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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 24, 2011

Da greve

Miguel Marujo

Escrevi há dias que em Portugal fazer greve no sector privado não se resolve com uma simples equação de se ser contra ou a favor. Hoje, mais do que nunca, a precariedade - a real, através dos contratos a termo ou recibos verdes, ou a insinuada, pela discricionariedade no despedimento (por cá, é fácil despedir no privado, ao contrário do que insistem patrões e governantes) - é um dado adicional a ter em conta. Não lhe chamo medo nem receio, prefiro anotar o facto, sem o valorar.

 

A greve geral deve ser geral porque o programa de austeridade não se circunscreve a quem é funcionário público, apesar de ser na administração do Estado que os trabalhadores são mais penalizados e castigados. Levam pela bitola do patrão: é mais fácil tirar quando se tem a faca e o queijo na mão, mudando as leis a seu belo prazer.

 

Cá em casa, um faz, outro não. Eu vou noticiar a greve, porque a função social do jornalista também é dar rosto e dimensão a notícias significativas para o País.

 

Em nota de rodapé: na véspera da greve, houve duas notícias que dizem muito sobre este cenário de greve. Uma, em que o ministro das Finanças diz que o tempo não é de conflitos - é uma escola cavaquista esta de achar que a política é o coro da igreja onde se devem dar todos bem e todos devem engolir o que é dito pelos iluminados. Outra, em que se soube que o ministro Álvaro e mais três secretários de Estado têm direito aos subsídio de alojamento (legal): um Governo que corta subsídios a quem ganha miseravelmente, mantém subsídios obscenos para os seus próprios governantes. É imoral.

 

 

[este blogue pára simbolicamente por 24 horas.]