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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 26, 2005

Sem glamour

Miguel Marujo

Atire-se para trás o brilho das estrelas. Hoje, a primeira página do Expresso revela-nos o que não devia - o que não pode acontecer - no Portugal de 2005. A tortura é sempre injustificável. Mesmo a uma mulher que terá morto a sua filha. E mesmo que a tenha eventualmente morto com requintes de malvadez, como se contou já em muitos artigos de jornal, o que distingue o Bem e o Mal (para não falar do estafado Estado de Direito) é a descoberta da verdade sem o recurso a métodos medievais. A PJ precisa de um curso de democracia, bom senso, civilidade. Isto, senhor (ainda) ministro da Defesa, é bem mais grave num «país civilizado» que meras percentagens a separar alegados democratas-cristãos e eventuais trotskistas.

Fevereiro 25, 2005

Aleluia, meu irmão!

Miguel Marujo

Quero agradecer a todos os meus amigos, conhecidos e família que me reencaminharam e-mails em cadeia durante 2003 e 2004. Graças à vossa bondade:

- Continuo à espera do meu telemóvel Nokia grátis que nunca chegou. Também nunca chegaram as passagens que tinha ganho para umas férias pagas na Disneyland.
- Parei de beber Coca Cola, desde que soube que serve para retirar manchas da sanita.
- Deixei de ir ao cinema, com medo de me sentar numa agulha infectada com sida.
- Cheiro a refogado, desde que parei de usar desodorizantes porque causam cancro.
- Não deixo o carro em parques de estacionamento nem em qualquer outro sítio, com medo de alguém me drogar com uma amostra de perfume e tentar assaltar-me.
- Também deixei de atender o telefone, com medo de me pedirem para discar um número estúpido e receber uma conta de telefone infernal com chamadas para o Uganda, Singapura e Tóquio.
- Também parei de beber a partir da lata, com medo de ficar doente das fezes e urina de rato.
- Quando vou a festas, não olho para gaja nenhuma, por mais boa que seja, com medo que ela me leve para um hotel, me drogue e me tire os rins para vender no mercado negro.
- Também doei todas as minhas poupanças à conta da Amy Bruce, uma menina doente que estava a morrer no hospital... desde 1993. Amy Bruce, desde então, mantém a bonita idade de oito anos.

NOTA FINAL: Se não enviares este e-mail a pelo menos 1200 pessoas, nos próximos 10 segundos, um pássaro vai cagar na tua cabeça, amanhã às 17:30.

[A partir daqui...]

Fevereiro 25, 2005

Histerias, marketings

Miguel Marujo

Vi os U2 na Zooropa Tour e depois na Pop Mart Tour. Comprei os bilhetes depois de ponderar preços, disponibilidades, vontades. Dias ou semanas depois de serem colocados à venda. Sem pressas e filas de horas. Agora, em 2005, é impossível. Já tinha sido assim (contam-me que eu não fui) com Madonna, Rolling Stones e outros: filas enormes, horas de espera, bilhetes vendidos num ápice. Não percebo porquê.

[actualizado: bato três caixas multibanco, às 14 horas, em Campo de Ourique. «Por dificuldades de comunicação, não podemos satisfazer o seu pedido.» Pequenos grupos vão pairando em torno das máquinas. Risos e desânimo - «houve granel na FNAC do Colombo», «não se consegue». No último multibanco, népias: «Bilhetes MB relvado esgotados». De Aveiro, o J. e a G. contam-me o mesmo. «Fora de serviço». Pois. Sempre se poupam uns trocos, resigno-me.]

Fevereiro 24, 2005

Andamos sempre nisto

Miguel Marujo

O Papa mistura temas que não se comparam. Eutanásia, aborto, preservativo, por exemplo, lêem-se demasiadas vezes no mesmo parágrafo. Agora, o aborto e o Holocausto surgem no mesmo plano, levantando um coro de protestos. E com razão. Não pelo que se escreve no livro de João Paulo II (lendo bem, não há uma comparação "absoluta" aborto=Holocausto), mas pela forma confusa (intencional?) como se aborda os limites das leis. E, em vez de se reflectir seriamente sobre estes temas, acabamos por estar a discutir o acessório ou a defender e atacar semânticas.