Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Setembro 24, 2004

Servido de bandeja

Miguel Marujo


size=-2>Caravaggio

«Era-me útil citar Santo Agostinho. E adicionar um episódio quotidiano para reforçar a ideia de que a luta entre o espírito e a carne é dura mas necessária.» Em forma: a ler, todos os textos, sem deixar passar um parágrafo que seja do maior pregador que vem do deserto, desde João Baptista.

Setembro 24, 2004

Amigos que não se esquecem

Miguel Marujo

Eu sei, já lá vai. E na blogosfera alguém sentenciou que 24 horas depois já é «arquivo morto». Mas, estive de férias, o ritmo aqui é outro, interessam-me as antiguidades e (mais importante para o final da história) eles são amigos, de boa cepa! Os Barnabés que têm tanto de diferente dos outros e o José que nos guia por tantas perplexidades fizeram um ano de escrita. A tempo, ficam os parabéns fora de tempo.

Setembro 23, 2004

A bola genuína

Miguel Marujo

Quando era miúdo, ir à bola significava subir a aldeia até aos pinhais e assistir aos jogos do Valonguense, no pelado Campo António Pereira Vidal, da Arrancada do Vouga, que não era mais do que uma bancada de madeira e chapa, óptima para celebrar golos, e uma grade à volta do campo com duas casinhotas a fazerem as vezes de balneário. Em dias de festa, rumava-se ao "velhinho" Mário Duarte, em Aveiro, para ver os jogos do Beira-Mar, em épocas de sobe e desce constante. A primeira vez que vi o Benfica, em 1982 (porque o Veloso se tinha tranferido de Aveiro para a Luz), o "Beira-Beira" encaixou 8-2 com uma equipa de reservas das "águias".


No Valonguense, a história e os intervenientes eram outros. Equipas de bigodes e quase-barrigudos, que eram operários durante o dia e jogadores à noite e domingos à tarde, quando havia jogatanas. Os derbis locais eram coisa séria e cada apito do árbitro um caso de vida ou morte. "Gatuno" devia ser a palavra mais meiga que o senhor de negro, ainda mais cheiinho na cintura, ouvia...


Lembrei-me disto tudo, ontem à noite, a ver um programa - involuntariamente divertido - na RTPN: a «Liga dos Últimos», sobre as equipas que se arrastam pelos pelados/sintéticos dos campeonatos deste país, com febras e coiratos e minis a acompanhar jogadas de fraco rigor táctico que fariam engasgar Gabriel Alves.


Assistir refastelado no sofá ao Pampilhosa-Mirandense, genuíno e ingénuo, dentro e fora do campo, foi quase um acto de reconciliação com o futebol.

Setembro 22, 2004

Um dia com muitos carros

Miguel Marujo

N. apanhou esta manhã o táxi. Por causa do Dia Europeu sem Carros, pergunta-lhe o atento taxista. Não, tinha sido apenas uma arreliadora avaria do seu automóvel, justifica-se. Não é por menor convicção ambiental, conheço-o. Mas, que diacho!, por que tem ele de se esforçar se nem o Governo dá o exemplo?

Vejamos: para a direita no poder, o «folclore» desta iniciativa não merece grande empenho. Já percebemos: prefere-se o folclore em alto mar, a brincar aos navios de guerra. E vemos todos os dias: o trânsito mais caótico, o benefício do transporte privado, em detrimento dos transportes públicos (os passes vão aumentar), medidas avulsas que ajudam mais ainda ao caos da circulação (o Túnel do Marquês, em Lisboa, por exemplo).

Os pequenos exemplos ajudam a perceber: a Via Rápida da Liberdade, também conhecida por Avenida da Liberdade, em Lisboa, tem uns semáforos que permanecem sete segundos no sinal verde para os peões atravessarem cinco faixas de rodagem! Mesmo um qualquer Pepe Rápido teria de atravessar a avenida em passo acelerado.

Ou os grandes exemplos: o Governo não faz nada para dinamizar o transporte ferroviário (veja-se o caso recente da Linha da Póvoa, modernizada para o metropolitano, com ronceiras composições a fazerem uma hora e vinte minutos entre a Póvoa do Varzim e o Porto, com o voto favorável de Rui Rio). O prolongamento do eixo Norte-Sul (o comboio da Ponte 25 de Abril) a Setúbal, programado para o Euro foi adiado até ver. Nada de especial. Os governos PSD que polvilharam o país de auto-estradas e IPs foram os responsáveis pela destruição da rede ferroviária nacional.

Ouvir falar António Mexia dos transportes e do princípio do utilizador-pagador é de rir: ele que nunca tremeu no banco de um autocarro ou na cadeira do comboio... Ele que até queria um carro novo porque o seu ministeriável está velho de dois anos.

Por fim, uma "guerra" particular: fosse a classe jornalística menos automobilizada e mais utilizadora de transportes públicos e teríamos artigos inflamados semana sim, semana não, como temos quando a gasolina aumenta, o buraco naquela rua alarga ou as obras se arrastam no IC-qualquer coisa.