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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Junho 24, 2004

A produtividade, ora aí está

Miguel Marujo

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Não se preocupa o senhor Governo com esta fraca produtividade que se percebe das imagens das televisões? Carros parados na berma a aplaudir um autocarro, qual "papamóvel". Gente aos molhos nos "fansparks", nos centros comerciais, de saída do trabalho (excepto esses anti-patriotas do Metro), todos a caminho do estádio ou do sofá. Quando a festa é mais importante, já se sabe com que produtividade conta o Governo...

Junho 24, 2004

Cirurgias

Miguel Marujo

Numa entrevista cheia de salamaleques do jornalista com o ministro do calendário (não se deve incomodar em dia de festa), no Jornal da Tarde da RTP1, este auto-satisfez-se com os êxitos do Euro2004. E atacou os sindicatos pelas greves «cirúrgicas», marcadas para esta tarde em Lisboa, à hora do jogo. Depois anunciou-se a requisição civil aos trabalhadores do Metro.



Sim, senhor ministro, as greves são feitas para incomodar, de preferência em dias especiais para incomodar ainda mais. Percebe-se bem esta vontade de limitar estragos na Europa: Portugal é o país com menos greves e dias de greve, mas a derrota nas europeias tem de ser rapidamente combatida com muita festa.

Junho 24, 2004

Fogo fátuo

Miguel Marujo

Continuo sem perceber a guerra quase fratricida por causa do fogo-de-artifício no Porto e Gaia, seja na passagem de ano, seja no São João. Ontem à noite, foi a mesma coisa. E a coisa é elevada a matéria jornalística, de confronto político. Ai se o ridículo...

Junho 23, 2004

Um jardim ecuménico

Miguel Marujo


size=-2>Estrela Santos, «Sousa Martins»

Em redor de Sousa Martins só se passeiam pombas e as três gordas vendedeiras de velas. Ali no Campo dos Mártires da Pátria passam depois apressados turistas de pé descalço sem preocupações com o euro e padres e religiosas - porque o patriarcado está ali ao lado - metidos em indumentárias felizmente cada vez mais discretas.


Ao longe, encravada entre a pompa da faculdade e a circunstância de um prédio degradado, espreita a Graça, sob um sol de chuva. E depois há cães e os seus donos a olharem os outros donos e faisões sem dono, galinhas e patos, e alguns homens saídos do vizinho Miguel Bombarda que rezam baixinho mas sem dirigir preces ao senhor-médico-curandeiro da estátua. Este é um jardim ecuménico.

Junho 23, 2004

Fórum da TSF

Miguel Marujo

1. Pela primeira vez, inscrevi-me no Fórum da TSF. Não fui a tempo, pelos vistos. Não me ligaram de volta e Manuel Acácio acabou apressadamente o espaço de opinião para ligar a «Alcochete» para a inevitável conferência de imprensa da selecção portuguesa.



2. O Fórum era sobre o aumento por discriminação positiva dos passes sociais. Daí a minha vontade em participar. Mas não houve tempo. Das opiniões ouvidas em cerca de 45 minutos, tivemos oportunidade de saber o que pensam quatro deputados (PS, PCP, BE e, durante muito mais tempo, PSD). E ainda ouvimos uma peça de enquadramento onde ouvíamos mais argumentos do senhor ministro, pela voz da assessora.



3. A TSF fechou para futebol, nestes dias do Euro. O Fórum é quase uma excrescência. A Bancada Central tem, hoje, todos os dias quatro horas de emissão.



4. Há muito tempo que se deixou de falar no novo conceito de informação da TSF. Pois. As bandeirinhas são mais giras.

Junho 23, 2004

Exijo o mesmo nas portagens!

Miguel Marujo

«Passes sociais passam a ter discriminação positiva: o Governo pretende introduzir a discriminação positiva no preço dos passes sociais no âmbito da revisão tarifária dos transportes públicos de Lisboa. Carmona Rodrigues defendeu hoje que o actual sistema de passe social é "socialmente injusto".»



Eu que ando de transportes públicos, que não contribuo para a emissão de dióxido de carbono com o meu carro particular, exijo que as portagens passem a discriminar positivamente os automóveis: um Mercedes deve pagar mais que um Fiat Punto, um Porsche deve pagar ainda mais que o Renault 5, não é socialmente justo que o Volkswagen Lupo pague o mesmo que o Renault Laguna.



