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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Setembro 16, 2013

Da (falta de) memória de alguns

Miguel Marujo

«Fazendo um imenso esforço de simplificação que me parece pouco informativo das intenções do povo a nível nacional, enquanto José Sócrates foi líder do PS, pelas minhas contas, o PS perdeu duas eleições autárquicas (a menos que se contem só os votos que cada partido obteve isoladamente).
Por exemplo, como já aqui escrevi, em 2005, ano de maioria absoluta para as legislativas o PS perdeu as autárquicas. Como interpretar isto? E em 2009 PSD e CDS conseguiram mais votos nas autárquicas do que vieram a conseguir nas legislativas voltando a ganhar claramente em votos e mandatos.

E porque é agora tão "fácil" interpretar as próximas autárquicas sob um prisma nacional? É possível haver leituras nacionais? É, mas necessariamente pouco ambiciosas e (desconfio) de particularmente difíceis com a provável ascensão de um número inusitado de movimentos de cidadão. Muito raramente as autárquicas fizeram cair governos (Guterres foi um rara exceção e, até hoje, muito mal aceite por muitos dos seus camaradas de partido) ou fizeram até mudar de líder da oposição. Alguém que me ajude neste particular caso a memória me esteja a falhar...

Porquê esta chantagem emocional junto dos eleitores?
As autárquicas não são uma espécie de legislativas. Nunca foram. E contudo o sr Sócrates conclui uma semana em que se têm repetido os recados (são recados para dentro do PS, não são?) no mesmo sentido. Sócrates foi um pouco mais afoito e acabou de encher a barriga do epiteto de "ridículos" todos os que venham a decidir mais pela qualidade intrínseca dos seus autarcas do que pela política do governo ou a qualidade da oposição a nível nacional. Cada um sabe de si, mas no meu caso, devolvo-lhe a ofensa. Simplesmente ridículo simplificar de forma tão singela a leitura da noite que se segue.

P.S.: A concordância ou discordância face à atual direção do PS acaba por ser pouco relevante nesta matéria. Nem todos os fins justificam todos os meios. Not this time, not this way.
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Rui Cerdeira Branco
(no seu facebook, título nosso)