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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Julho 27, 2005

Pós-modernos

Miguel Marujo

À porta da megastore dos telemóveis, dois funcionários da empresa fazem uma pausa para fumar, mas continuam furiosamente a teclar mensagens.

Julho 27, 2005

O hábito faz o português

Miguel Marujo

José Milhazes pediu aos microfones da TSF que lhe mandassem café, no calor do golpe de estado falhado na Moscovo de 1991. O Luís pediu-me que lhe levasse um fervedor (uma coisa nortenha, ao que parece, perante a admiração lisboeta) para a Bruxelas de 1998. O Pedro lamenta-se pelo café que não se expressa na capital europeia e aproveita para pedir o bacalhau, azeite, vinho verde, presunto e chouriço, mas também pastilhas de café expresso para o Diogo. Podemos ter uma nova geração emigrante, cosmopolita, que olha para o país criticamente, mas que não abdica de velhos hábitos nas coisas mais comezinhas. Até a fazer blogues, como antigas cartas para a terra.

Julho 26, 2005

[petit ou gros?]

Miguel Marujo

Eh pá, quase que lhe sinto o cheirinho...
Esta é sem dúvida a maior das provações que pode passar um emigra tuga "qu'a quitté son Portugal" como ouvia um dia destes a Linda de Suza a cantar no rádio dum destes cafés belgas "provincio-exóticos", enquanto tomava esta mistela a que teimam chamar café (expresso, ainda por cima).
Qual cremezinho levemente acastanhado, qual quê? Água de lavar a máquina do café, é o que é... Mas o cúmulo é ter que pedir um expresso "petit" porque doutra forma somos presenteados com o chamado balde! Vai um gajo ainda meio a dormir, logo de manhãzinha, pede um expresso, não porque goste (sim, porque a nossa memória ainda não está activa) mas porque lhe é essencial para ver se recupera o mínimo de capacidades, de forma a não parecer demasiado estúpido durante o dia todo, e leva com um gélido "petit ou gros?".
'dasse! Apetece bater-lhes! Bater-lhes não, espancá-los, forte e feio, até que aprendam a fazer um expresso, uma bica e um cimbalino, todos ao mesmo tempo, enquanto fazem o pino, cantando José Cid e sorrindo para a clientela...
E tu vens-me falar de creme, corpo e sabor?!
Até me apetece chorar...

[não resisto a recuperar o comentário ao post sobre as bicas do Pedro Dias, cibertertuliano de outras épocas, emigrado em Bruxelas e comentador (agora) quase diário nesta casa]

Julho 25, 2005

Contra as italianas

Miguel Marujo

[ou uma bica cheia, por favor]

Bica "curta"
Volume total - ± 25 cc
Conteúdo de cafeína 87,0 mg

Bica "normal"
Volume total - ± 35 cc
Conteúdo de cafeína 94,5 mg

Bica "cheia"
Volume total - ± 45 cc
Conteúdo de cafeína 98,1 mg

Podemos concluir que um café espresso (a vulgar "bica"), resulta da pressão a que a água atravessa as partículas de café moído e da consequente emulsão que essa pressão origina, das substâncias gordas do café - os óleos aromáticos e os colóides -, o que caracteriza e distingue esta bebida das restantes pela sua densidade, creme, corpo e sabor persistente na boca.

Reconhece-se um bom expresso pela cor e textura do creme à superfície, o qual deverá ser levemente acastanhado (cor avelã) e com ligeiras nuances mais escuras no centro e sem "bolhas". A sua espessura deverá ser de três a quatro mm e consegue-se analisar essa espessura se ao deitarmos açúcar na bebida, o creme consiga sustentar durante poucos segundos essa quantidade de açúcar, indo-se depositando no fundo da chávena de forma gradual.

[de um e-mail]

Julho 25, 2005

Das presidenciais

Miguel Marujo

Na dança das eleições para Belém, há um fenómeno que me transcende: não são as presidenciais supra-partidárias? São - mesmo que a maior parte das vezes os candidatos surjam naturalmente dos partidos. Mas, ontem, o PCP manteve a intenção de apresentar o seu candidato e o Bloco de Esquerda (tiques velhos de quem se diz moderno) anunciou o mesmo. Ou então, em nova jogada de modernidade, os bloquistas anunciarão o apoio a um independente (devidamente negociado durante um ano).

Julho 25, 2005

Dos jornais

Miguel Marujo

Também eu preferia encontrar um outro candidato, que não Mário Soares (nem Manuel Alegre, que Cavaco não é o meu, claro - ainda tenho memória!). Mas perante a candidatura quase consumada assustam-nos os novos do restelo com a idade do senador. Definitivamente, os velhos querem-se escondidos, para as mentes jovens das nossas elites.