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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Abril 12, 2005

Conto de fadas

Miguel Marujo

Há dois anos chovia de manhã. Muito, daquela em que o céu parece desabar. Muito, sem cuidar de amainar. Levantei-me cedo, para um sábado. Comprei o jornal, mas a notícia do dia não estava lá. Fui à Baixa, para enganar o tempo - e as horas. À tarde, já não chovia. Mas permanecia o vento. Nas ruas havia quem protestasse contra a guerra do Iraque. Nós deixávamos as bandeiras que gritavam em italiano pace, para lembrar essa luta. Era fim-de-semana de Ramos e as palmas alinhavam-se pela nave central da igreja. E ela estava linda - quando entrou. De azul. Como num conto de fadas. Quem disse que só os príncipes e princesas têm desses contos?

Abril 11, 2005

Pequeno, pequenino

Miguel Marujo

Alguém deu pelo congresso do PSD? Os blogues, sim, na sua agenda muito própria. Mas o zé do autocarro e a maria no pára-arranca no IC19 não devem ter dado conta. Na sexta-feira, ainda era o funeral do Papa que abria telejornais e no sábado um casamento de dois ingleses parece ter impressionado mais a TV. No domingo, dia de consagração do novo líder, o Benfica e o Sporting resolveram baralhar as contas do campeonato e animar ainda mais a indiferença face ao que se passou no PSD. Marques Mendes vai ter de lutar contra os escolhos de um Menezes de votos reforçados e da terceira via sebastiânica, muito palavrosa e pouco actuante. E contra um país que parece preocupado com o seu mundo - reduzido ao umbigo, pequeno, pequenino.

Abril 11, 2005

Terra

Miguel Marujo

Quando eu me encontrava preso
Nas celas de uma cadeia
Foi que eu vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens
Terra, terra

[Caetano Veloso, Terra]

Abril 11, 2005

00h42

Miguel Marujo

Já vi os golos da jornada. Todos os poucos golos - e o golo do Beira-Mar que o árbitro não validou. E os golos lá de fora. Mas na RTPN. A TVI que tem o exclusivo da coisa ainda não deu nada. Não se pode chutar a Quinta para canto?

Abril 10, 2005

Não deixes que a verdade estrague o teu post

Miguel Marujo



Daniel "Barnabé" Oliveira voltou a insistir no encontro do Papa com Pinochet - mas "omitiu" ao melhor estilo outras imagens. E só mostrou a fotografia, esquecendo-se das palavras. Para ele, para os outros, deixo esta breve memória da suas palavras nas passagens pela América Latina, de Ignacio Badal, da agência Reuters (a partir de Santiago do Chile):

«DEMOCRATA, AUNQUE ANTICOMUNISTA
La curia no es dada a admitir el trabajo subterráneo del Papa por la restauración de la democracia en América Latina, una región golpeada por dictaduras de izquierda y derecha que han azotado estas naciones durante buena parte de su pontificado.
Sin embargo, las palabras que usó Juan Pablo II en el mismo territorio de estos hombres fuertes daba cuenta de que su interés por el retorno a la libertad no se quedaba sólo en discursos.
"(El Papa) manifestó, con signos impresionantes y palabras de comprensión y apoyo, su cercanía a los más afligidos y exhortó a recuperar los valores de la democracia y a construir en base a la justicia y el respeto a los derechos de todos," dijo Errázuriz en su alocución al Celam.
Conocedores del Papa, como un ex médico personal y un biógrafo, citados por un historiador chileno, aseguran que un encuentro personal con Augusto Pinochet en su visita a Chile de 1987, Juan Pablo II lo instó a un pronto regreso a la democracia. Al año siguiente se sometió al plebiscito que lo sacó del poder.
Otro ejemplo ocurrió en Argentina, donde impulsó una rápida transición a la democracia con su visita en pleno conflicto de las Malvinas, cuando la derrota era clara.
Un mensaje similar llevó a Paraguay en 1988, un año antes que cayera el dictador Alfredo Stroessner a manos de otro golpe militar que paulatinamente reencaminó el país a la democracia.
A Uruguay llegó a respaldar la naciente democracia en 1987, aunque también perseguía otro fin: reimpulsar a una debilitada iglesia católica en un país de fuerte carga agnóstica.
Mal le fue, en todo caso, con sus gestiones contra los gobiernos izquierdistas, pese a su anticomunismo militante que evidenció en sus recientes memorias publicadas en Roma.
Nicaragua fue un ejemplo. Juan Pablo II llegó en 1983 con un discurso que atacaba directamente al gobierno sandinista de Daniel Ortega, que había derrocado al dictador derechista Anastasio Somoza.
"Intentó desestabilizar la revolución," opinó el ex ministro sandinista y sacerdote Ernesto Cardenal.
No obstante, Ortega se mantuvo en el poder en medio de la guerra civil tras ganar, un año después, los comicios presidenciales.
Y Cuba es aún una asignatura pendiente para el Papa. A pesar de su visita histórica en 1998, que al menos logró una pequeña apertura para la expresión religiosa de los católicos cubanos, no logró su objetivo principal, que era convencer al presidente de la isla caribeña de gobierno comunista, Fidel Castro, de democratizar su país.» [os sublinhados são nossos]

Abril 10, 2005

Deprimente

Miguel Marujo

Facadas, incubadoras, choro e ranger de dentes, e vira o disco e toca o mesmo. O homem ainda não percebeu que foram os portugueses que o puseram no olho da rua a 20 de Fevereiro - e não Jorge Sampaio. Como diria o outro: Apre!

Abril 10, 2005

O que é que tem o Barnabé?

Miguel Marujo

O Barnabé tem pluralidade: ali convivem, por exemplo, o socialista Pedro Oliveira ou o bloquista Daniel Oliveira; e mais ainda com as recentes contratações de "barnabitas", que vão do ferozmente anti-eclesial Nuno Sousa ao católico liberal Bruno Cardoso Reis. Mas o Daniel Oliveira parece conviver mal com aquela pluralidade. Eu percebo: a laicidade só se pode viver na intimidade de cada um, entende o Daniel, e falar de religião num blogue deve pôr em causa a secularização do Estado. Ou será só a do Barnabé?