Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Setembro 26, 2003

Memória

Miguel Marujo

Edward Said morreu, no mesmo dia em que pilotos israelitas recusaram atacar alvos civis palestinianos. A comunicação social, ontem, pareceu ter ignorado. O Público dá hoje a notícia. Como já tinha feito a blogosfera, aqui e aqui. Estes "links" são uma pequena entrada para o pensamento do autor de «Orientalismo».

Setembro 25, 2003

Eis que…

Miguel Marujo

Estou de volta. Após um longo período sem escrever regresso a estas lides.

Antes de mais parabéns a quem de direito especialmente à Inês ao Diogo e ao Francisco.

O meu bem haja a todos os que se lembraram de mim durante esta segunda vaga de calor. Neste momento na Tapada Nacional de Mafra estamos a acabar de avaliar os danos e a começar a projectar o futuro.

Tinha prometido já há muito tempo atrás escrever sobre a floresta portuguesa, mas sinceramente hoje não me apetece.

Portanto vou falar de cinema. Fui ver os Piratas das Caraíbas, é um filme que vale a pena olhar com atenção.

Ontem revi o Dune, alguém me pode explicar em que estrada perdida o David Linch se perdeu para o grande cinema ????

Para acabar o belo do ramalhete só me falta o Exterminador III que está prometido ir com o Miguel e o Nuno.

E viva o “cinema amaricano” com porrada e muitos efeitos especiais.



Parece que a Fundação para a Ciência e Tecnologia apertou os cordões à bolsa. A maior parte dos meus amigos que concorreram a bolsas de doutoramento viram o seu pedido ser recusado. Como já há muito tempo não havia dinheiro para bolsas de mestrado, parece que agora só há bolsas para Pós-Doc. Não me parece uma boa estratégia para um país que quer apostar na qualidade e na inovação, cortar as pernas a tanta gente com vontade. Será que o Ministro Pedro Lince acha que já temos mestres e doutorados a mais em Portugal?

A verdade é que temos situações caricatas, pessoas com mestrado e doutoramento são afastadas do ensino Politécnico mantendo-se nessas escolas, a coberto de Comissões Instaladores que duram décadas, pessoas com habilitações muito baixas e que actualmente contribuem muito pouco para um ensino de qualidade em Portugal. Os prazos para muita dessa gente acabar os mestrados e doutoramentos está a acabar, vamos ver se há coragem para resolver este problema de frente.



Em breve será aplicada a Convenção de Bolonha ao Ensino Superior Português. A Ordem dos Engenheiros já veio a público e bem, dizer que não aceita uma diminuição na qualidade de formação, vamos ver como é que o ministério descalça a bota de ter instituições universitárias de reconhecida qualidade sem alunos e instituições de ensino politécnico com qualidade de ensino mais baixo, mas que também conferem licenciaturas, com mais alunos. Sabendo que o financiamento ao ensino superior se baseia no rácio professor/aluno parece que se avizinha um período conturbado entre Universidades e Politécnicos com a Convenção de Bolonha á mistura.

Setembro 25, 2003

Apostasias esclarecidas

Miguel Marujo

Recebemos de Rui Tavares, um dos barnabés (que lemos compulsivamente) um e-mail com alguns esclarecimentos sobre um "post" anterior, «Apostasia e liberdades»:



«Caro amigo:



A propósito da sua entrada sobre a apostasia, tenho pena que não tenha feito as seguintes precisões.

1. Não é "o Barnabé" que vai apostatar. O Barnabé é constituído por várias pessoas, umas baptizadas que não se pronunciaram sobre o assunto, outras não baptizadas que não tem nada que ver com o assunto, e eu que sou baptizado e que, se tiver pachorra e ultrapassar a minha natural preguiça, vou apostatar um dia destes porque é meu direito e certamente maior do que aquele que tinha quem me baptizou. Não vejo onde está o ridículo.

2. Eu chamei a atenção para o facto de que o site que alberga a "declaração de apostasia" era inacreditavelmente mau. Teria sido honesto da sua parte relembrar essa distinção. Porque de outra forma, depois de ter colado o Barnabé à minha posição, cola-nos a todos à posição de um site intelectualmente indigente.

Seria um sinal de desportivismo da sua parte se publicasse esta clarificação no cibertúlia, que de resto achei bastante interessante.

Fá-lo-ia normalmente através da janela de comentários, mas como não a têm e o seu texto me atinge directamente peço-lhe a si que o faça.



Um abraço

Rui Tavares
».

Setembro 25, 2003

Risível

Miguel Marujo

O Luís Nunes fez-me chegar (por correio) algumas «medidas» mais para um culto a "sério". Ou de como a Igreja - melhor, o Vaticano - se põe a jeito para estas e outras piadas.



«Acho, caro Marujo, que estas medidas "inovadoras" sabem a pouco ao cardeal Torquemada (perdão, Ratzinger). O projecto inicial, recebi-o pelo correio, contém mais seis normas e reza assim:



1. Obrigatoriedade, sob pena de excomunhão, de todas as liturgias serem faladas em latim, com o padre virado de costas para os fiéis. Afinal, há quem tenha saudades dos "bons tempos".

2. Proibição, sob pena de excomunhão, de os fiéis se saudarem durante a missa. São contactos demasiado íntimos e eventualmente pecaminosos.

3. Obrigatoriedade, sob pena de excomunhão, de todos os fiéis respeitarem a dízima, nem que seja sobre o Rendimento Social de Inserção.

4. Proibição, sob pena de excomunhão, de pensar. Pensar é uma irresponsabilidade perigosa. Os fiéis não pensam, crêem. Aqueles que fazem do pensar o seu modo de subsistência, como os cientistas e intelectuais (cruz credo!) devem ser denunciados e julgados por Nós.

5. Obrigatoriedade, sob pena de excomunhão, de todas as fiéis comprovarem semanalmente a sua virgindade. As mulheres impuras não cabem no Reino dos Céus.

6. Proibição, sob pena de excomunhão, de qualquer fiel contactar com infiéis. Um infiel bom é um infiel morto e as Cruzadas foram a época gloriosa em que o nome de Deus era respeitado.

7. Obrigatoriedade, sob pena de excomunhão de toda a humanidade, de o próximo Papa se chamar Ratzinger, a quem todos devem temer reverencialmente.



Só assim os fiéis regressarão à casa de Deus. Se não os conquistamos pela simpatia, conquistamo-os pelo medo, como antes.



Publique-se,

Assinatura ilegível
»