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Paulinho dos bancos

por Miguel Marujo, em 20.05.10

O Paulinho das Feiras está neste momento a atacar o "rendimento mínimo" (que ele próprio mudou para rendimento social de inserção), com as alegadas fraudes que aí existem. Claro que existem, mas são uma minoria imensa no bem que faz este auxílio. Nunca vi este paladino atacar com a mesma veemência os fraudulentos banqueiros e homens de negócio, até porque muitos deles são amiguinhos. Ele há coisas que nunca mudam.

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6 comentários

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De Carlos Braga a 20.05.2010 às 23:46

Nem mais....
Um outro partido da direita, o PSD, também parece andar muito preocupado com quem recebe o subsídio de desemprego (esses malandros!), como se o dito subsídio se tratasse de uma esmola do Estado e não de um direito. Estes são dos que pensam que os trabalhadores só têm deveres/obrigações. Sinceramente...
Um abraço!
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De Zé da Burra o Alentejano a 22.05.2010 às 15:38

Tenho pena mas parece-me que há um mal entendido: falou em "Rendimento mínimo" e não em "Subsídio de desemprego", esse sim é que não é nenhuma esmola mas um direito adquirido por via dos descontos feitos, por vezes durante vinte, trinta ou mais anos. Há que confunda tudo e meta tudo no "mesmo saco" o que me parece incorrecto.
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De Carlos Braga a 22.05.2010 às 18:52

O que pretendi apenas foi salientar que a direita está muito preocupada com os subsídios de índole social, seja o "rendimento social de inserção" seja o "subsídio de desemprego". Acho que se deviam preocupar com outras coisas bem mais graves.
Cumprimentos
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De HG a 25.05.2010 às 14:53

Como sabe que se trata de uma "minoria imensa"? Anda pelo terreno a fazer estudo e inquéritos? Convive com muitas pessoas que recebem esse subsídio? Costuma ir aos bairros sociais periféricos de Lisboa e Porto? Tem ido às zonas mais pobres dos Açores? Tem contactos privilegiados na Segurança Social? Gosto deste tipo de certezas, baseadas mais em convicções confortavelmente defendidas atrás do monitor de um pc do que em factos reais.
Eu também não ando no terreno, por isso não me atrevo a apresentar "estatísticas". Mas já tomei conhecimento de vários casos em concreto e por isso duvido que seja uma "minoria imensa". Aliás, nem é de meras fraudes de que se fala só, é também de casos que até podem estar dentro do âmbito legal, mas que não podem absolver os beneficiários em termos éticos e morais. O relato do meu pai quando trabalhou uns meses nos Açores impressionou-me: A história do dono de um restaurante que oferecia emprego há vários meses e que toda a gente recusava, por preferir receber tal subsídio em vez de trabalhar mesmo por mais dinheiro. Muitos desses passavam o dia no café da frente a beber cerveja. Ou o caso dos meus tios que têm uma pastelaria no Algarve e têm constantemente pessoas a pedir que lhes deêm o carimbo para continuarem a receber do fundo. E andam meses nisto. Ou o caso do local onde trabalho em que há muito tempo se procura uma telefonista e onde a resposta mais comum dos "candidatos" é não quererem tal emprego por preferirem o subsídio ou então, em modo chico-esperto, fazem a proposta de recber por fora, mantendo o subsídio de desemprego.
É claro que isto é grave - achar o contrário é ser irresponsável - e não deveria ser apenas bandeira da direita. Pode não ser por aí que nos afundamos no défice, claro, mas não é importante que todos demos o nosso contributo para uma mudança de mentalidades, comportamentos e filosofias de vida por forma a termos um futuro melhor como país. Desde o mais pobre ao mais poderoso. Ser condescendente, fechar os olhos só pior tudo. E a esquerda é especialista nisso.
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De Miguel Marujo a 25.05.2010 às 16:43

Nada do que conta é grave, são exemplos de algibeira que vêm sempre à baila, inclusive na boca de Paulo Portas, mas não são graves - a dimensão financeira das supostas fraudes do RSI são uma minoria imensa comparado com o bem que fazem, insisto. E dos exemplos que dá apetece perguntar quanto pagavam esse restaurante e café. Em Dezembro de 2007, por família, o valor médio da prestação foi de 220,72 euros. Duvido que a maioria queira viver com esta verba em vez de ganhar um salário mínimo (era isso que ofereciam, pelo menos, não?). E não ando no terreno, mas leio muito sobre quem anda e entrevistei quem o faça, muito diferente de ouvir essas histórias.

