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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 20, 2003

Lisboa, Istambul

Miguel Marujo

Hoje almoçámos os dois. E falámos da Istambul que só conheço pelas palavras, imagens e sons que Ela me deu a conhecer, das duas vezes que lá foi. Hoje, aquele mundo de encontros e pontes, aquela «outra Lisboa» (como Ela falava dela) sofreu com a cegueira do Mal (qualquer que ele seja).

Ao fim da tarde, descubro um outro belo pedaço de encontro com Istambul, de quem se sentiu também em casa: «Eu sei que aquelas ruas escondem violências antigas, talvez latentes. Mas também percebo que a cidade poderia ser um começo, um entre tantos outros, para um mundo um pouco melhor. Os atentados desta semana são contra essa possibilidade. Esse esboço. Querem atingir Bush, Blair e companhia, mas o que realmente põem em causa é o outro lado. A parte do outro lado que Istambul representa.»

O horror e a dor ficaram ainda mais próximos.

Novembro 20, 2003

Sons em trânsito

Miguel Marujo

Não posso estar em Aveiro. Mas tenho pena. E como o Filipe ficou a ver um filme mais "longo" - retirado do seu mundo asceta - e a Isa ainda não tem um blogue, faço eu a publicidade a quem puder ir àquela cidade, para assistir a músicas de todo o mundo.



Deixo aqui uma breve apresentação do Sons em Trânsito:



«O SET está de volta! Ou seja, o principal objectivo da primeira edição foi concretizado: Justificámos a existência de uma segunda! E aqui estamos nós prontos para mais algumas aventuras por línguas exóticas, viagens sonoras inovadoras ou instrumentos nunca antes escutados!

Nas músicas do mundo cruzam-se a tradição com a vanguarda, o rústico com o cosmopolita, derrubam-se fronteiras e dogmas, ignoram-se conflitos étnicos ou religiosos! Tudo se faz com tolerância, espírito aberto e vontade de partilhar.

Este ano, as responsabilidades aumentam, mas a qualidade, diversidade e espectacularidade do programa garante-nos que todos ficarão satisfeitos! Teremos hinduísmo e judaísmo, sul-americanos e norte-americanos, europeus e asiáticos, finlandeses e guineenses, a kora africana e as tablas indianas, o cajon catalão e a nossa braguesa, a sanfona e o acordeão, a harpa venezuelana e...muitas outras combinações e enquadramentos estranhos que fazem do SET uma festa da GLOBALIZAÇÃO FRATERNA!
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Novembro 20, 2003

2004, o ano de Bagão

Miguel Marujo

O ano de 2004 é um ano bissexto... mais um diazinho de trabalho.

O 25 de Abril calha a um domingo... mais um diazinho de trabalho.

O 1 de Maio calha a um sábado... mais um diazinho de trabalho.

O 10 de Junho é também o dia de corpo de Deus... dois feriados num só, mais um diazinho de trabalho.

O 13 de Junho calha a um domingo... mais um diazinho de trabalho (pelo menos, em Lisboa).

O 15 de Agosto calha a um domingo... mais um diazinho de trabalho.

O Natal calha a um sábado... mais um diazinho de trabalho.

O dia 1 de Janeiro de 2005 calha a um sábado... mais um diazinho de trabalho. E Bagão feliz.

Novembro 19, 2003

De volta

Miguel Marujo

Voltei! E bastaria dizer isto para fazer notícia no blogosfera, mas não me contenho...

A paternidade tem-me absorvido quase completamente, o que significa que quando não estou a trabalhar, estou a ser pai, o que resulta em que não tenho tido tempo para mandar umas postas. E bem merecidas seriam, já que as últimas semanas têm sido férteis em matéria a pedir comentários.

Como estou há muito tempo parado e não quero contrair uma lesão de esforço, vou ser breve.

