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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Julho 28, 2003

Durão sem classe

Miguel Marujo

Perante os apupos de trabalhadores têxteis na Covilhã, o nosso excelso primeiro-ministro respondeu: «Não é tempo para lutas de classes dentro das empresas». O próximo conselho de ministros será tempo de perdão e reconciliação.

Julho 28, 2003

Mexia-se sem sentido

Miguel Marujo

Os blogues podem espoletar debates interessantes. Sobre a TSF, o jornalista da casa Carlos Vaz Marques criticou o poeta e crítico literário Pedro Mexia, por este ter dito que «sendo mesmo incrivelmente esquerdista [a TSF] é a nossa melhor rádio». CVM pede-lhe exemplos. PM dá-lhe vários de memória. Há um que me (nos) toca particularmente, por ser simplesmente idiota.

«- O programa religioso da TSF, Como se Visse o Invisível, tem três participantes católicos: D. Januário Torgal Ferreira, Anselmo Borges e Maria de Lourdes Pintasilgo; esses três nomes são tão representativos dos católicos em Portugal como seria representativo do eleitorado português um Parlamento onde tivessem apenas assento o PCP, o PEV e o BE.»

Mexia está no direito de não gostar do que dizem e pensam os «três participantes católicos», mas acho notável o "seu" profundo conhecimento sobre o "povo" católico que não se reverá naqueles três intervenientes - como se as leituras do Evangelho fossem passíveis de serem lidas como "direita" e "esquerda".

Mais que a "leitura evangélica" do quotidiano, o que incomodará o jovem poeta e crítico (também eclesial?) devem ser as posições políticas dos três intervenientes católicos noutros espaços, longe das adorações e venerações particulares de Pedro Mexia. Mas isso é outro problema, que não o de «Como se visse o invisível».

Para PM, o programa da TSF só seria incrivelmente neutro - ou, já agora, de direita, que só aí temos coisas boas e saudáveis! - com o padre João Seabra e o bispo de Viseu. Ou então uma versão radiofónica da Canção Nova.

Julho 27, 2003

A multiplicação da vida

Miguel Marujo

Sexta-feira, fim de tarde no Alentejo (junto à barragem de Odivelas). Uma celebração da vida - lembrando a Rita Wemans: «Enchamos tudo de futuros», continua ela a desafiar-nos todos os dias.

Julho 25, 2003

Mais uma conversa de comadres

Miguel Marujo

Boas férias ao Diogo - e, por extensão, à Inês e ao rebento que aí vem! [peço desculpa, Zé, por mais esta nêspera.]



Hoje, descobri uma referência elogiosa à nossa Cibertúlia por outros mares já por mim navegados (manias minhas de marujo!). Aí se diz que a «Cibertúlia recria um hábito antigo: o da tertúlia.» Como se vê, estas comadres despertam interesse por essa blogosfera, por aquilo mais ou menos sério que escrevemos. E, sinceramente, defendo-me: falar da demissão da administração do INE é questionar o exercício da coisa pública.



Ivan Nunes, referindo-se ao nosso mini-debate sobre a sua praia, confessa o seu erro no voto contra a constituição do Bloco. Ele, Ivan, que até se queixou publicamente de um amigo lhe ter dito que ele, Ivan, «de esquerda já não [é] muito».



Não sei se a proposta do Primo Galarza - ver postada anterior «ao Zé Manel, e a todos» - é de esquerda. Mas sei que algo é preciso fazer. Antes que se ponham todos à escuta, claro.

Julho 25, 2003

Penso eu de que...

Miguel Marujo

Uma opinião (entre muitas outras...) (A tradução que fiz é livre. Não propriamente muito exacta)

"Apesar de qualquer um poder iniciar um blog, existe claramente um anel de alguns há muito estabelecidos, que, para se manterem actuais, exige a manutenção frequente. Manutenção frequente é uma marca distintiva de um blog; outra é os "links" duplos, de forma que uma entrada simples como "Jen falou-me disto" terá um link para "Jen" ( que tem um blog chamado "Vinho e Vinagre") e "disto", que afinal não passa de um canivete suiço especial para "geeks". Não sei para que é que o mundo precisa de um canivete destes: pode-se perfeitamente montar um computador apenas com um canivete suiço normal. Mas, se se gosta de blogs, vamos querer esta ferramenta, cheia de chaves-de-fendas especiais. Para além disso é delicioso descobrir que Victorinox, a companhia que faz Canivetes Suiços do Exército, tem de facto um site, com imagens dos seus inumeros modelos.

