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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 15, 2004

Um verdadeiro golpe de rins

Miguel Marujo

«O presidente da Junta [de Vila Boa do Mondego] hoje eleito é César Olival, monitor de karaté da Escola Desportiva de Celorico da Beira, foi militante do PS, expulso por se ter candidatado nas últimas eleições autárquicas pelo MPT, tendo agora apresentado a sua candidatura pelo PSD».

[in PortugalDiário, sublinhados nossos]

Fevereiro 15, 2004

O regresso ao Mediterrâneo

Miguel Marujo

Portugal não é mediterrânico. Não tenho queda para gaffes principescas. Não caio na simplificação da identidade cultural deste cantinho. Mas, se bebemos naquelas águas, isso não há dúvida. Na música - como bem diz o Diogo - também bebemos no Atlântico celta - das costas galegas às bretãs, das asturianas e bascas às irlandesas.



Por exemplo, Carlos Nuñez, galego de gaita, foi à Bretanha cozinhar um álbum fantástico. Como antes já tinha aportado na costa andaluza e, de outra vez, passado o rochedo de Perejil para dialogar com a música de Marrocos. E desculpem mais esta: Nuñez também já tinha "gaitado" com os irlandeses Chieftains pelos caminhos de «Santiago» (onde se ouve «Não vás ao mar, toino, que o mar está bravo»)...



É este cruzamento, melhor, esta capacidade de cruzar influências, linguagens e culturas que admiro nos povos mediterrânicos e naqueles que "jogam" entre cá e lá. Entre o Atlântico e o Mediterrâneo.



Por isso, prefiro ultrapassar a discussão sobre «a influência mediterrânica em Portugal capaz de rivalizar com o poderio da influência atlântica». É como o debate estéril entre a vocação atlântica ou a atenção à Europa, que se faz na política. Portugal podia ser uma jangada de pedra entre estes mundos, que aqui se cruzam - das correntes quentes mediterrânicas, das águas frias atlânticas e do vento ibérico. Como escreve Matvejevitch, no texto aqui trazido pelo Diogo: «Na realidade, a península Ibérica é mais um continente que uma península: prolongamento ou extremidade da Europa, ambas as coisas ao mesmo tempo. As suas terras do interior não são mediterrânicas, nem as suas costas o são de modo igual».



Dão-se alvíssaras por este desafio, isso sim.

Fevereiro 15, 2004

Shooting the picture

Miguel Marujo

Sobre a questão da foto, referida e contestada pelo Marujo.

Deixa-me o companheiro o repto: «Mas insisto: é preciso atirar aos olhos de todos estas imagens, de quem insiste não ver que existe outro mundo - e que um mundo outro é possível».

Ora, aqui está o ponto, mas também a minha descrença.


Uma enorme fila na estrada que dá para a minha aldeia é um acontecimento, toda a gente sai do carro, «Deus do céu, o que terá acontecido?», bradar-se-ia. Agora, uma bicha descomunal na VCI ou na 2ª Circular (ou na Lourenço Peixinho) já é comum. No máximo diz-se: «Dass! Outra vez».

Ora, é deste «Dass!» que eu falo. Claro que as imagens impressionam, chocam, ao mesmo tempo são belas, raras. Mas a solução do problema daquelas pessoas que dão prémios a ganhar aos outros está há muito encontrada. Não se põe é em prática.


A banalização das imagens leva a que aqueles a quem «é preciso atirar aos olhos» as ditas passem cada vez mais ao lado. Cada vez olhas mais para a estética do que para a ética da foto. E a ética da foto parece-me gasta, porque já a WPP percebeu que um «happy time» dá menos publicidade do que a desgraça.


Deixo aqui os vencedores dos anos de 2003 e 2002. E proponho uma visita à página oficial do concurso e atentar no Children’s Jury Prizewinners, fotos escolhidas por crianças. Para que se note a diferença entre as escolhas adultas e as escolhas que são, no fundo, instintivas.



2002


2003