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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 19, 2013

Franquelim. Não é criminoso que se diz

Miguel Marujo

Volto a Franquelim Alves, assentada a poeira, para responder aos que acham que aquilo foi uma cabala política, cavalgada naqueles dias. Muitos correram a desvalorizar os "pormenores" estranhos do seu currículo: a omissão da passagem pelo BPN e ter começado como "auditor" aos 16 anos. E o próprio secretário de Estado resolveu atirar-se aos críticos com duas ideias: 1) parece que é criminoso começar a trabalhar cedo; 2) ele assinalou a sua passagem pela SLN, alguém no Governo terá omitido. São duas ideias desmentidas pelos currículos do próprio. Vejamos.

 

1) não é crime nenhum começar a trabalhar-se cedo; só não é verdade que tenha começado a trabalhar aos "16 anos", como "auditor", menos ainda na empresa que diz ter sido.

 

O seu CV publicado no site da Universidade Católica, onde foi professor, diz que em «1971 iniciou a sua carreira na Ernst & Young Portugal». Mais, em «1970» teve o «primeiro emprego nas Fábricas Mendes Godinho (Tomar) que terminou ao deslocar-se para Lisboa para desenvolver os estudos académicos». No portal do Governo já conta outra história. Diz que «iniciou a sua carreira, em 1970, como auditor e consultor da empresa internacional Ernst & Young». Quem errou no ano? Não foram os jornalistas, foi Franquelim Alves que escreveu coisas diferentes.

 

Nas suas explicações ao DN e depois à RTP, onde abordou explicitamente o tema da idade, referiu-se ao facto de ter começado a trabalhar aos «16 anos», sem falar do ano. Ora: Franquelim Alves «nasceu em 16 de novembro de 1954». Fez 16 anos no final de 1970, pelo que é credível que tenha começado a trabalhar na empresa "Ernst & Young" aos 16 anos... mas em 1971, sim, como escreveu no seu primeiro perfil público.

 

Mais: a empresa não se chamava de facto Ernst & Young, porque esta só veio a existir muitos anos depois em Portugal, apesar da atual E&Y ter confirmado que sim Franquelim Alves trabalhou lá. Começou em 1970 ou 1971, aos 16 anos, a trabalhar na Barney Mayhew, que mais tarde seria comprada por outras empresas até chegar à atual Ernst & Young. Pormenores. (Eu comecei a trabalhar no Portugal Diário, jornal online do IOL, que hoje em dia é a TVI24.pt - e não mudei o meu CV por isso.)

 

E mais importante ainda: Franquelim Alves não começou em tão proveta idade como «auditor e consultor», como o apresenta erradamente o site do Governo. Terá sido «auditor júnior», esclareceu a Ernst & Young, sem explicar o que isso era, que descrição de funções tinha. Explicou o DN/Dinheiro Vivo: foi paquete, moço de recados.

 

Não é crime começar-se a trabalhar cedo, só não é bonito contar meias verdades ou omitir coisas.

 

2) Perante as primeiras notícias da omissão da passagem de Franquelim Alves pelo BPN (o gabinete do primeiro-ministro omitiu esta informação nas notas biográficas no dia em que anunciou os secretários de Estado), o governante afirmou no dia da tomada de posse que seria o próprio a escrever o CV. Mas se no perfil disponibilizado pelo Governo está lá que «entre janeiro e outubro de 2008, foi, a convite dos seus acionistas, administrador para a área não financeira da SLN com o objetivo de efetuar a reestruturação dos negócios não financeiros, nomeadamente saúde, hotelaria e retalho automóvel», também é verdade que no CV anterior da Católica, escrito por Franquelim como atesta o seu papel timbrado, esteve de «dezembro 2007 – outubro 2008» [e registe-se nova diferença de datas] como «CEO de um Grupo de participações sociais envolvendo as áreas da saúde, hotelaria, retalho automóvel e sistemas de informação».

Franquelim Alves não teve uma passagem criminosa pela SLN/BPN, mas omitiu deliberadamente esse facto num CV público. O problema não é a mania da perseguição de jornalistas, é apenas um problema com a verdade dos factos.

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