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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 12, 2004

Folias de Agosto

Miguel Marujo

«Entretanto, para que a comédia de verão não espere, o inefável jornalista Octávio, do pasquim Correio da Manhã, promove sem qualquer rebuço judicial, providências cautelares, ridicularizando tudo e todos. Por sua vez, o sr. Óscar do Sindicato anunciou qualquer coisa que ninguém entendeu, entre aventuras para jornalistas em começo de carreira e verduras protestatórias que ofusca a inteligência, enquanto a PGR lança sobre a nossas malabrutas cabeças um espantoso texto, da mais pura e casta insanidade. Como são de folia as tardes de Agosto.» - do Almocreve das Petas.

Agosto 12, 2004

Máscaras

Miguel Marujo

Oscar Mascarenhas é uma figura incontornável do jornalismo português. Goste-se ou não. Foi presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas anos a fio, e voltou a sê-lo depois de um curto mandato de António Jorge Branco. Entre os jornalistas, há quem aprecie, há quem o deteste. Sempre ouvi piadas às suas opiniões excessivamente deontológicas, sobretudo de jornalistas mais novos ou daqueles que têm a sua própria cartilha. Agora - apenas porque dá jeito - fazem-se manchetes e invoca-se a opinião de Mascarenhas. Quem fez tanta manchete reprovável (condenável, sem olhar a deontologia alguma!), quem ouviu das boas por causa dessa coisa que só interessa para encher a boca, agora faz-se de virgem ofendida. As máscaras caíram.

Agosto 11, 2004

Divertimento em dó maior

Miguel Marujo

«Muito divertida toda esta história sobre as gravações das conversas de um jornalista do Correio da Manhã com personalidades do mundo judiciário sobre o processo Casa Pia. É giro ver alguns dos que, aqui há alguns meses, não pestenejaram em publicitar as gravações de algumas personalidades políticas, como Ferro Rodrigues, venham agora gritar, como virgens ofendidas, contra a eventual publicação destas conversas... Porque será?

Talvez por, com essa publicação, dever ficar claro quem é que afinal estava a "cagar-se" para o segredo de justiça. Se calhar, o próprio director-geral da PJ...

Muito divertido, de facto...
»



Duarte Moral, in Golpes de Vista

Agosto 11, 2004

Perguntas em surdina (sob o guarda-chuva)

Miguel Marujo

«1. Um jornalista gravou conversas sem que os gajos que estavam a falar com ele soubessem.

2. Vai daí, guardava as cassetes num armário, numa gaveta, no jornal dele.

3. Alguém lhe gamou as cassetes - diz o jornalista.

4. Ninguém ainda sabe QUANDO é que lhe palmaram as ditas. O que se sabe é que na sexta-feira passada foi apresentar queixa à polícia. Ora, das duas uma:

4a. Ou lhe gamaram aquilo na quinta ou sexta e o homem assustou-se e foi a correr à polícia;

4b. Ou não abre a gaveta há muito tempo e as cassetes esfumaram-se (o que é estranho, pois anda aí muita cassete do ZX Spectrum ainda a funcionar);

4c. Já lhe tinham palmado as cassetes há meses mas só agora, perante a macacada das notícias, fez queixa.

5. Entre a chuva, demitiu-se o director da PJ, Adelino Salvado. Porquê?

6. E, para fechar, ainda ninguém sabe que raio há nas cassetes, mas a revista Focus já levou uma palmada. De facto, é publicidade à borla. E um sinal estranhíssimo do que é justo num País preso à legalidade.

Noutros tempos, havia páginas em branco ou um aviso: "Revisto pela Censura". Ou "Censurado".»



Primo Galarza, com a mania de fazer perguntas... nos Galarzas.

Agosto 11, 2004

Breves notas à chuva

Miguel Marujo

Na loja. Há empresas que põem os seus funcionários a propagandear as suas campanhas. Uma medida na mouche quando a empregada roliça se passeia pela loja com a t-shirt a prometer a «garantia de preço mínimo».



Às compras. Na loja de produtos de beleza peço um determinado produto. Desisto, quando a menina muito solícita me diz que aquele tem um desodorante muito bom...



