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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Junho 28, 2004

Muda o disco...

Miguel Marujo

Durão resolveu falar hoje. Em directo de Istambul, já longe da terra. Porque as suas preocupações já são longínquas. Santana nega ter sido convidado para substituir Durão. Cá na terra, que daqui não o deixam ainda fugir, apesar de estar em trânsito da Baixa para São Bento, sem passar pela casa da partida e de, no sábado a sua casa ter sido um rodopio de gentes e beija-mãos. Mas não: tudo o que vemos, ouvimos e lemos devemos ignorar. Eles não nos estão a tratar da saúde, não. Eles só querem tranquilidade e estabilidade, que a paz, pão, povo e liberdade já é outra canção. Eles querem enganar-nos, mais uma vez, mas nós devemos ser parvos, que não percebemos o desígnio nacional.

Junho 28, 2004

Durão Barroso e o Campeonato da Europa

Miguel Marujo

Desde há quase uma semana que as notícias sobre o Euro 2004 têm tido a concorrência das notícias sobre a possibilidade de Durão Barroso deixar o Governo para assumir o cargo de Presidente da Comissão Europeia. Um destes dias - acho que foi na sexta-feira -, a RTP até teve o desplante de abrir o Telejornal com uma notícia que não era sobre futebol!



O que é que se passa neste país?! A Selecção está a dois dias de disputar o acesso à final do Euro 2004 e anda-se a perder todo este tempo para falar da possibilidade do Durão Barroso ser o próximo Presidente da Comissão Europeia e do Santana Lopes ser Primeiro Ministro?!



Mas que raio de critério é que se está a utilizar para estabelecer as prioridades?! Hã?!



Ontem, à hora do Dinamarca - República Checa, até estava convocada uma manifestação, em Belém, "contra santana lopes primeiro-ministro! Abaixo um governo da treta!"... Está tudo doido?!



Só espero que o Durão Barroso, que, a acreditar nos jornais de hoje, está a preparar uma comunicação ao país para um dos próximos dias, tenha o bom-senso de não escolher o horário da semi-final da próxima quarta-feira... Ou este país ainda muda de governo sem que ninguém dê por isso!

Junho 26, 2004

Ainda a quente.

Miguel Marujo

Pontuação gramatical ao calhas.
Eleições sim. Eleições não. Se o Primeiro-Ministro se vai embora, não deveria haver outro sem consulta popular. Não é necessário, vota-se programas politicos e não nomes. Isso é muito bonito e teórico, na prática quando se vota sabe-se em quem se está a votar. Também não é bem assim, apenas alguns (não me lembro de percentagem, minima de certeza) votaram no CDS (no Paulo Portas) e no entanto lá foi ele parar ao Governo. Não se pode fazer duas eleições tão em cima uma da outra. Mas não se pode porquê? É preciso a todo o custo evitar instabilidade politica no país que dificultaria ainda mais a retoma. Mas quem quer que seja nomeado para substituir o Durão não fará uma grande remodelação? Não criará isso instabilidade? Há politicas que serão descontinuadas. Mas qual retoma, qual carapuça? Alguém está a ver aqui alguma retoma? Não é preciso eleições, não compliquem. É preciso sim senhoras!


Pessoalmente.
Não vejo grande motivo para eleições. Eleições para eleger quem, que partido? Que alternativa? Esta última então foi o cúmulo da fotocópia. Entre o PS e o PSD venha o Diabo (com uma lupa, ou mesmo um microscópio) e escolha. Os outros não são (ainda?) alternativa para governo. Sinto que estamos mal servidos na politica. Parecem todos iguais, germinados numa mesma incubadora de apoio a nados precoces. Ou pior, num tubo de ensaio para sintetisar formas de vida básicas.



Epílogo.
Provavelmente foi uma reação ainda a quente e daqui a uns dias arrependo-me de algumas coisas que aqui disse. Mas olhem, tá dito, tá dito. É que neste momento sinto-me um bocado decepcionado com este país. Não haverá para lá um lugarzito, na Europa, para mim? E já agora porque não o Mourinho para Primeiro-Ministro? Ou o Scollari? E porque é que tem de ser português? Não podemos importar um politico do estrangeiro? Mas que seja bom.

Junho 25, 2004

Impressões do dia depois...

Miguel Marujo

1. Três sapos engolidos numa só frase: «Primeiro Scolari, depois Rui Costa e, finalmente, Ricardo. Foram eles os heróis maiores de uma jornada épica [...].» Bruno Prata, in Público.



2. As senhoras que combinaram hoje a camisa com a malinha ou o lenço com a saia, em mais ou menos discretos tons de vermelho e verde.



3. O lapso da noite: «A alegria em Luanda... e agora em outras cidades portuguesas». Carlos Daniel, na RTP1.



4. O mau perder dos jornais tablóides ingleses, acolitados pela circunspecta BBC, que pelos vistos desconhecem regras básicas do desporto que eles dizem ter inventado. Mais do que o caso «Andrew Gilligan/armas do Iraque», este é um sinal da decadência da instituição inglesa.