O senhor ministro NUNCA andou de autocarro!

Junho 22, 2004

A canícula chegou à Europa

Miguel Marujo

Ou é de mim ou não foi apenas este blogue que derreteu. Ouço na SIC Notícias uma análise à ida eventual de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia. Um cenário, «extraordinário à primeira vista, [que] só fará sentido se tiver uma proposta para ocupar o seu lugar capaz de manter a coligação», segundo um dos seus ideólogos. E quem, então? No canal televisivo avança-se com o nome de Santana Lopes... A Europa é um imenso buraco.

Junho 22, 2004

Scolari vai passar por aqui

Miguel Marujo

O Timshel já leu um texto meu que sairá amanhã na Terra da Alegria. E diz que se trata de uma «declaração de guerra», destinada «ao combate ideológico» contra os perigos da direita... na Igreja! Senti-me qual Scolari a bradar «guerra» aos castelhanos. Mas temo ser quase impossível capitalizar uma eventual vitória neste campo, como (tão bem) escreveu o "Barnabé" André sobre a outra vitória: «Capitalizemos politicamente esta vitória: Nuno Gomes é de esquerda porque transforma a realidade.»

Junho 21, 2004

E, de repente, a política...

Miguel Marujo

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O miúdo está pintado como muitos por toda a Europa. Uma pintura com as cores da bandeira nacional, que é agitada como uma qualquer criança da sua idade num estádio de futebol, durante o Euro2004.


Mas o campeonato deste rapaz é outro: ele joga contra a construção do muro que separa Israel dos territórios palestinianos, no caso da sua aldeia de Iskaka, a sudoeste de Nablus.



size=-2>[Originalmente publicado no PD]

Junho 20, 2004

Quem pinta a bandeira

Miguel Marujo

Ó menina vai ver nesse almanaque

Como é que tudo isso começou

Diz quem é que marcava o tic-tac

que a ampulheta do tempo disparou

Se mamava de sabe lá que a teta

O primeiro bezerro que berrou me diz, me diz

Me responde por favor

Prá onde vai o meu amor

Quando o amor acaba

Quem penava no sol a vida inteira

Como é que a moleira não rachou me diz, me diz

Quem tapava esse sol com a peneira

E foi que a peneira esfuracou

Me diz, me diz, me diz por favor

Quem pintou a bandeira brasileira

Que tinha tanto lápis de cor me diz, me diz

Me responde por favor

Prá onde vai o meu amor

Quando o amor acaba

Diz quem foi que fez o primeiro teto

Que o projeto não desmoronou

Quem foi esse pedreiro esse arquiteto

E o valente primeiro morador, me diz, me diz

Me diz um morador

Diz quem foi o inventor do analfabeto

E ensinou o alfabeto ao professor me diz, me diz

Me responde por favor

Prá onde vai o meu amor

Quando o amor acaba

Quem é que sabe o signo do capeta

E o ascendente de Deus Nosso Senhor

Nosso Senhor

Quem não fez a patente da espoleta

Explodir na gaveta do inventor me diz, me diz

Me diz por favor

Quem tava no volante do planeta

Que o meu continente capotou

Me responde por favor

Prá onde vai o meu amor

Quando o amor acaba

Vê se vê no almanaque, essa menina

Como é que termina um grande amor

Me diz, me diz

Se adianta tomar uma aspirina

Ou se bate na quina aquela dor

Me diz, me diz

Me diz daquela dor

Se é chover o ano inteiro chuva fina

Ou se é como cair do elevador

Me responde por favor

Prá que que tudo começou

Quando tudo acabar


Chico Buarque, «Almanaque». Chico fez 60 anos. Nós cantamos com ele e sonhamos para logo à noite.


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A blogosfera rejubila: percorram a coluna de links para os blogues e descubram os mil e um jeitos de festejar o sexagésimo aniversário de Chico. Façam o favor de espreitar a Praia, a Glória Fácil, o Barnabé, o Blogue de Esquerda (onde começaram as comemorações), o Aviz, as Terras do Nunca, o Adufe, o País Relativo, o Enchamos Tudo de Futuros, e outros que ainda não li...