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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 22, 2012

Bastão é falta de educação

Miguel Marujo

 

1. Saí da Assembleia da República pelas 19h. Alguns manifestantes ainda por lá andavam, as televisões faziam diretos e reportagens, os polícias continuavam na escadaria. Como vinha do interior do edifício passei pelo passeio de cima, sem que fosse interpelado pelos polícias. No meio de agentes do corpo de intervenção, lá estavam os inevitáveis agentes à paisana, sem que se perceba porque insiste uma força policial de um país democrático colocar instigadores (não têm outro nome) no meio das manifs. A força da farda é sempre mais dissuasora, qualquer agente à paisana só lá está para provocar (desde as manifs das propinas que assim é, remember Cavaco-Dias Loureiro?!), como se viu em outubro e novembro, como se viu hoje.

 

2. No Chiado, nova carga policial (como houve em outubro e novembro). Na enxurrada de bastonadas, dois fotojornalistas foram agredidos (na foto). José Sena Goulão identificou-se como jornalista da Lusa, mas continuou a ser agredido. Também Patrícia Moreira, da AFP, o foi. A PSP emitiu um comunicado vergonhoso, em que não pede desculpas por nada e imputa aos jornalistas a responsabilidade por não terem coletes refletores a dizerem "press". Percebe-se: os animais da PSP precisam de coletes para distinguir em quem batem à vontade ou em que não podem bater.

 

3. Na PSP, os senhores deviam ser treinados para se conterem e saberem lidar com multidões. Os desordeiros (e só estes) devem ser manietados e detidos, sem mais uso da força que a necessária de um agente fardado. Sair a correr a distribuir bastonadas em tudo o que mexe é próprio de bandos de miseráveis e fracos.

 

4. Como podem esperar os sindicatos das polícias simpatias pelas suas causas, se não assumirem um discurso de rutura com esta prática criminosa de agentes da PSP?

 

5. No plenário do Parlamento, ironia das ironias, o PSD levou o tema da segurança para a sua declaração política. O argumentário foi o de sempre, invocando um país que não é inseguro (não é, mas eles e o CDS faziam outro discurso) e do muito que tem sido feito. Esqueceu-se o senhor deputado de dizer o óbvio: que a criminalidade baixa, quando as esquadras sem tinteiros ou papel não aceitam queixas (como na esquadra da Rua de São Paulo, em Lisboa, durante semanas a fio, por exemplo); ou que crimes violentos que têm acontecido não merecem um esgar de dor de um Paulo Portas sarkozyano que rasgava as vestes a cada bomba de gasolina assaltada.

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