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Alta velocidade

por Miguel Marujo, em 15.07.05
Já percebi: meti-me com a vaca sagrada. Há umas assim (Medina Carreira, claro, Pulido Valente, António Barreto, ...). E logo os meus bons amigos Pedro - bem-regressado, pá! - e José me deram pancada da valente. Por causa do TGV, nem tanto por causa do Medina. Por falta de tempo para apanhar, hoje, o comboio da discussão deixo aqui uma citação de um post de jmf, sobre
Os milhões, lá fora
«Em França: 67 pôles de compétitivité pour dessiner une nouvelle France industrielle. Le gouvernement a rendu publique, mardi 12 juillet, à l'issue du Comité interministériel d'aménagement du territoire (CIADT), la liste très attendue de ces projets. Réunissant entreprises, chercheurs, centres de formation, ils recevront une dotation de 1,5 milliard d'euros sur trois ans.
Em Espanha: El Plan Estratégico de infraestructuras y transporte. Zapatero promete unir todas las capitales de provincia por AVE y autovía en 2020
Pá, assim de repente, foi o que se arranjou - e até me parece pertinente! Depois apanho o comboio, ok?

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3 comentários

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De josé a 15.07.2005 às 17:13

É pá, não te zangues connosco...mas hoje puseste-te na mira e eu aproveito!
Então o Medina Carreira é uma vaca sagrada? Pois não deve haver vaca mais desprezada e ignorada em toda a margem direita do Ganges! O homem fala no mesmo há 15 anos e só agora que a coisa tá mesmo mal é que os media lhe dão um pouco de atenção. Lembras-te quando o Sousa Franco lhe encomendou uma reforma tributária, que ele preparou com esmero, que mexia em tudo: património, mais-valias bolsísticas, off-shores, IVA bancário, inversão de ónus probatório, sigilo bancario, tudo? Foi um alvoroço do caraças com os bancos, patrões, multinacionais, profissões liberais, todos à uma a cascar nos velhotes (ele e o Sousa Franco, coitado). E mal o ministro se foi embora, substituído pelo "cardeal" Pina Moura ficou tudo em águas de bacalhau sem darem cavaco ao homem. 10 meses depois de esperar por uma audiência clarificadora com esse suavíssimo homem de consensos que se intitulava 1ºministro, o velho Medina, o "rezingão" como lhe chamava o JCoelho, bate com a porta e rasga o cartão do PS de que sempre fora membro e cai no ostracismo, ignorado pelo povo e gozado pelos media.
Agora quanto aos exemplos que deste.
Olha que aquilo dos franceses não é bem um TGV nem estradas nem aeroportos, muito longe disso. São pólos empresariais: «C'est la combinaison, sur un même territoire, d'entreprises, de centres de formation et d'unités de recherche publiques et privées pour des projets communs de développement et d'innovation.» É assim uma coisa ao estilo daquilo em que os irlandeses e finlandeses apostaram, prejudicado embora pelo estilo franciú com que a coisa é feita: muita retórica e muito Estado à mistura, mas sempre deve ter mais retorno do que um comboio a assapar a 300 à hora...
Quanto a Espanha, aí sim, é de TGV´s que os homens estão a falar, e à grandex, sim senhor. E também de autoestradas a perder de vista. E como “El Gobierno va a crear una sociedad estatal para favorecer la financiación privada.”, cheira-me daqui a SCUT´s. As boas ideias são para copiar…Estavam na Moncloa “más de 100 invitados -con lo más selecto del mundo empresarial”, certamente salivando-se perante tão enorme petisco.
Porém, devo talvez lembrar-te que Espanha ‘es algo inteiramente diverso, por supesto’... Lá não há défice, há crescimento económico, o investimento aumenta brutalmente, as empresas espanholas tornam-se colossos a nível mundial, qualquer dia temos o Zapatero no G8 ou G9 a apanhar huevos da malta anti-tudo. Nem te sei bem explicar como foi isso. Lembro-me apenas que quando o Guterres andava por cá a cavalgar a crista da prosperidade económica, gastando ele e nós todos à tripa-fôrra, o que tínhamos e não tínhamos, os espanhóis tinham por lá um gajo arrogante e antipático, um gajo de bigodes que se queimou parece que por ser mentiroso, a aproveitar o crescimento económico para investir na racionalização da Administração Pública, nos incentivos ao investimento empresarial e à exportação, política contra-cíclicas como eles dizem...
E agora que o mundo está complicado os gajos tem a casa arrumadinha e se a economia abranda um pouco eles tem dinheiro no bolso para pôr o Estado a dar um empurrão.
Nós não, fizemos tudo ao contrário. E o Medina, essa vaca como lhe chamas andou anos e anos a mugir sem que ninguém o ouvisse.
Azar nítido...
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De Pedro Dias a 16.07.2005 às 14:00

