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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 18, 2010

Famílias

Miguel Marujo

«Por que razão se há-de impor dogmaticamente que o casamento se estabelece entre duas pessoas?! Por que não entre três?», pergunta no Público um tal de Gonçalo Portocarrero de Almada, que responde por ser "licenciado em Direito e doutorado em Filosofia" e "vice-presidente da Conferederação Nacional das Associações de Família".

 

A minha dúvida instala-se quando olho para a foto: usa cabeção. O senhor será portanto padre. Mas esconde no seu currículo a sua "profissão". E diz-se membro de uma associação de famílias, um senhor que jurou castidade e que de família não saberá o que é, a não ser aquela em que ele já nasceu. Não casou, não se juntou a ninguém, não constituiu família, não teve filhos, fez uma opção - que não está em causa. Mas, por isso, pergunto: que lhe interessa a ele o casamento gay? Nada.

 

(Recuso-me comentar as aberrações em que o senhor teoriza sobre a possibilidade de casamento com animais. O vómito e o asco têm limites.)

7 comentários

  • Sem imagem de perfil

    margarete

    20.01.10

    desculpe a insistência, mas...
    não compreendo a necessidade dos requisitos para opinar acerca de determinado assunto
    requisitos para afiançar legitimidade?
    seguindo essa premissa: um educador de infância sem filhos é um educador "menos legítimo"?; um psicólogo que não tenha vivenciado determinada situação é menos legítimo para opinar/orientar?; ... Um padre, é tb - por definição/reconhecimento da ICAR um orientador/educador da família, segundo a instituição ele terá formação para tal (pondo de lado, então, o assunto "vivência/experiência pessoal")

    li o seu post quando comentei a 1ª x
    sabe, para quem não é católica (sou mm ateia), faz-me alguma confusão a indignação constante com regras e leis que são tão próprias e permanentes na ICAR
    são assuntos que eu percebo que não podem "evoluir com os tempos" (alguns sim, vejo a possibilidade de evolução sem ir contra a lei católica), fazem parte da estrutura da igreja, da forma como usa a biblia
    se eu quiser respeitar a ICAR e a sua lei, percebo como é possível o tal bispo dizer barbaridades à luz das bem aventuranças, percebo a proibição do uso de contraceptivos (nomeadamente o preservativo), etc

    respeito as pessoas e a sua espiritualidade, não respeito a ICAR (nem outras igrejas/religiões)
    compreendo que "quem quiser ser sócio" tem de perceber e aceitar certas regras como base, sendo imutáveis
    acho óptimo que as pessoas procurem diálogo nas suas igrejas e deixem as suas opiniões, e até que denunciem
    mas é só isso, porque sei que "eles" encontram sempre justificações...
    nunca fico espantada com declarações e artigos
    por mais fiéis que percam, há coisas que não podem mudar à medida do freguês só porque são tempos pobres em espiritualidade (seja lá o que isso for...)
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    Miguel Marujo

    20.01.10

    Pois, Margarete, por mais pobres que sejam, não acho nada disso: a minha obediência à Igreja Católica é à fidelidade do Evangelho, não a regras humanas impostas por alguns, ao longo de séculos, por isso não tem nada a ver com vontades dos fregueses. Agora: a própria Igreja Católica define que cada fiel tem os seus carismas e cada um é chamado a responder nas suas funções e serviços. É nisto que o Vaticano assenta a não ordenação das mulheres, por exemplo. O carisma de um padre é um, o dos leigos é outro. Daí, insisto: assiste-me mais legitimidade o tema família do que ao sr. Almada. O que não quer dizer que ele não tenha opinião. Tem-na, mas como bem se depreende da leitura do texto não perebe nada de família e de viver em família.
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    margarete

    20.01.10

    eu acho que tudo o que é religião é humano :) mas isso é outro campeonato

    ser-se da ICAR é ser-se das regras dela, para se ser outra coisa diferente será então "apenas" cristão

    eu acho esse padre e todos os artigos dele que li até hoje absolutamente ridículos

    a conversa é como as cerejas... os meus comentários são mesmo por causa disto "Daí, insisto: assiste-me mais legitimidade o tema família do que ao sr. Almada. O que não quer dizer que ele não tenha opinião. Tem-na, mas como bem se depreende da leitura do texto não percebe nada de família e de viver em família." independentemente do texto ser uma idiotice pegada, volto a pegar nisto:
    seguindo essa premissa: um educador de infância sem filhos é um educador "menos legítimo"?; um psicólogo que não tenha vivenciado determinada situação é menos legítimo para opinar/orientar?
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    Miguel Marujo

    20.01.10

    Insisto eu: «mas isso é outro campeonato ser-se da ICAR é ser-se das regras dela, para se ser outra coisa diferente será então "apenas" cristão» - isto é uma concepção errada do que é ser-se cristão ou católico.
  • Sem imagem de perfil

    margarete

    20.01.10

    ok

    e a premissa da legitimidade?
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    Miguel Marujo

    20.01.10

    falei-lhe dos carismas de cada um na Igreja; e mantenho: tenho mais legitimidade para. A educadora não é comparável: ela estuda para isso.
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