Hoje, na sua crónica no Público, o Álvaro Domingues faz referência a uma pintada existente num muro da Rua do Campo Alegre, no Porto. Fica do lado esquerdo de quem vai em direcção ao Fluvial e sempre que por lá passo não consigo disfarçar um sorriso, que fica a meio caminho entre o achar piada e a admiração em relação ao seu autor. A frase é simples e tem apenas três palavras mas, como diz Álvaro Domingues, «é um caso de produtividade comunicacional»: QUEREMOS MENTIRAS NOVAS!

Depois dos argumentos invocados para a invasão e ocupação do Iraque, depois das promessas eleitorais do Dr. Durão Barroso, depois dos últimos números avançados pelo Banco de Portugal em relação à economia portuguesa e de todas as outras mentiras a que nos foram habituando, está na hora de começarmos a pintar os muros de todo o país.

Já não pedimos a verdade; contentamo-nos com mentiras novas.

Novembro 19, 2003

A cadeado

Miguel Marujo

A Universidade de Coimbra voltou a ser fechada a cadeado. Durante as minhas férias perdi (um)a (das) maior(es) manifestação(ões) em muitos anos de estudantes. Mas os ecos que me chegaram (sobretudo na blogosfera) foi de repúdio pelo fecho a cadeado da Universidade coimbrã. É uma medida de protesto radical (sim, também eu preferia uma greve de zelo), que incomoda pelos vistos muito e muita gente (apesar de tudo, nada que se compare com os métodos de um jovem-mrpp-hoje-feito-cherne que, nos seus tempos áureos de lutador anti-burguês, chegou à sede do partido com uma camioneta carregada de móveis retirados da Faculdade de Direito). Feche-se o parêntesis, e olhemos para a realidade do ensino superior (para lá do parque de estacionamento, que tanto indigna os comentadores da nossa praça).

O que mudou em dez anos de propinas? Nada mudou na «qualidade do ensino», muito propangadeada pelo governo de então de Cavaco (e Ferreira Leite e Pedro Lynce e Durão Barroso), e muito mudou na desresponsabilização dos sucessivos governos - agravada com este, é verdade! -, na orçamentação das universidades e dos institutos politécnicos. As propinas servem hoje para pagar o papel higiénico e ordenados, não os laboratórios e as condições de excelência.

A propósito, aconselho vivamente a leitura de um texto do Barnabé (há lá outros textos, soltos, ao correr da pena, que vale a pena procurar sobre o assunto). E, à nova ministra do Ensino Superior, gostava de lhe indicar a leitura de um antigo documento, produzido pelo Conselho Nacional de Educação, algures no início da década de 90 (actualíssimo, se refrescarmos os dados estatísticos): «Manifesto sobre o Ensino Superior».

Novembro 19, 2003

Alguém falou em Guterres?

Miguel Marujo

«O primeiro-ministro garantiu terça-feira que o défice orçamental deste ano irá ficar abaixo dos três por cento, devido ao recurso a receitas extraordinárias, tendo admitido que o mesmo poderá suceder em 2004.

"Este ano vamos reduzir o défice abaixo dos três por cento. Tenho plena confiança nisso", afirmou Durão Barroso, acrescentando que em 2004 a despesa irá igualmente cumprir o valor máximo estabelecido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, "se necessário" através de receitas extraordinárias.
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[in PortugalDiário, sublinhado nosso]

Novembro 18, 2003

Silêncios

Miguel Marujo

A Glória Fácil está a gerir o silêncio. O seu silêncio. Terrível tarefa, reconhece Ana Sá Lopes: «É preciso que os receptores (do silêncio) não incorram na imediata e fatal dedução segundo a qual quem está calado, regra geral, não tem nada para dizer.» Ora, também por terras de Aviz, o silêncio se faz de sugestões: «A noite», lembrou Francisco José Viegas (citando um jovem poeta), «é a plataforma/ da vinda áspera do coiote» - e foi à sua vida. Mas nós temos saudades, depois destes silêncios.