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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 16, 2003

Repórteres da sorte

Miguel Marujo

Ainda bem! Carlos Raleiras foi libertado. Maria João Ruela estará a caminho de Portugal. Mas sobram algumas perplexidades, algumas dúvidas e algumas irritações (como as que João Pedro Henriques deixa no Glória Fácil) sobre o dia em que os jornalistas foram notícia.

Actualização: o sempre pertinente Terras do Nunca também deixa algumas notas sobre os jornalistas portugueses e as guerras. Também o "TSF" Carlos Vaz Marques conta que a libertação de Raleiras foi celebrada com tinto... e lembra que há reportagens que implicam mais custos.

Novembro 14, 2003

Repórteres do azar

Miguel Marujo

Carlos Vaz Marques tem um camarada de redacção desaparecido no Iraque. Mas não tem medo em escrever sobre o azar que se abateu sobre os jornalistas portugueses no Iraque, num alerta que é também um grito sobre o aventureirismo com que se faz jornalismo de guerra em Portugal - e que devia responsabilizar também os patrões da comunicação social, não apenas os profissionais. Outro jornalista, João Pedro Henriques, também promete voltar ao tema, mas «quando tudo se resolver». Esperemos que, para Carlos Raleiras, tudo se resolva bem.

Novembro 13, 2003

O baile da paróquia

Miguel Marujo

Nos voos da TAP, os passageiros podem assistir a um breve serviço noticioso da SIC que resume, em quatro ou cinco notícias, algumas das "histórias" do dia. Mas o serviço é mau. Dito de outro modo: é um serviço paroquial, burocrático e que se limita a um "boa viagem" do apresentador de plantão como sinal de que se trata de algo preparado para os aviões da TAP. Para os estrangeiros, será ainda pior: nas duas viagens que fiz tivemos direito a notícias sobre suspeitas de pedofilia (what else?!) de um professor de Évora, Casa Pia, nada de política (excepto o beija-mão que agora todos fazem à Casa Pia), João Vale e Azevedo, uma perseguição policial que acabou mal e o retrato da violência sobre os polícias, as obras do novo túnel das Amoreiras que complicaram ainda mais os acessos a Lisboa e uma única notícia do mundo: um advogado atingido a tiro por um seu alegado ex-cliente nos Estados Unidos.

É este o mundo da SIC, é este o mundo que a companhia aérea estatal portuguesa tem para mostrar aos seus viajantes, portugueses e estrangeiros, com direito a tradução em "canal inglês". Um mundo de vistas curtas, que se resume ao baile da paróquia. Será que Pacheco Pereira não viaja na TAP, para nunca se ter indignado com este serviço público de iniciativa privada?

Novembro 13, 2003

Primeiros passos

Miguel Marujo

O ritmo é ainda de férias. Doze dias longe de quase-tudo ajudaram a retemperar forças. Agora redescobre-se o mundo-como-ele-é. Pior: redescobre-se que o país não foi de férias, como lhe fazia bem. Bastou ler meia-dúzia de títulos da imprensa no avião de regresso ou ouvir na voz do comandante que o Benfica continua o mesmo. Depois: os e-mails de sempre ("pay your debt", "girls", "virus"), o blogger em baixo (Due to planned maintenance, Blogger will be unavailable for a few hours starting at 11pm (Pacific) on Wednesday, November 12. Thanks for your patience) e uma absoluta incapacidade de ler uma ínfima parte do que se escreveu na blogosfera. Valham-nos as águas calmas da Cibertúlia, com as chuvas de Novembro em Coimbra (obrigado, Saraiva) e o entusiasmo do João Borges (sim, o disco é muito bom e de onde veio, veio por metade do preço, com o nome certo de Maria Rita, JB!).



Devagar vamos chegando.

Novembro 10, 2003

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos.

Miguel Marujo

Porque nunca entendi a Cibertulia como um monólogo venho preencher alguns minutos da ausência do Miguel. Queria partilhar com vocês algo de Coimbra, porque só de Coimbra posso falar, porque é em Coimbra que trabalho e vivo.

