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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 01, 2011

quase todos, santos: livros, mercados, igrejas

Miguel Marujo

A propósito do que será um livro menor, um secretariado da Igreja Católica emitiu uma violenta opinião sobre o dito romance. Obra de ficção, logo nas primeiras páginas plagia Dan Brown dizendo que o livro narra factos verídicos e apresenta a verdade sobre Jesus. A ficção não é a realidade, já deviam saber os escritores, mas talvez quando estes são jornalistas confundam grosseiramente as coisas e dão erros de palmatória (pondo João Paulo II no Vaticano em 1976) e pasmam-se com o óbvio (que Jesus era judeu).

 

Mas, dizia, um secretariado da Igreja (sublinho: um secretariado) veio criticar a coisa e logo uns quantos criticaram a Igreja (sublinho: a Igreja). Que não se devia meter com os livros, confundindo debate de ideias com queimas livrescas antigas, que não foram exclusivo de alguns (sublinho: alguns) na igreja. E parecendo querer cortar a cidadania da intervenção a quem, na matéria, pode e deve falar. É a mesma coisa nas coisas do sexo - a Igreja, dizem, devia ficar calada. Não se reconhece que, na igreja, haja quem possa e deva falar de sexo. É verdade que, na maior parte das vezes, quem é ouvido ou se faz ouvir é apenas um grupo de pessoas que dá uma imagem errada do que a Igreja pensa sobre o tema, esquecendo-se que a Igreja é sempre feita de muitas igrejas, até na cama. (Ámen.)

 

Depois sobra, neste dia de todos os santos, o espanto por ler em Alfredo Bruto da Costa o desassombro em dizer o óbvio: que muitos dos problemas que temos e vivemos se devem à impreparação dos patrões. O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (um organismo da Igreja, quase se omitindo a sua origem) clama contra uma coisa que muitos não têm coragem de verbalizar: o Orçamento que aí vem é um atentado à dignidade humana, um manifesto contra a vida. Felizmente pois que as igrejas dentro da Igreja não calam a sua voz. Pena que os bispos nesta ocasião se sumam, sem coragem de denunciar estas direitas no poder.