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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Outubro 26, 2004

Filhos de Rousseau

Miguel Marujo

Os miúdos falavam entusiasmados das suas novas escolas. Mas, felizmente, viajavam de autocarro. Não havia por perto nenhuma Maria Filomena Mónica, nem nenhum José Manuel Fernandes, para zurzirem nos pedagogos do Ministério se tivessem ouvido o diálogo que ouvi.

O rapaz pergunta à rapariga: «Sabes quem foi a Vieira da Silva? (É o nome da minha escola...) Foi uma escritora».

Por mim, sorri. Não lhe ia estragar aqueles momentos de glória junto da miúda...

Outubro 25, 2004

Católicos e homossexuais

Miguel Marujo

«Tenho em mente o apavorante episódio contra Buttiglione, no Parlamento Europeu. Primeiro, alguns deputados bombardearam-no com perguntas sobre as suas convicções pessoais sobre o casamento e a homossexualidade. Como católico que é, foi claro e desassombrado, expondo, afinal, a doutrina da Igreja Católica.»



Quem assim escreve é Mário Pinto, professor na Universidade Católica e que escreve todas as segundas-feiras no Público.



E, insiste, mais à frente: «A democracia do século XXI não excluiria ninguém, por delito de opinião, do exercício dos seus direitos políticos, excepto os católicos coerentes. Coerentes são os que livremente estão em união (de inteligência e de vontade) com a doutrina e a autoridade da Igreja - porque há muitos, e até padres, que fazem uma administração autónoma da doutrina e se importam pouco com os mistérios (isto... digo eu).» [o sublinhado é meu]



Já no sábado, no Expresso, João Pereira Coutinho (felizmente, não tem "link"), do alto da sua verborreia imberbe, dizia que a posição de Buttiglione era a de um «qualquer católico devoto».



Sou menos católico devoto que Mário Pinto? E menos coerente que o senhor professor? Não. E permito-me achar que o que Mário Pinto escreve é incoerente (não falo de JPCoutinho: só fala daquilo para mais uma diarreia anti-esquerdista, claro). Até com o que ele diz da «Doutrina». Porque a doutrina não é aquela que Ratzinger emana do Vaticano - é aquela que nasce de Jesus e, por muito que custe a alguns auto-intitulados «devotos coerentes», Cristo anunciou um Evangelho de inclusão, não de exclusão.



Os homossexuais não pecam. Amam. As mães solteiras não pecam. Amam. E o casamento não é a capa de protecção para uma mulher. É um compromisso sério de amor entre dois indivíduos. Dizer o contrário disto, é ir contra o Evangelho. E isto não é uma qualquer «administração autónoma da doutrina [em que me] importam pouco [...] os mistérios».

Outubro 22, 2004

Experiência na matéria

Miguel Marujo

O porta-voz do PSD para a questão do túnel do Rossio foi o deputado do Porto, Marco António, que se «congratulou» pela decisão de fechar a estrutura e assim se preservar a segurança dos lisboetas. No Porto, Rui Rio vai pedir a intervenção de António Preto ou, quem sabe?!, Carmona Rodrigues para anunciar a abertura da Casa da Música.

Outubro 22, 2004

Pouca luz nos túneis

Miguel Marujo

«O túnel [do Rossio] vai sofrer uma intervenção "eventualmente no decorrer deste ano, também para reforçar a sua segurança". A Refer prevê uma intervenção no túnel para "a consolidação, a estabilização e o reforço da estrutura e geometria da galeria; a regularização do sistema de drenagem; a substituição dos vários tipos de via existente por via embebida em laje; a substituição do sistema de suspensão da catenária; e a segurança integrada"».



Não, não é de hoje esta notícia. É de Abril de 2002. Mas só hoje, dois anos e meio depois, é que a Refer se vê obrigada a intervir. Por falhas graves na estrutura. Que já existiam há mais de dois anos e meio. Entretanto, aquele que foi presidente da Câmara da cidade só se preocupou com outro túnel, desnecessário. Mais: o túnel do Marquês pode ter desestabilizado o do Rossio.

Outubro 21, 2004

Viagens cinematográficas

Miguel Marujo

Há quem goste de voar e quem prefira ter os pés bem assentes na terra.

Apesar de esta revelação poder surpreender alguns dos meus melhores amigos, eu pertenço ao segundo grupo. Se pudesse, trocaria todas as viagens que faço de avião por umas boas estuchas de carro, de preferência sendo eu a conduzir.

Mas, quando tem de ser, lá vou até ao aeroporto, faço o check-in e tomo o meu lugar no avião.

Foi o que aconteceu na viagem para Tóquio: teve de ser.



Ora como não há nada de muito interessante para fazer a bordo de um avião, ocupei uma parte importante das mais de duas dezenas de horas de viagem a ver filmes. E vi vários!

Vi, por exemplo, o «Spider-Man 2». E vi também «The Day After Tomorrow». E até vi «Mean Girls». Mas, confesso, o que me deu mais gozo foi ver aqueles que ainda não chegaram a Portugal: «Laws of Attraction», «The Manchurian Candidate» e, sobretudo, «Code 46».



«Laws of Attraction» é uma comédia romântica à inglesa, realizada por Peter Howitt (responsável, entre outros, por «Sliding Doors» e «Johnny English»). Vive, sobretudo, das presenças de Pierce Brosnan e de Julianne Moore, que interpretam os papéis de dois advogados especialistas em divórcios que acabam por se casar e apaixonar (sim, por esta ordem). O costume...



«The Manchurian Candidate» é um remake do filme de 1962, desta vez realizado por Jonathan Demme. Conta com interpretações fantásticas de Denzel Washington e Meryl Streep e a presença certinha de Liev Schreiber. É a história de um grupo de soldados norte-americanos que, em plena Guerra do Golfo, são raptados e vítimas de uma lavagem cerebral com fins sinistros. Mas é também a história da promiscuidade entre os interesses económicos privados e os detentores de cargos públicos. E, desse ponto de vista, faz lembrar a realidade...



Por fim, «Code 46». É difícil catalogar este filme... Romance? Drama? Ficção Científica? Talvez um pouco de cada... Realizado pelo inglês Michael Winterbottom («24 Hour Party People») e contando com as presenças fortes de Tim Robbins e Samantha Morton («Minority Report»), «Code 46» é uma curta história de amor num ambiente futurista, no qual o romance entre os dois protagonistas é impossibilitado por uma incompatibilidade genética decretada por um governo global e totalitário. A história tem um pouco do determinismo genético de «Gattaca», das limpezas de memória de «Men in Black», do controlo social manipulador de «Minority Report», da descoberta cosmopolita de «Lost in Translation» e da violência futurista de «Clockwork Orange». E tem, além de tudo, um cameo de Mick Jones (The Clash) a interpretar uma versão de «Should I Stay or Should I Go?» num bar de karaoke... Lindo!