fátima e votaram nela a correr. Esqueceram-se da corrida mais cara de sempre de táxi e entregaram o carro a Isaltino. Esqueceram-se do trabalho dos melhores presidentes de câmara pós-25 de Abril em Lisboa (João Soares, malgré tout) e Aveiro (Alberto Souto, malgré o vereador da Cultura) e correram com eles em eleições (no primeiro caso, para eleger um playboy que, por essa via, ainda chegou a São Bento). Esquecem-se depressa. Depressa e mal.

Em 1995 e 1996, os eleitores portugueses despacharam Cavaco Silva. Primeiro, nas ruas e nas buzinas, para o autismo ouvir. Depois, nas urnas, para o tabu acabar. Durante estes quase dez anos, o Professor (como ele prefere) acumulou reformas e declarações monstruosas. Não se lhe ouviu uma frase sobre as verdadeiras questões civilizacionais que atravessaram o Ocidente (a esfinge é a imagem adequada), uma ideia genuína sobre este país e o mundo, descontando os bitaites de um economista sobre números e números e números. Atrás da porta dos números, o político profissional - que geriu as suas intervenções para sempre queimar o PSD e alimentar um qualquer sebastianismo sobre a sua personagem - nunca viu pessoas. Nem nos dez anos em que governou, como provou a anedota do Carnaval.

Na fraca memória, agora cozinhada por quem tinha responsabilidade de fazer mais, esquecem-se outras marcas dos seus tempos de governação. Falam-me das profundas reformas que o país teve, e a da comunicação social é particularmente acolhida. Esquecem-se que os negócios (o da TV, mas também os da rádio e imprensa) foram estranhos e hoje muito do mal que se vive na comunicação social resulta de uma liberalização mal conduzida (a taxa da televisão que afundou a RTP, a crescente concentração dos grupos proprietários, nomeadamente na imprensa escrita, o segundo canal entregue à Igreja por capricho e sem sustentação financeira). Na banca, a venda do Totta nunca foi esclarecida. Nos transportes, abriu-se um país de auto-estradas que apagou do mapa estradas secundárias e ferrovias.

Cavaco, não. Portugal já deu para esse peditório. Parece é ter-se esquecido. Demasiado depressa. Mas por aqui preza-se a memória.

[Ainda não decidi em quem voto à esquerda. Se Soares ou Alegre. Num dos dois, claro. Porque as candidaturas de Louçã e Jerónimo são meras jogadas partidárias, que esquecem o carácter supra-partidário da eleição.]

Novembro 10, 2005

Um mil folhas de ontem*...

Miguel Marujo

Fui alertado para o artigo de Eduardo Prado Coelho, anteontem no Público, onde diz que o Metro e o Destak são "simulacros de jornalismo". Vindo de quem olhou para um mil folhas e aí viu a demissão de um certo ministro da Cultura, é caso para perguntar se o cronista entenderá o que é jornalismo, ou se saberá ler o que lê.

[Declaração de interesses: sim, sim, trabalho no Metro — e irritam-me estas críticas balofas!]

* - daqueles que se pede numa pastelaria e se percebe logo que não é fresco.

Novembro 09, 2005

Zoogle

Miguel Marujo

O Google deu nome a uma nova espécie de formiga e há um macaco recentemente descoberto que dá pelo nome de GoldenCasino.com. Cientistas americanos descobriram um novo filão de angariação de fundos e gostavam de ver uma base de dados de animais com o sugestivo nome de Zoogle. Eu, por mim, acho que Alberto João devia pensar seriamente pensar no patrocínio de uma nova espécie (caso se descubra) de sanguessugas...

Novembro 09, 2005

A democracia (efeito de bola-de-neve)

Miguel Marujo

As teses que sustentam a intervenção americana fala(va)m de um efeito de bola-de-neve no Médio Oriente. Há um ano batiam-se palmas às possibilidades que a morte de Arafat abria à paz na região. 365 dias depois, pergunta a insuspeita Newsweek: "Se o líder palestiniano era o verdadeiro problema, porque é que as coisas não melhoraram desde a sua morte?"

Novembro 09, 2005

Ainda Paris

Miguel Marujo

«O actual "estado social" francês não tem nada a ver com a protecção aos mais desfavorecidos mas com proteccionismos aberrantes. É por isso que ao lado do neoliberalismo mais selvagem se encontra na sociedade francesa um pseudo-estado-social feito para proteger os mais fortes (aliás este tipo de neoliberalismo proteccionista e corporativista encontra-se também muito enraizado nos EUA).»

A ler, sem dúvida, no sítio do costume.

Novembro 08, 2005

[aviso à navegação]

Miguel Marujo

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Novembro 08, 2005

Leonor

Miguel Marujo

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align=justify>Vai formosa e segura nas mãos dos pais babados. A pequena infanta Leonor de Espanha criou um frenesim entre saudosos de um regime esclerosado no nosso país e nem esses, que saltam à primeira "invasão" de zaras e prisas, parecem incomodados com a vontade de união ibérica que Duarte, o que se diz descendente de famílias "extintas", já manifestou — ao melhor estilo de casamentos arranjados... Eu, por mim, gostei de ver a carinha laroca de bebé, mas apenas isso. O debate constitucional que o nascimento de Leonor suscitou só ajuda à minha opinião sobre a monarquia: coisa passada, ultrapassada. Mesmo com a devida revisão.