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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 12, 2004

Gracias a la vida

Miguel Marujo

Ao JVA. Por muito...



«Gracias a la vida, que me ha dado tanto,

Me dio dos luceros que cuando los abro

Perfecto distingo lo negro del blanco,

Y en alto cielo su fondo estrellado

Y en las multitudes al hombre que yo amo.



Gracias a la vida, que me ha dado tanto,

Me ha dado el cielo que en todo su ancho

Graba noche y dia grillos y canarios,

Martillos, turbinas, ladridos, chubascos

y la voz tan tierna de mi bien amado.



Gracias a la vida, que me ha dado tanto,

Me ha dado el sonido y el abecedario

Con las palabras que pienso y declaro,

Madre, amigo, hermano y luz alumbrando

La vida del alma del que estoy amando.



Gracias a la vida, que me ha dado tanto,

Me ha dado la marcha de mis pies cansados,

Con ellos anduve ciudades y charcos,

Playa y desiertos, montanas y llanos

Y la casa tuya, tu calle y tu patio.



Gracias a la vida, que me ha dado tanto,

Me dio el corazon que agita su mano

Quando miro el fruto del cerebro humano,

Quando miro el bueno tan lejos del malo,

Quando miro el fondo de tus ojos claros.



Gracias a la vida, que me ha dado tanto,

Me ha dado la risa y me ha dado el llanto,

Asi yo distingo dicha de quebranto,

Los dos materiales que forman mi canto

Y el canto de todos que es mi propio canto.
»



Violeta Parra

Março 12, 2004

O "meu" Cristo não é este

Miguel Marujo

Ontem estreou «Paixão de Cristo». Sobre o filme veremos (quem sabe se segunda-feira). Mas as interrogações todas que nos coloca o filme devem ser pensadas e discutidas.

«O Cristo do filme [de Mel Gibson, «Paixão de Cristo»] é barroco. O acento está na dor, no sofrimento, não na ressurreição. É legítimo perguntar: porquê este Cristo agora? Não precisamos deste Cristo agora."»

Hoje no Y do Público, um debate interessante entre um judeu e um católico.

Março 12, 2004

Abrupto, como de costume

Miguel Marujo

Pacheco Pereira ironiza (com a esquerda, certo?) que «como de costume» «a culpa é da participação espanhola na coligação no Iraque. Já lá vamos chegar aos americanos». Como de costume pode incluir também o Ministério do Interior na sua análise...



PS - Continuo a achar que foi a ETA. Mas interessam-me pouco os culpados. Interessam-me mais as vítimas. E um outro mundo, sem «guerras totais»... que é possível!

Março 12, 2004

Al-QaETA

Miguel Marujo

A única resposta que o terrorismo - seja ele da ETA, da Al-Qaeda, de estado ou de fundamentalistas -, pode ter é uma conspiração da esperança.



actualização: uma homenagem que merece ser vista e escutada, aqui ao lado.

Março 11, 2004

«Não somos ninguém»

Miguel Marujo

«Ha estallado el corazón del pueblo obrero de Madrid. El Pozo del Tío Raimundo, Santa Eugenia, Atocha, tres barrios de la capital con solera, con historia, con aires de sufrimiento y gotas de sudor en el aire de sus calles.



Los atentados de la mañana del jueves rompieron la dura tranquilidad de las vidas de muchos vecinos, incrédulos ante lo que vivían, impotentes y desarmados. Desalmados y rotos. Juan, Manolo, la Paca, el Cheli. Ellos han sido el objetivo de una violencia inexplicable, ellos que, como dicen "no son nadie".
»



In El Mundo, hoje

Março 10, 2004

Boletim meteorológico

Miguel Marujo

Chove: o melhor indicador é o trânsito caótico que nos faz perder tempo e paciência. Impávidos ou irritados seguem condutores solitários nos seus carros particulares. Do outro lado, presos neste pára-arranca, passam quatro autocarros pegadinhos no sentido contrário ao desejado. O mundo entretido do "agarrem-me que quero ir para Belém" esquece-se de descer à cidade.

Março 10, 2004

Hino para Cavaco*

Miguel Marujo

«Eu que me candidato

Por tudo e por nada

Deixei-vos na lama

Na década passada

Usei o partido

Paguei o meu preço

Esqueci Santana

Limpei-me com o lenço



Olhei prá Figueira

De pé no alcatrão

Levantei-te as saias

Deitei-te no banco

Num congresso tonto

De mala na mão

Nem sequer falaram

Comeram e calaram

Nem sequer gemeram,

Morderam, abraçaram



Vai pra presidente

Quiseram depois

Tinha quinze anos

De poder, queria mais

Cheirava a mofo

À sopa dos pobres

O Sampaio à frente

Eu a comer bolo-rei

Saí da corrida

Alisando a blusa

Saltei p'la janela

Rosto derrotado

Coxa em semifusa

Soltei o travão

Voltei para casa

De chaves na mão



Sobrancelha em asa

Disse: fui mamado

Ao filho e à mulher

Repeti a luta

Acabei Boliqueime

Larguei as memórias

Estendi-me ao comprido

De ouvido à escuta

Na FNAC falei

Que de olhos em chama

Só tinha na ideia

O Santana parado



Na berma da estrada



Eu que me candidato

Por tudo e por nada
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* - in The Galarzas (adaptação livre de Lobo Antunes. Cantar com a música do Vitorino para este poema)