[...]

Os Blogs nunca serão uma grande negócio nem tão pouco o futuro da internet. Mas apanho-me cada vez mais a visitá-los porque lá ainda se encontra a atitude educada, de espirito anarquista - muito como imagino as universidades medievais tenham sido, cheias de estudantes errantes - que inicialmente caracterizava a atmosfera natural da World Wide Web."

O artigo inteiro aqui.



O que tirei daqui? Um Blog é uma página da web, actualizada frequentemente, com conteudo (comentários, opiniões, relatos, links) pessoais/personalizados. O que me atrai nos blogs é isso: actualizações frequentes e conteudo personalizado. Quase que infantil muitas vezes, na forma como é escrito/apresentado. Sem grande necessidade de textos elaborados e preparados.

Achei interessante a caracterização de uma entrada de blog "fulano falou-me disto". Não lhes lembra algumas entradas aqui feitas? É uma coisa irresistivel nesta ferramenta...

De referir que este artigo é de 11 de Outubro de 1999.



Outra coisa. Parece-me que invariavelmente, a certo ponto na evolução do Blog, à tendência do(s) blogista(s) de olhar para o umbigo do blog e tentar perceber, "Para onde caminhar com isto?". Se num blog pessoal, se calhar, a opção é fácil de tomar, já num com vários intervenientes é mais dificil. Como é obvio neste cenário o estilo de post's é variado, o que poderá ser enriquecedor para alguns, soa a confusão para outros.



Parece-me estar para aqui a ensinar a missa ao pároco, ou pior a dizer que o Cavalo branco de napoleão é... branco, mas estou só a organizar o meu pensamento sobre a "posta" do Zé. (Um parentisis: O termo "posta" foi muito bem lembrado aqui pelo Nuno. Parece que estou a ver, num albergue de blog's exclusivamente português, a substituição do "Post & Publish" por "Publique-se a Posta". Não confundir com "Publique-se a Bosta").



Faltou aqui muita outra coisa que me passou pela cabeça mas como não tenho o dom da palavra... passou-se-me. Quero eu com este palavreado todo dizer:

1. Não desanimes Zé! Manda os teus mails de postas que eu gosto, e prometo reagir com pertinência... e sem piadas.

2. Boas férias Diogo. Eu só para Agosto... ainda faltam 2 semanas, 4 dias, 10 horas, 23 minutos, 6 segundos...

3. Grande Miguel. Grande ideia esta do Blog. Já repararam que o Miguel e a nossa comunidade foi referida no Abrupto? Daqui até nos tornarmos um dos Blog-referência na construção europeia de uma sociedade melhor vai só um passo... cada vez mais pequenino... ou não.

4. Nuno, e que tal uma jantarada qualquer dia, com a comunidade da Cibertulia, para atacarmos essas famosas Postas Mirandesas?

5. Resto do pessoal, vamos lá a participar. Será que é desta que cativamos participação feminina?



Velhos hábitos não se perdem por isso não resisto a...



Quatro mulheres católicas estavam a tomar café.

- O Meu filho é Padre. Sempre que entra numa sala as pessoas referem-se a ele por "Sr. Padre..." - disse a primeira.

- O Meu filho é Bispo. As pessoas costumam tratá-lo por "Excelência..." - disse a segunda.

- O Meu filho é Cardeal. Todos se referem a ele por "Eminência..." - disse a terceira.

A quarta manteve-se em silêncio.

- Então e o seu ? - Questionou uma das primeiras.

- O Meu filho é alto, musculado, um espanto. E para além disso é Striper. Sempre que entra numa sala as pessoas exclamam "Meu Deus...!"



Eia que isto hoje ficou enorme!!!

Julho 25, 2003

Ao Zé Manel, e a todos

Miguel Marujo

Obrigado pelas boas vindas.



Ora aqui vai uma propostazinha mais assim pró sério, política, para que a gente se desentenda.



Se o voto, aquele direito e dever cívico, o papelinho dobrado em quatro que vai para a urna, nos pertence a nós - cidadãos - então porque o entregamos quatro ou cinco anos nas mãos dos órgãos de Estado?



Proponho que se legisle no seguinte sentido:



Quando um cidadão quiser pode, junto da Comissão Nacional de Eleições - ou de organismo encarregue de tal - RETIRAR o seu voto. Isto é, pedir o voto de volta. É natural que, como o voto é secreto, nenhum partido sofre.