Para mim já há poucas coisas sagradas (e as vacas não são, definitivamente, uma delas), mas acredito no debate democrático, seja nas cadeiras do Parlamento, nas páginas de um jornal ou no balcão de um café. Uma discussão vital para o país como esta, deve ser extensivamente debatida, para que o processo de tomada de decisão esteja assente em bases sólidas, sejam técnicas, económicas ou sociais e sem estarem descontextualizadas da realidade do país. E a questão é que a realidade da França e da Espanha são bastante diferentes da nossa! Como disse o José, em França este investimento está enquadrado na criação de pólos empresariais, ou ainda melhor, pólos de desenvolvimento, (écosystèmes de croissance") conjugando Investigação e Desenvolvimento, pública e privada (alguém sabe o que é isto em Portugal? – as empresas pouco, as universidades ainda menos), juntamente com capacidade empresarial (de base industrial, que tão pouco conhecemos muito), para gerar clusters (lembram-se do relatório do Porter? – o Michael, não o Harry) distribuídos pelo Território francês (e friso, distribuídos pelo território), pelo que o TGV, juntamente com vias rodoviárias e aéreas (ou não estivesse o chefão da Air France por trás do projecto) são essenciais para aproximar estes ecossistemas ("dans un territoire rapproché"). E esta é uma questão fulcral: para que queremos o TGV? Passageiros, mercadorias? E vamos ligar o quê? Sim, porque entre o TGV e a Ota, já ninguém fala do porto de águas profundas em Setúbal ou da rentabilização do Alqueva. Tenho cada vez mais dificuldades em ver este investimento como prioritário e dou um exemplo simples: as indústrias do Ave enviam mercadorias para Aveiro (+/- 120 Kms.) porque o acesso ao porto de Leixões está congestionado e o de Viana (+/- 60 Kms) não é alternativa aceite porque não há ligação rodoviária (já para nem dizer ferroviária) decente. Será de um TGV que precisamos? Para terminar, em Espanha a situação é ainda mais distinta da nossa, já que a ligação entre as capitais de província (e mais uma vez fala-se de ligações rodo-ferroviárias) são mais que um imperativo económico, um imperativo político… E NB: “Su filosofía es cambiar el actual modelo radial por un sistema de malla, de forma que un ciudadano que viaje de norte a sur o de este a oeste de la Península no tenga casi necesariamente que pasar por Madrid como ocurre ahora.” A atalho de foice, as distâncias que queremos ligar por TGV em Portugal são ridículas quando comparadas com França ou Espanha.

PS: Caro José, se me permites, assino por baixo os teus comentários sobre o Medina Carreira.
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De Miguel Marujo a 16.07.2005 às 18:27

Mantenham-se amigos à espera da minha contribuição, sobre TGV. Por enquanto, como ainda não saí da automotora, apenas lembro ao José que não foi apenas o senhor Aznar a fazer milagres (se os fez...). Já nos tempos de Cavaco, Espanha tinha Felipe que lhe ensinava como se faziam AVEs e autopistas autovías com e sem peaje. Scuts não é coisa mau, pois então... Mas isso é para outras "estradas".

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