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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 21, 2004

À espera do sobressalto

Miguel Marujo

Enquanto aguardamos notícias do vento que passa, trago outras pequenas ajudas:


- o vereador das Obras Públicas de Lisboa (peço desculpa, ministro das Obras Públicas de Portugal), Carmona Rodrigues, lembrou que os passes têm de subir até oito por cento - e 3,9 por cento em termos médios - e que para conter os prejuízos seria necessário aumentar os preços em 25 por cento. Às malvas a aposta no transporte público!


- o ministro dos soldadinhos de chumbo (peço desculpa, ministro da Defesa da Raça), Paulo Portas, devia ler o relatório da OCDE hoje divulgado: «Em Portugal, há mais saídas de portugueses que entradas de estrangeiros, pelo menos desde 1993».


- a ministra das obsessões só para alguns (peço desculpa, ministra das "suas" Finanças), Manuela Ferreira Leite, levou hoje um puxão de orelhas da Comissão Europeia: «Comissão Europeia deixa aviso a Governo: Défice "excessivo" e viabilidade "incerta" das contas públicas são "pontos negativos"» (e agora quem acusa Guterres, citando Bruxelas?).


- o ministro da comunicação social deve andar contente, com a nova 2: (schiu! não se pode criticar este canal!) e com as audiências da TSF, que baixaram na Grande Lisboa e no Grande Porto, onde estão os "eleitores-decisores"...


- o ministro dos assuntos particulares (peço desculpa, ministra dos Assuntos Parlamentares), Marques Mendes, contratou (certamente à revelia da ministra das obsessões) uma "técnico-jurídica" para o ajudar. E por isso vai pagar-lhe 3703,84 euros mais IVA. Que é como quem diz 742 contos, na moeda antiga, mais o "ivazinho"...


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agradecimentos aos Galarzas por esta última dica

Janeiro 21, 2004

Sem tabus!

Miguel Marujo

Obrigado Filipe e Miguel pelas palavras de encorajamento!



Aproveito para esclarecer o equívoco: não se trata de criar tabus nem falta de consciência de que não podemos esperar muito. Trata-se simplesmente de escolher o melhor timing... em função das minhas próprias limitações.



É que amanhã inicio o gozo da minha licença parental. São 15 dias que vou dedicar à consolidação dos laços que me unem ao Francisco. Mas são 15 dias que quero também aproveitar para dar forma às ameaças.



É só isso. De resto, devo dizer que gostei da imagem dos moinhos de vento e, se o Filipe estiver de acordo, talvez venha a utilizar o conceito.

Janeiro 21, 2004

Sim, ajudo

Miguel Marujo

Ameaçava este espaço transformar-se em monocultura, quando o Diogo semeou ventos e tempestades, daquelas sementes que não nos deixam ficar quietos, que nos instigam a ir mais à frente. Aguardo, como o Filipe, o desafio. «Mais cedo do que tarde».

Janeiro 21, 2004

Tabus

Miguel Marujo

O Diogo ameaça provocar-nos! E muito bem. Se as razões são a do desespero perante a "situação", muito bem! Se se sente desinstalado e com iniciativa para transformar essa sensação em capacidade interventiva, muito bem!

Ficamos a aguardar, ansiosos e... curiosos, pelas novidades.

Mas não podemos esperar muito... não podemos criar tabus, antes de existirem.

Deita cá para fora o que te vai na alma e depois responderemos a esse desafio.

Janeiro 21, 2004

Mais me ajudas!

Miguel Marujo

Na semana passada, a propósito de queijos, escrevi aqui que achava que era preciso que todos fizéssemos alguma coisa para mudar o estado a que chegou o nosso país. E terminei o meu texto com a ameaça de que me preparo para tomar, eu próprio, uma iniciativa.



Ainda não é hoje que vou concretizar as minhas intenções, mas ando a maturar umas ideias e, mais cedo do que tarde, torná-las-ei públicas. Continuo a dizer que espero poder contar convosco!



«A prosperidade não existe sem muitos medos e desgostos», disse um dia Francis Bacon. E acrescentou que «a adversidade não existe sem muitos confortos e esperanças». Enfim, com os limites que é devido impor a estas afirmações absolutistas, acho que Francis Bacon tinha razão.



O conforto é agradável, mas quando o conforto é aparente ou momentâneo, apenas serve para que nos vamos habituando à nossa própria destruição. É como uma cama confortável: é fácil entrar nela, mas é difícil sair!



Há um momento em que temos de trocar o nosso conforto pelo futuro do mundo e da humanidade. Para os portugueses, parece-me que esse momento já chegou. Há bastante tempo!

Janeiro 21, 2004

Temos os patrões que merecemos

Miguel Marujo

Anuncia-se um aumento de 3,9 por cento para os transportes públicos, o dobro da inflação prevista. Os senhores das empresas dizem que os aumentos são demasiado «baixos». Deviam ser 25 por cento. E que os transportes portugueses são os mais baratos da União Europeia. Já cá faltava, este argumento!



O que os senhores das empresas não dizem/não explicam/não fazem é:

- que continuamos a ter transportes com horários descoordenados, sem um efectivo funcionamento em rede;

- que continuamos a ter autocarros velhos (apesar da melhoria substancial da Carris, em Lisboa);

- que continuamos a ver as empresas a não responderem às necessidades de transporte em determinadas localidades (exemplo próximo: apesar do aumento exponencial de trabalhadores e empresas em Queluz de Baixo, a Lisboa Transportes/Vimeca mantém uma oferta risível para esta zona);

- que o transporte público continua a ser preterido em relação ao privado;

- que o nível de vida (salários) dos portugueses é muito mais baixo que o dos europeus;

- ...



Há muitas outras questões. Estas são as respostas óbvias para o absurdo da medida.



P.S.: O título deste "post" inspira-se na reacção clássica do patronato às dificuldades em épocas de crise (curioso, como alguns, só lembram o "imobilismo" dos sindicatos, esquecendo o "conservadorismo" patronal): os despedimentos, travestidos de "reestruturações", e o aumento dos serviços, sem qualquer melhoria de qualidade.

Mais: ontem, o patrão dos patrões comentou o aumento do tempo de licença de maternidade para os quatro meses e meio desta forma: «"É claro que um patrão prefere ter um homem do que raparigas novas. Porque sabe que vão casar e querer ter filhos", afirmou Francisco Van Zeller da Confederação da Industria Portuguesa (CIP).»