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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 18, 2005

Três razões para votar...

Miguel Marujo

... no PS, reproduzidas a partir de um texto do Timshel, absolutamente essencial:

«- A primeira razão radica na convicção que é o partido que, nas circunstâncias actuais, mais possibilidades tem de lutar eficazmente e convictamente contra a pobreza e as desigualdades sociais.
[...]
- A segunda razão resulta de um pequeno ponto do seu programa, até aqui quase ignorado no debate público e que reza assim: "Criar um concurso anual, a nível nacional, para selecção de recém-licenciados candidatos à Administração Pública".
[...]
- A terceira razão é a consequência de circunstâncias factuais que levam a que o PS seja neste momento o único partido com possibilidades de obter a maioria absoluta.»

Fevereiro 17, 2005

O riso de Deus

Miguel Marujo

"Talvez por tanto falar no Céu alguns cristãos estão a perder a hipótese de se divertirem um bocadinho nesta vida. Dietas de hóstias não dão cus que enchem as calças, perdoem-me a ousadia. Nós sabemos que o Deus judeu é o verdadeiro por causa do seu humor. Toda a tralha pagã é inútil porque não tem gracinha alguma." [Tiago, in Voz do Deserto].

Depois de escrever isto, o mesmo Tiago propõe a canonização de dois profetas. Onde podemos assinar?

Fevereiro 15, 2005

O grau zero do comentário

Miguel Marujo

Dizem-nos, na televisão: Jerónimo Sousa ganhou - por não falar, de tão afónico estava. Mais valia estarem calados. Afinal, antes atacavam Sócrates por (supostamente) não falar. Não há quem possa calar estes comentadores? Ou pedir-lhes que fiquem afónicos?

Fevereiro 15, 2005

O eleitor vítima do sistema

Miguel Marujo

O Zé recebeu uma carta em casa. Vinha num envelope sem qualquer logotipo enviada por INFOMAIL e que apenas dizia "SE NÃO COSTUMA VOTAR, LEIA ESTA CARTA." A carta propriamente dita também não tem qualquer logo e apenas no final identifica o remetente, com uma daquelas assinaturas digitais.

Eis o conteúdo:


Caro(a) Amigo(a),

Não pare de ler esta carta.

Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.

Portugal precisa do seu voto para fazer justiça.

Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.

Você não costuma votar, e não é por acaso.

Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.

E quem são eles?

Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma.

Incluindo a velha maneira de fazer política.

Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?

Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema.

Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?

Também o tratam mal a si. Já somos vários.

Ajude-me a fazer-lhes frente.

Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!

Por todos nós,

Pedro Santana Lopes

Fevereiro 15, 2005

Lutos

Miguel Marujo

Hoje é dia de luto nacional, naquele dia não foi! Não houve eleições!

Tive amigos que morriam, amigos que partiam
Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
Odiei o que era fácil
Procurei-te na luz, no mar, no vento.


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

Fevereiro 15, 2005

A palavra, de acordo com a direita...

Miguel Marujo

...tem de estar entregue à direita - a «verdade» é a deles, a «competência» é a sua. Por isso, Louçã disparatou e eles dispararam para o fuzilamento mediático, sem cuidar que há anos alimentam a fogueira da violência irracional e demagógica. Agora, Portas falou no aborto como uma pena de morte e ao disparate não se conheceu igual fuzilamento mediático, que era merecido - safou-se com a morte de Lúcia e com o seu ar compungido saiu de cena.
Também, com Lúcia, os bispos falaram e logo a direita disparou. Se fosse um bispo a disparatar contra a esquerda, aplaudiriam de pé. Como dois homens da Igreja falam de outro modo (pode lá ser? nós os únicos democratas-cristãos!), eles fuzilam de novo, e aguardam que os outros bispos - os verdadeiros, de acordo com a palavra da direita - «desvalorize estas declarações despropositadas». Os acidentais devem estar todos de luto, claro está.

Fevereiro 14, 2005

Os dois primeiros milagres de Lúcia

Miguel Marujo

[à atenção do padre Luís Kondor]

No Blogue de Esquerda, andou uma grande confusão, com acusações violentíssimas entre vários escritores da casa, e o Zé Mário e o Manuel a tentarem compor a coisa, sem grande sucesso. Mas bastou a morte de Lúcia, para logo os irmãos desavindos se entenderem e o amor entrar nos seus corações. É um verdadeiro milagre de Fátima, e desde já podemos invocá-lo para a irmã Lúcia... Ah! e o segundo milagre é o próprio regresso virtual do Luís! Salvé Raínha, mãe de Deus!

Fevereiro 14, 2005

O luto nacional

Miguel Marujo

Há bispos que criticam a interrupção da campanha e apontam o dedo ao aproveitamento político como pano de fundo do luto nacional, decretado por Lúcia. Eu apenas gostava que me explicassem os critérios para o decreto de luto nacional. Vejamos: para Sophia e Lourdes Pintasilgo não houve funerais de Estado. Para Sousa Franco, Carlos Paredes, Aragão Seia e, agora, a irmã Lúcia, o luto foi decretado. Porquê? Não questiono cada um dos nomes - e a sua importância. Acho apenas que não podemos deixar estes decretos na mão de conveniências pontuais.

Fevereiro 14, 2005

Sobressaltos, acasos

Miguel Marujo

Este blogue nunca teve agenda, não fala de tudo o que acontece, nem pretende tal, e pode pular de temas sérios para breves exaltações da beleza ou curtas declarações voluntárias de humor. É assim, assim será sempre. Este domingo, a última vidente de Fátima, irmã Lúcia, morreu, quando por aqui deixávamos entrar a volúpia. Devo deixar a Luma ou pôr um ar circunspecto, pensei. Nem uma, nem outro. Apenas esta quase nota editorial, de quem sente que a morte daquela religiosa será sentida por quem a entende como próxima, mas de quem não dogmatiza Fátima e o fenómeno da Cova da Iria.

Fevereiro 12, 2005

Da vida

Miguel Marujo

"Deixa sem tardar,
ao subires aos céus
à terra o que é da terra.
Em breve te juntarás ao Pai,
E, deus, dançarás em Deus"





teclas de um piano

A nossa amiga partiu. Numa tarde de domingo de Ramos, para constar de estatísticas frias que escondem rostos - e a dor e a saudade. Agora que aqui também se celebra a vida, recordo a R., dias depois do seu dia de anos, pela memória da Inês. Para que nunca se perca a esperança de encher a vida de futuros.


[e de outras vidas: o Ma-Schamba assinou o seu epílogo: «Cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio (Nassar)». Aguardamos novas safras. Enquanto isso, descobrimos o Chuinga, uma estrada para seguir - acasos encontrados pelas páginas do amigo Lutz.]