Em Coimbra choveu de manhã e agora está sol. Acredito que ainda vá chover hoje e em seguida, num volte-face nunca visto, venha a ficar sol. Ou não. E depois vai anoitecer, o que não invalida que volte a chover.

Estou à minha secretária a trabalhar, enquanto olho para fora, pela janela, para vos poder fazer a crónica do tempo que faz em Coimbra. O Caetano Veloso está a cantar "Meia lua inteira" dentro de umas pequenas colunas que tenho em cima da minha secretária, consequência de prodigios da tecnologia que ainda hoje me espantam.

O meu trabalho, programador, permite-me estar a escrever isto e os meus colegas ficarem a pensar que, pela forma como ataco o teclado e carrego em teclas atrás de teclas, estou a trabalhar no duro. Na verdade coloquei um processo a correr e tenho que estar à espera que acabe para poder continuar a trabalhar. E entretanto pus-me a blogar, porque o Miguel nunca mais volta de férias.



Pensei em escrever qualquer coisa de pertinente sobre a actualidade portuguesa ou internacional... mas não há pachorra.



O processo acabou e tenho que voltar ao trabalho. Isto de Blog's é muito melhor numa perspectiva consumista mas eu não gosto de silêncios incómodos, de cortar à faca. Gosto deles contemplativos ou significativos, mas não incómodos.

E se o Miguel não voltar? [arrepio].



P.S.

Demoro sempre mais tempo a inventar um titulo para os Post's do que a escrevê-los. Normalmente (sempre) deixo isso para o fim. E agora? Como vou intitular este? Bolas. Tenho que voltar para o trabalho... Olha porque não... obrigado ó Caetano.

Novembro 04, 2003

Ana Rita

Miguel Marujo

Sim !!!! A que vinha na revista do Expresso. Comprei, ouvi, amei. Tem em comum com a mãe (Elis Regina) a "espessura" da voz. As letras são boas, os arranjos de uma simplicidade fantástica. Depois do popular "tribalismo", há um regresso ao novo intimismo brasileiro. Passem por lá.

Novembro 01, 2003

Momentos únicos

Miguel Marujo

© Jorge Colombo (para M e M)

Estou de partida, por uns dias. Sem saber o que é isso de blogar. Fora de tempo - e (quase) fora deste mundo. Há outros "cibertúlicos" por aí. Pode ser que eles resolvam tomar este barco...

Novembro 01, 2003

Early night blogs

Miguel Marujo

Leituras nocturnas antes de ir de férias (e uma actualização pela fresquinha):



1. Um blogue - mais um a "linkar" em futura actualização da coluna de favoritos -, que também me chega por e-mail. «Miniscente», uma criação de Luí­s Carmelo que, numa visita impressionista, agrada - e não só à vista. A visitar com tempo, noutras tardes e noites.



2. Era impossível manter a nossa OPA (oferta pública de acolhimento) a Ana Sá Lopes depois da resposta que nos deu. Ficámos derretidos.



3. O nosso médico recorda os doentes que lhe passam numa urgência:

«[idade] 95 - [sexo] Feminino: agitação, sons imperceptíveis, grunhidos, gemidos, psicose senil, acamada, suja, urinada, escariada, abandonada dentro da família. Quando mostram a vida dos 113 anos, esquecem-se de muitos anos sem vida. Estes casos não convêm expor nos monitores das nossas televisões. Expor doentes, só com casas com piscina, da nossa nova burguesia, ou quando cheira a negligência médica ou do Estado. Quando a negligência é das famílias, as televisões escondem-se.

Este e outros breves retratos num retrato que ministros, políticos e jornalistas podiam espreitar.



4. A viagem de transportes do Terras do Nunca em dias cinzentos. E de como a (minha) alternativa não será blogar. Mas sair. Para longe - de férias (de tudo).

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