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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 31, 2005

A Bairrada não é Coimbra

Miguel Marujo



1 leitão com 9 kg, alho, pimenta branca, sal e banha de porco.

Prepara-se o leitão, limpando-se bem. Reserva-se. À parte faz-se o molho com bastante alho, banha de porco, pimenta branca e sal. Desfazem-se estes ingredientes com a varinha mágica até se obter um creme. Coloca-se o molho dentro da barriga e pescoço do leitão, cozendo com agulha grossa e linha forte os dois orifícios. Vai a assar durante uma hora e meia a duas horas, em forno de lenha previamente aquecido durante uma hora (mínimo).
Nota: 3 colheres de sopa de molho são o suficiente para dar o verdadeiro sabor à carne.

Falamos de leitão, claro. Da bairrada.

Março 31, 2005

[nota]

Miguel Marujo

Os comentários voltaram a ser permitidos a todos os leitores. Até aqui só leitores registados podiam deixar a observação, o protesto, o louvor, o que lhes apetecesse. Tudo para contrariar alguns anónimos que insistiam em ultrapassar limites. Se esses anónimos voltarem e desrespeitarem o estatuto editorial deste blogue, os seus comentários serão apagados. A liberdade exerce-se na responsabilidade, não no disparate.

Março 30, 2005

Da Universidade

Miguel Marujo

Vasco Pulido Valente (VPV) escreveu mais uma crónica, própria de quem se acha inimputável pelo endeusamento acrítico geral, sobre a direita e a Igreja. Como se a Igreja fosse de direita e - mais grave ainda - fosse da direita (coisa desejada por alguns).

O que aqui me traz é, no entanto, uma pequena frase, quase lateral, no argumentário de VPV: «Em 1980, os velhos ministros de Salazar já ensinavam na Universidade Católica, que desde essa altura se tornou na principal escola de quadros da direita.» Há um fundo de alguma verdade neste resumo. Mas passo a minha objecção teológica de base sobre a Universidade Católica - os cristãos devem estar no mundo, não à parte -, para questionar a afirmação desta Universidade como a «principal escola de quadros da direita».

De facto, é indesmentível que as principais correntes filosóficas e ideológicas daquela Universidade se colocam politicamente à direita no pensamento social e económico. E este é o cerne de uma objecção mais funda, que nos devia fazer desejar outra universidade. Este desejo estende-se a todas universidades, que devem estar atentas ao mundo - e não desligadas dele (o discurso neoliberal fala-nos habitualmente do binómio redutor universidade-empresa, nós alargamos ao mundo, que deve ser inclusivo, não exclusivo), mas torna-se particularmente necessário quando se fala de uma universidade que clama para si o nome de «católica». A sua "catolicidade" parece esgotar-se nas suas faculdades de Teologia e nos centros de estudos canónicos e religiosos e está claramente ausente de outras faculdades - e em Economia, com mais acuidade.

Afinal, onde está o pensamento socio-económico que inclua o pobre, o marginal como elemento produtivo da sociedade? Não está, não existe. Pelo contrário, gestores e académicos conotados com a Universidade Católica têm quase sempre o discurso mais neoliberal no quadro económico português. Não há uma reflexão séria, sistemática e sistematizada sobre a pobreza, as suas causas e as possibilidades de a combater, reconhecidamente produzida pela Universidade. Não se conhece um programa (atrevo-me a dizê-lo) político que sustente uma opção preferencial pelos pobres.



Originalmente publicado na edição de hoje da Terra da Alegria.

Março 29, 2005

Os crentes da ladainha neoliberal

Miguel Marujo

«É que há crer e crer. "Também os demónios crêem e tremem", advertiu-nos S. Tiago (2,19). Portanto, crer não é apenas ter uma (maior ou menor) certeza acerca da existência de Deus.» Mário Pinto volta a separar águas, na sua crónica semanal no Público. Para este professor na Universidade Católica, há os bons católicos, como ele certamente, e aqueles que pensam como ele, nomeadamente na "defesa da vida"; e há os outros, os eventualmente maus (também os demónios crêem, lembra-nos de cátedra).
Antes de nos deixar estas frases, Mário Pinto crê na sua ladainha habitual: reformar o Estado, porque continuamos «prisioneiros da administração pública, dos sindicatos e dos partidos estatistas de esquerda, que têm um verdadeiro poder de bloqueio, apoiados na Constituição». Ámen, grita a acidental direita!
Os desempregados? A fome? A pobreza? A exclusão? O subemprego? Os baixos salários? O neoliberalismo? Quer lá saber, Mário Pinto! O que lhe interessa é reformar, reformar, reformar (despedir, despedir, despedir, em tradução livre). Ele crê num mundo melhor - o dele, que não se lê nos Evangelhos. De atentados à vida, estamos conversados.

Março 28, 2005

A normalidade

Miguel Marujo

A política tem escasseado por aqui. Há propostas interessantes sobre a mesa. Mas a normalidade também se vive assim: deixar a poeira assentar, amadurecer as ideias e discuti-las. Antes, tudo era de facto anormal: não havia tempo - não existiam ideias.

Março 28, 2005

[pub] Clube do Cebolinha

Miguel Marujo

«Só para homens. Há imagens que dispensam palavras. Quando se vê uma fotografia da actriz Denise Richards não é preciso escrever uma legenda por baixo a dizer "esta miúda é 'muita' gira". Claro que é, está bem à vista e dispensa-se a adjectivação. Por isso é que o autor do blog "E Deus Criou a Mulher" não perdeu tempo com escritos inúteis e foi directo ao assunto: as fotografias. Este é um espaço inteiramente ocupado pela imagem. Nele sucedem-se os retratos de mulheres do mundo do espectáculo, todas lindas de morrer. Para ler há apenas um título em cada "boneco" e o nome da beldade que estamos a apreciar. Diga-se que os títulos – às vezes para lá de crípticos – dispensavam-se. Os nomes dão jeito aos que não conhecem a estrela merecedora da sua adoração. Nicole Kidman, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Monica Bellucci, Salma Hayek, Halle Berry, Hilary Swank, Luma de Oliveira, Luana Piovani, Marilyn Monroe, Naomi Watts e Charlize Theron fazem parte do elenco deste blog. Nenhuma superprodução de Hollywood consegue competir com este casting. A ver num computador perto de si...»

Este texto do Tal & Qual contribuiu para que E Deus Criou a Mulher tivesse 250 visitas (das quais quase 90 na quinta-feira passada, dia da edição do jornal) e 650 páginas vistas, ao fim de uma semana. Só não concordamos com o título dado à prosa: as mulheres também se querem visitantes.

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