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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 04, 2011

Perguntas parvas

Miguel Marujo

A nova canção dos Deolinda, Parva que sou, é obviamente o hino de uma geração a quem roubam quase tudo - o emprego, o escasso ordenado que ganham... E que o Governo insiste em maltratar. Hoje, José Manuel Fernandes (JMF), antigo director do Público, pega nesta canção para dizer, na sua coluna de opinião no Público, "tudo o que espoliámos à 'geração sem remuneração'" - e acabar no ataque óbvio aos "direitos adquiridos" e na necessidade de mudar o sistema de pensões (as nossas, nunca a dele ou a dos presidentes que acumulam reformas). Também escreve JMF que "pagam-lhes [aos jovens] contra recibos verdes" ou (citando os Deolinda) "Já é uma sorte eu poder estagiar..."

 

Apetece apontar o dedo. Para lá do plural majestático do espoliámos, o acto de contrição de JMF é muito colectivo, nada individual. O registo típico dos Campos-e-Cunha-Medinas-Carreira-Vítores-Bento deste país.

 

E pergunta-se: nos longos anos em que JMF foi director do Público (com lugar na administração do jornal) quantos estagiários não remunerados empregou ele? Quantos jornalistas manteve ele a recibos verdes? Quantos jornalistas estagiários foram chutados ao fim de meses para voltar a empregar mais alguns sem remuneração? São perguntas parvas, já se vê. Mas a culpa é dele. Podia ter mudado alguma coisa, nunca o fez.

 

 

 

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