E acho graça que neste país só se é condescendente com os poderosos, banqueiros e afins.
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De HG a 25.05.2010 às 17:30

Lá está, eu vejo a gravidade não puramente em termos da dimensão financeira, vejo-o também, e muito, pelo lado da ética e da responsabilidade de cada um. Se não acha grave que haja quem se aproveite (registo que ainda fale em "supostas"), não sei que lhe diga. No caso do café dos meus tios é mais do que o salário mínimo e sei que nesse caso relatado pelo meu pai o valor era bem superior ao do RS e, por incrível que possa parecer, há quem prefira ganher menos em vez de ter a responsabilidade e a prisão de um emprego (sempre se fazem uns biscates de vez em quando para acrescentar mais uns trocos). Até lhe dou mais um exemplo: um rapaz que conheci no âmbito da minha actividade profissional encontrava-se no desemprego há quase dois anos e até já tinha terminado de receber o subsídio. Como trabalhava com um tio de vez em quando não se preocupava em procurar emprego. Até ao dia em que apertado por problemas com a Justiça e aconselhado a encontrar um trabalho certo, demorou nem dois meses até arranjar um e com contrato. Feliz coincidência, dirá você.

O subsídio de desemprego é um direito que a pessoa exerce por ter feito os devidos descontos, isso não se pode discutir, nem isso pode estar em causa. Mas tal não implica que se desonere a pessoa de procurar ou tentar o máximo que puder para arranjar nova ocupação. Cada caso é um caso, há quem viva desesperado no desemprego, há quem prefira viver de expedientes. Nem todos são preguiçosos, das mesma forma que nem todos são vítimas indefesas das circunstâncias da vida. É assim tão dificil de ver as coisas desta forma?

Quanto à condescendência com os banqueiros, não sei bem onde quer chegar. Pô-los todos na prisão? Mandá-los para trabalhos forçados? Entregar os destinos de bancos e empresas aos trabalhadores? Pedir-lhes metade do que ganham por mês para caridade? Se me estiver a falar de um aumento da tributação dos lucros da banca, até aceito, embora tivesse que perceber as consequências de tal decisão nestes tempos em que a concessão de crédito a famílias e empresas é cada vez mais restrita. Mal ou bem, esses "poderosos" têm um papel fundamental na economia, criam postos de trabalho, permitem que outras empresas também se expandam na sua actividade. Mal ou bem, são os lucros da banca ou das empresas que os consolidam e os tornam competitivos no mercado nacional ou global e a economia só ganha com isso. Claro que me custa aceitar que isso se possa fazer à custa de salários baixos, horários de trabalho alargados e condições de trabalho medíocres. Claro que me custa que se recebam vencimentos e prémios obscenos à custa disso, pior ainda em empresas com capitais públicos (aliás, não vi muita condescendência com Mexia quando se soube dos seus regalos na EDP). Mas isso acontece em todas as empresas sem excepção ou só em algumas? Ou aqui a suas estatísticas pendem mais para generalizar e achar que os maus empresários são a imensa maioria?

Que eu saiba já está pelo menos um banqueiro em prisão preventiva por estar acusado de crimes, por aí não há condescendência. Condescendência não vi por parte do CDS (já que fala de Paulo Portas) no malfadado caso BPN. Lembra-se do trabalho do deputado Nuno Melo na comissão de inquérito, elogiado até pelos colegas da esquerda? Ainda há dias ouvi Paulo Portas denunciar o abuso que é haver cerca de 2 mil gestores públicos num país tão pequeno. Ou serão esses gestores uns pobrezinhos e desfavorecidos?

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