O que proponho é que quando DOIS TERÇOS dos eleitores votantes tiverem reclamado o seu voto de volta, seja obrigatório na CRP que o Presidente da República dissolva a Assembleia e se obriguem novas eleições.



Numa primeira fase basta que isto funcione para a AR. Depois, ir-se-ia alargando a outros órgãos de Estado.



Oiço vozes: «Que desgraça, os governos caiam todos ao fim de duas semanas, proposta de loucos, este gajo é maluco».



Mas a verdade é que a auto-responsabilização dos políticos teria de ser muito maior. E, convenço-me, o respeito pelos, dos e para com os políticos (e vice-versa para os cidadãos) seria muito maior. Julgo eu de que.

Julho 25, 2003

Subsídio de Férias

Miguel Marujo

Olá a todos!

Perante o lancinante apelo do Zé, não podia deixar passar o dia de hoje sem lançar uma posta... ainda por cima, porque hoje é o meu último dia de trabalho antes das duas semanas de férias da praxe.

Por isso mesmo, esta última semana foi de doidos - ser "chefe" também tem os seus inconvenientes! - e não tive tempo de escrever fosse o que fosse para este bolgue. Peço, por isso, desculpa aos meus camaradas de bloguice e aos meus leitores mais fiéis. No entanto, não passou sequer um dia sem que viesse cá ler as postas dos outros.

Ainda que entenda os anseios do Zé (fica prometido que, quando voltar de férias, regressarei ao tema da Globalização!), esse é também um dos serviços públicos prestado por este bolgue: reler os amigos, ver o mundo pelos seus olhos, ser alertado para situações que me haviam passado ao lado, conhecer coisas novas.

Se pudermos ir além disso, como pretende o Zé, contem comigo! Se não pudermos, paciência... contem comigo na mesma.

Entretanto, vão blogando! Eu vou hibernar durante quinze dias, mas prometo voltar cheio de postas e com vontade de ler as que forem sendo colocadas nas brasas!

Boas férias!

Julho 25, 2003

Digestão das nêsperas

Miguel Marujo

1. Como o Zé, gosto de nêsperas. E de croquetes, e de postas...



2. Mas acho que há mais do que simples pescadinhas de rabo na boca, nestes dias blogueiros. Há postas que vão para além da espuma dos blogues - basta experimentar e ler alguns dos textos que por aqui se escrevem ou citam. E os dias que se passeiam nesta Cibertúlia são pouco íntimos. Mesmo apontamentos breves de quem observa a Cidade (ver-julgar-agir).



3. Falar de outros blogues é um ponto de partida para discutir este mundo e o outro. Experimenta-se, por exemplo, o Abrupto - e é isso que lá está.



4. «Miacoutar» é, porventura, a mais importante contribuição dos últimos dez anos para o debate da globalização. Nasceu aqui: está na hora de o tornar acção.





PS - O Primo Galarza, como a Tatiana, é um camarada do jornal.

Julho 24, 2003

Nêsperas

Miguel Marujo

Não sei se é do calor que falta.

Mas esta coisa do blog, já me começa a fartar.

Parece uma pescadinha de rabo na boca em que toda a gente fala do vizinho do lado sem dizer muito do que quer que seja.

Parece uma conversa de comadres.

Afinal para que serve a coisa???

Se vamos construir um espaço de reflexão e debate muito bem estou "in".

Mas se isto vai no sentido de ser um diário intimo onde se escrevem umas larachas estou o mais "out" possível.

Efectivamente não há pachorra para andar a saltitar de questão em questão.

Continua a ser aquela velha questão do Ver/Julgar/Agir que os velhos emecês ainda se lembram.

Quando passamos ao Julgar ??? Se é que devemos passar.

Afinal o que se deve ou pode escrever aqui ???

Por questão do espaço que é e das pessoas que o formam não consigo de deixar de encarar a Cibertúlia como um espaço de "Educação para a Mudança".

Se calhar devia ir para os metanojas e não tentar fazer deste espaço uma coisa que não é a sua vocação.

Quando o Diogo começou a escrever sobre Globalização tive esperança.

Neste momento com pouca fé, espero a vossa caridade.



"Estava uma nêspera em cima de uma cama sem fazer nada ..."



Notas:



Bem vindo Primo Galarza não sei quem és mas estou contigo.

Tatiana, Por quem não esqueci.

Miguel desculpa o pessimismo.

Nuno as postas continuam nas brasas ou ficaram esquecidas.

Cadê as gajas !!! (tema recorrente da Cibertúlia)