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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 11, 2005

Foi você que pediu um aeroporto?

Miguel Marujo

No esconde-esconde do ministro Mário Lino, não há ninguém que lhe explique que era melhor publicar agora todos os estudos sobre a Ota, em vez de esperar por Outubro, e anunciar que, nesse mês sim, apresentaria tim-por-tim o orçamento final da obra e a viabilidade em números da coisa? Depois, discutíamos em público (leia-se: jornais, rádios, têvês e blogues) as opções e então sim podia dizer-se ah! e tal! isto não é nada mal ou então precipitámo-nos e vamos rever as nossas prioridades de investimento sem que caiam os queixos no cimento... E voltávamos a ser um país normal.

Agosto 10, 2005

a erradicação

Miguel Marujo

Foste violento, pá. Em férias... escrever sobre bombas e deuses e assim, não se faz, dizem-me, sobre o post anterior que aqui se replicou. Antes incendiar debates estéreis como as presidenciais ou martelar receitas velhas para as florestas. Pelo soundbyte, sai-se de megafone à rua. Mas, em casa, esquece-se o exemplo. O fogo que consome as árvores da política portuguesa devia fazer parar para pensar, mas não: põe-se ar, grave e sério, diz-se que não fazemos política com assuntos sérios e graves, mas atacamos como se nunca tivéssemos responsabilidades no desmazelo e na tragédia que se repete. Ano após ano (a Cibertúlia quando começou em 2003, começou com fogos a atear o debate, vão lá ao arquivo ver). Temos responsabilidades: nas florestas que os proprietários não limpam e depois culpam incendiários que existem na sua negligência, na água que continuamos a consumir a mais, no sequeiro que vamos fazendo deste país, de eucalipto e betão. O melhor mesmo é ir para a praia. Erradicar o pensamento. (Nós não vamos, continuamos a trabalhar. Mas o desejo é esse.)

Agosto 09, 2005

a erradicação de deus

Miguel Marujo

há um deus que assoma violento, implacável, irascível nas explosões de londres e de sharm-el-sheik. já tinha sido assim em nova iorque, depois em bali, madrid, jacarta, casablanca, mombaça, bagdad, num roteiro que parece marcar um novo mapa de terror sem olhar a rostos e credos, ideologias e cores. este deus não é um verdadeiro deus. arrepia, arrepia-se, arrepia-nos. este deus gritado por filhos menores não é misericordioso nem omnipotente. é obsceno, indigno.

o papa bento xvi veio depois pedir aos terroristas que "parassem, por Deus", numa formulação sábia. mas houve quem dissesse que não valia a pena – eles não o ouviriam porque o deus dos terroristas não aceita qualquer outro deus, sobretudo pela voz do representante de uma religião que é aquela que os terroristas também dizem combater ao falarem em cruzados, como se a idade das trevas fosse hoje. e é, argumentam iluminárias clarividentes, que nos dizem que "é a guerra, é a guerra e só assim podemos defender a nossa civilização". vã glória.

eu por mim também acho que deus não é para aqui chamado. em nenhum destes atentados está deus, um qualquer deus. nem Deus pode ser invocado por quem não entende qualquer linguagem de deus. desconhecer deus não é mau, o que é mau é refugiar-se num deus de morte, que não existe. o que existe é um ódio pretensamente "traduzido" para nos manter vigilantes e, pior, para nos meter medo. a esse ódio não se responde com mais ódio. também escusamos de dar a outra face, literalmente. podemos dá-la evangelicamente: construindo com o outro um outro mundo.

pragmáticos, muitos crentes e não crentes, crêem que sou lírico ou, como insultava um jornalista desta praça, um "falso pacifista que se quer render aos inimigos". nem uma coisa nem outra: apenas continuo a entender que o terror de dresden e hiroxima e londres (na segunda guerra) não deve ser repetido – aniquilar o já aniquilado, ou, no caso dos ataques actuais, cair numa espiral de violência que rapidamente nos levaria à orgia sanguinária daquela grande guerra.

erradicar deus, não é erradicar o divino – nem Deus, claro. é erradicar o discurso que insiste na justificação hedionda de um qualquer deus pequeno que torna menores todas aquelas vidas – de quem se alimenta e vive pelo terror.

este texto pode perder-se na espuma dos dias de férias ou na letra propositadamente pequena. não me importa, se a nossa atitude for outra, ao encontro do outro, para que nunca mais nenhum outro invoque o nome de deus em vão ou em socorro do horror. ámen: assim seja.

[originalmente publicado na Terra, que tem um best of imperdível, para estas férias.]

Agosto 09, 2005

Divórcio ao telefone

Miguel Marujo

[toque polifónico, autocarro pequeno]

«- Tenho pouca vontade de falar contigo...
- ...
- ... pelas mesmas razões do outro dia.»

[fim de chamada, autocarro em silêncio]

Agosto 09, 2005

Literatura de Verão

Miguel Marujo

[ou a fleuma britânica, parte II]

A Sky News é um bom canal de informação. O seu site é dinâmico qb. Mas as notícias de entretenimento têm uma qualquer obsessão. Depois de ontem darem conta do problema de Ewan McGregor em fixar-se nos olhos de Scarlett, hoje conta-nos mais uma história relevante sobre boobs - neste caso de Jessica Simpson. Caso para se dizer: a fleuma britânica pode traduzir-se por fixação em mamas. Um pouco como o nosso conhecido Avatares de um desejo. Coisas saudáveis, portanto.

Agosto 09, 2005

[mms]

Miguel Marujo


De uma amiga, por mms, do Porto Santo: «Só numa região como esta é que poderia haver um bar dedicado a ti». Ainda não me decidi se é um elogio...