Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 26, 2010

Tesourinha deprimente

Miguel Marujo

A senhora agarrou-se à tesoura, suspendendo-se do que ali se discutia. Aquilo nunca foi para ela, aturar a maralha, e os comicieiros que queriam pão e vinho, mesmo que só lhes dessem água. Agarrada à tesoura, com saudades de poder cortar a eito, desbaratar a educação e as finanças, como tinha feito no tempo em que o seu amigo mandava, mas em poder absoluto sem cuidar dos que ficavam para trás. Entretida, a cortar papelinhos, agora dizia poder fazer o discurso do eu bem avisei esquecendo-se quando nos trouxe as suas péssimas políticas.

 

A tesoura, a mão, o rosto: está tudo aqui. Na foto de uma mulher que desgovernou o partido como antes não tinha sabido nunca governar para o país. Qual é a surpresa de tantos que pularam agora do barco? Nunca a tinham visto de tesoura? Já. Só que se chamava orçamento. Suspende-se hoje, sem saudade.