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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 28, 2013

Só sei que nada sei

Miguel Marujo




Faltou a única certeza que valia a Sócrates, José: citar Sócrates, o grego, para humildemente não querer ter a verdade toda. Mais do que Dante, era esse o exercício que se impunha. Se há verdade em muita coisa ali dita - e o caso das escutas e a forma como Cavaco lidou antes e depois com "os limites dos sacrifícios", por exemplo, são porventura o exemplo mais forte -, faltou o assomo da realidade, a assunção do erro, para que a narrativa (palavra tão bela, a partir desta noite proscrita) se tornasse mais verosímel, não apenas uma justificação cadenciada pela vitimização e omissão.

 

Notas soltas:

Sobre o PS, Sócrates dá uma na rosa e outra na ferradura, mas teve mais comedimento que muitos dos seus tenentes em ano e meio de liderança de Seguro. A seguir com atenção no comentário que aí vem, sobretudo quando o ex-líder se diz livre de qualquer ambição política, que não a de comentador.

Sobre o PEC IV, a queda do Governo e o pedido de ajuda, ficaram espaços por preencher. Por culpa de entrevistadores que pareciam mais preocupados em cilindrá-lo com perguntas, para ninguém os acusar de não terem colocado as questões todas, do que em ouvir respostas para explorar omissões, falhas, ideias. [E deve regressar-se a «Resgatados» para se perceber o que foram aqueles dias.]

Sobre Cavaco, sabemos como ele reagirá, não sabemos quando. Algures encostado a uma parede, à saída de uma empresa, o Presidente não esperará pelo próximo prefácio para responder às acusações, alimentando assim as intrigas que ele diz rejeitar, quando adora promovê-las.
 
[foto Orlando Almeida/Global Imagens]