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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 10, 2009

Casados

Miguel Marujo

Jorge Colombo

 

Vale de pouco neste momento vir falar com serenidade do casamento. A instituição está em baixo de forma - divórcios disparam, o civil é preferido ao religioso, há anos que se fala em porquês. Mas ao mínimo movimento para alargar o casamento aos gays, cai o carmo e a trindade, e saltam os do costume com os costumes. Esquecem-se que o amor importa - hoje João César das Neves diz, no i, que o casamento não tem nada a ver com o amor, numa clara inversão do que deve ser entendido o casamento por um cristão, mas há muito que eu duvido que este senhor o seja. Ao importar o amor, pouco me importa se se casam elas com eles, eles com eles ou elas e elas. Vejo todos os dias, como ontem à noite ao jantar, testemunhos suficientes do que é importante - o mesmo na educação dos filhos.

 

 

(Retomo sobre o comportamento e palavras dos bispos, partes de um texto do MCE, de 1993, que infelizmente para nós permanece demasiado actual:
 

«[...] Ao Magistério caberia, segundo pensamos, enquanto autoridade fundamental no interior da Igreja, apontar caminhos, valores, princípios gerais de orientação do comportamento dos Homens. No entanto, não é a isto que estamos habituados no domínio da Moral Sexual. Aqui, regra geral, confrontamo-nos com um discurso sabre aspectos particulares e questões pontuais, com pretensões de universalidade, perenidade e de quase infalibilidade, dificultando o acesso aos valores e princípios que diz pretender afirmar. Não raras vezes este discurso é baseado numa assim chamada sabedoria do humano supostamente detida pela Igreja sem nos revelar a sua fundamentação.

Denunciamos então a validade de um discurso que não assume as suas próprias historicidades e circunstancialidades e que esquece as contribuições para um melhor conhecimento do Homem trazidas quer pelas ciências humanas e biológicas quer pela experiência dos cristãos leigos, sempre que estas ameaçam pô-lo em causa. A inoperacionalidade deste discurso oficial da Igreja advém da sua desarticulação com o real e portanto da sua inaplicabilidade. Resulta daqui a sua ausência de credibilidade tanto junto da comunidade cristã como perante a sociedade em geral. [...]».)