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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Julho 05, 2004

E voltamos à vidinha de sempre...

Miguel Marujo

...com o primeiro-ministro fugido em Bruxelas e Santana ao assalto do poder que nunca lhe devia ser entregue.



A feijoada de chocos estava boa, o Ouzo cipriota de gosto "anisado" escorregou bem, o vinho ribatejano ajudou a descomprimir e aqueles heróis mereciam mais do que uma Grécia defensiva a vencer. Mereciam ter caído com uma República Checa ou no jogo com a Inglaterra.

Julho 03, 2004

A vida, sempre a vida

Miguel Marujo

A Praia que mais apetece aqui, neste canto, faz hoje um ano. O Adufe, que vale a pena tocar pelo menos uma vez ao dia, cumpriu ontem 366 dias. Depois da morte de Marlon Brando e de Sophia de Mello Breyner Andresen, apetece celebrar a vida... e os amigos.

Julho 03, 2004

Para atravessar contigo o deserto do mundo

Miguel Marujo



Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
size=-2>Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)


Assim dissemos do nosso amor, naquele dia 12. Assim guardamos na memória Sophia.

Julho 02, 2004

Golpe de estado em Portugal

Miguel Marujo

Às 00:00, as rádios silenciaram-se, as televisões emudeceram e os jornais saíram para a rua em branco. Escusavam de anunciar a unanimidade. Ela era clara como a água. Apenas alguns blogues anónimos se atreveram a escrever o que se passava para o resto do mundo. As sirenes soaram às 06:00 e os tanques passeavam-se pelas ruas. Os soldados não tinham cravos na mão. A Kapital e o Lux continuaram a bombar toda a noite. Atordoada pelos holofotes, a antiga governante Manuela F. Leite resolveu dar o dito por não dito, ao contrário do que fazia quando entrava nas casas dos portugueses. Por fim, às 08:00, eles apareceram na televisão. A dupla de comediantes in tweed pôs a sua cara séria de meninos responsáveis, mas com um olhar de quem fez traquinices... Puf! De repente, acordei! Uff! Tinha acordado de um pesadelo. O pior foi depois, quando liguei a televisão...

Julho 01, 2004

Importa-se de repetir

Miguel Marujo

Paulo Portas continua em silêncio sobre Durão Barroso. Mas continua a trabalhar enclausurado no forte de São Julião da Barra, de onde emana vários despachos sobre a defesa da Pátria. Lembram-se dos seus tempos independentes a criticar a prosa de Sampaio? Leiam-me este naco de prosa tecnocrata e digam-me lá quem é que é incompreensível?!



«Despacho n.º 12 887/2004 (2.ª série). — Considerando que a finalidade global da normalização consiste na melhoria da eficácia das forças militares e acréscimo de eficiência na utilização dos recursos disponíveis;

Objectivando o indispensável grau de interoperabilidade que deve caracterizar as Forças Armadas, quer no cumprimento das missões específicas e fundamentais de defesa militar do território nacional quer ao actuarem como instrumento de política externa do Estado,

nomeadamente em missões de apoio à paz e outras com integração de unidades em forças multinacionais;

Tendo em vista a satisfação do princípio da normalização, no âmbito da doutrina de operações conjuntas, no seio da OTAN:

Determino que Portugal ratifique o STANAG 4485 (ED.01)(RD.01) «SHF MILSATCOM non-EPM Modem for Services Conforming to Class-A of STANAG 4484 (RR)».

15 de Junho de 2004. — O Ministro de Estado e da Defesa Nacional,

Paulo Sacadura Cabral Portas

[in Diário da República, de hoje]

Julho 01, 2004

Hino da final*

Miguel Marujo

[cantar com a música «Força» da Nélinha do Canadá]



«Se um durão te abandona logo a meio

E um Santana quer o lugar do primeiro

Se a maioria só grita da varanda

Que no poder não é o povo quem manda



Se o Sampaio está muito baralhado

E o acto nunca mais é convocado

Se quando recebes não te dá pra todo o mês

Faz lá a asneira de votar neles, outra vez



Lev'os à forca

Lev'os à forca

Lev'os à forca

P'las goelas

A aleijar



Lev'os à forca

Lev'os à forca

Lev'os à forca

P'las goelas

A aleijar



Se o Maniche remata ao cantinho

Nem ouves a opinião do Canotilho

Se o Ronaldo cabeceia à baliza

Já nem te lembras do tacho da Maria Elisa



Mas se consegues sair à rua c'oa bandeira

Também tens tempo pra defender a tua veia

Se o teu sangue é mesmo verde e vermelho

Mand'os chupistas todos para o galheiro



Lev'os à forca

Lev'os à forca

Lev'os à forca

P'las goelas

A aleijar



Lev'os à forca

Lev'os à forca

Lev'os à forca

P'las goelas

A aleijar



Forca!

Forca!

Forca!

Forca!



Levanta-te do sofá...

Grita que queres votaaaar!



"Mais perto do céu

Mais perto do cééééu.."



Lev'os à forca

Lev'os à forca

Lev'os à forca

P'las goelas

A aleijar



Lev'os à forca

Lev'os à forca

Lev'os à forca

P'las goelas

A aleijar



Se um durão te abandona logo a meio / Lev'os à forca

E um Santana quer o lugar do primeiro / Lev'os à forca

Se a maioria só grita da varanda / Que as goelas

Que no poder não é o povo quem manda / Não podem apertar



Forca!

Forca!

Forca!

Forca!»



* - Esta peça notável de poesia é postada pelo (também, às vezes) nosso Primo Galarza, nesse blogue de liberdade, que é o dos Galarzas! - e que hoje comemora um ano de ousadia!

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