A paragem do autocarro. Não se percebe a utilidade do design quando a paragem de autocarro cheia de frestas, muito arejada, deixa passar a chuva toda. Os desenhadores não andam de autocarro.



Na paragem do autocarro. Toca o telemóvel ao som de menos ais, menos ais. Depois de tudo o que aconteceu, a música é quase arqueologia. Ao lado, um homem explica a uma mulher porque gostou do filme: «Tinha história».



No autocarro. A mulher negra entra no autocarro com um bebé no carrinho. O funcionário da Lisboa Transportes mostra a mediocridade deste pobre país, o nosso: «Na sanzala andava com eles às costas, aqui andam de mercedes».

Agosto 10, 2004

Genocídios: um (outro) Darfur próximo de nós

Miguel Marujo

Darfur está aí. Como o Ruanda, silencioso, nos anos 90. Apesar do ruído que alguns se atrevem a fazer, o assunto teima em ficar esquecido na terceira parte do telejornal ou num canto do jornal. Durante anos, alguns poucos também fizeram ruído por Timor-Leste contra o derrotismo de muitos que apostavam na solução realpolitik: entregava-se aquilo à Indonésia, "eles são poucos, estão muito longe", garantiam-se uns quantos direitos e algumas liberdades e ficavam as consciências tranquilas.


Não foi possível - os mortos acabavam por falar sempre mais alto. E com Timor descobriram-se outros timores, novos temores: o Sara Ocidental, um espinho de areia encravado entre o mar e o deserto argelino, de Marrocos à Mauritânia, antiga possessão espanhola, terra de Massília, «estéril costa».


De Espanha, nem bom vento, nem boa diplomacia: José Luís Zapatero - sim, ele! - deixou-se enredar na cantiga do rei bom, autor de fracas aberturas políticas, e com a realpolitik debaixo do braço dá a mão a quem, como os indonésios, espezinha o direito internacional.


Como em Timor-Leste. Como no Darfur. O genocídio aqui escreve-se com palavras mais suaves, com armas menos mortais, sem testemunhas. Empurram-se os nativos para lá do muro de segurança - um muro mais!, que não apaga a obscenidade do muro de Israel, nem a de outros - que Marrocos vai construindo em torno daquele pedaço de areia encostado ao mar. Aos sarauis, no deserto da Argélia, sem apoio internacional e com a condescendência argelina, resta sobreviver... mal. Sem país e sem liberdade (a uns quilómetros, vê-se o muro, e soldados que o guardam).


Darfur tem agora os olhos postos nele. Tarde e más horas: já morreram muitos, demasiados. Mas pouco sobra na nossa indignação sazonal para olhar o mundo. À direita atiram-se piadas sobre a esquerda que esquece Darfur e só se lembra do Iraque. Como se o mal de uns fosse maior que o de outros. Não há escalas para o Mal. No Darfur dos dias de hoje, em Timor-Leste antes da independência. No Ruanda dos anos 90, ou no Sara Ocidental, esquecido na foto.


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Agosto 09, 2004

(blogorápidas)

Miguel Marujo

1. A Glória Fácil faz-se há um ano. E foi um ano de bons encontros, melhores descobertas.

2. Sentir o mar, ir a banhos, nossa senhora da Volúpia ou mamas com alma.

3. «Mau sinal na economia daquilo que o primeiro-ministro considera necessário chamar à sua coordenação directa, não se incluíram os fogos, mas o "caso" (muito mal contado) das cassetes "roubadas" sobre o processo Casa Pia.» - Abrupto.

4. «[...] Em que medida os católicos progressistas não acabam por operar, contra a sua vontade, como uma forma de legitimação de uma estrutura conservadora [Igreja], dando-lhe a aparência de uma heterogeneidade e convivência de cosmovisões que de modo algum se reflecte nas hierarquias [...]» - nos Avatares de um Desejo, sobre o sexismo religioso.

Agosto 09, 2004

[rewind]

Miguel Marujo

O país tem um primeiro-ministro preocupado com cassetes. O país tem jornalistas que são detectives e ex-detectives que se armam em romancistas. O país tem romancistas que escrevem light agora que só interessa o light. O país espeta-se na estrada com chuva e a chuva cai no país quando se está a banhos. O país é um gajo estranho.