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Era “daquelas pessoas, infelizmente raras, que não necessitam de provar nada a ninguém ou demonstrar a terceiros o que quer que seja. Basta-lhes ser o que são”. António Araújo, jurista, historiador e consultor do Presidente da República, não poupou nos elogios a Miguel Galvão Teles, que morreu na madrugada de ontem, aos 75 anos, por problemas cardiovasculares. Num texto publicado no seu blogue Malomil, dele disse ser il miglior fabbro, o melhor criador: “O essencial do que era nunca caberá numa entrada de dicionário”, escreveu.
Miguel Galvão Teles, nascido no Porto, era advogado, recebeu em 2006 um prémio internacional de advocacia, que muitos dizem ser o Óscar dos advogados. Sportinguista irredutível, militante do PS, foi conselheiro de Estado, mas não exerceu cargos de poder (“fiquei vacinado com o que se passou com o meu pai”, que foi ministro no Estado Novo) e nunca acreditou muito na Europa.
Do 11.º andar do seu escritório de advogados na Rua Castilho, no centro de Lisboa - o Olimpo como lhe chamava e onde estava “por ser velho” -, olhava para o que se estava a passar e assustava-se. Era o mês de novembro de 2012 e a troika já cá estava instalada. Então, em entrevista ao jornal i, confessava que não conseguia perceber o que se estava a passar no país. “E o que não entendo assusta-me.”
Dedicou-se ao direito constitucional, recusava intransigentemente a pena de morte e atravessou-se no caminho de Timor-Leste e na sua longa luta pela independência. “Foi o caso mais apaixonante que tive na vida”, dizia ao Expresso em 2006. “Não foi só o processo, foi tudo o que se passou depois até ao dia da independência.”
Na mensagem de condolências à família, o primeiro-ministro disse que Galvão Teles “tinha a força e a integridade dos homens livres”, tendo empenhado “o seu talento e convicção em inúmeras causas cívicas e nacionais, como aconteceu com a defesa paciente e determinada da independência de Timor-Leste”.
Passos Coelho lembrou que o advogado “deixa uma marca profunda pelo contributo que deu para a consolidação da democracia em Portugal, para a robustez das nossas instituições públicas e para a afirmação do Estado de direito”.
Também o Presidente da República tinha recordado estes factos, na sua mensagem de condolências que endereçou à família, ao notar o “contributo essencial para a consolidação da democracia portuguesa e, mais tarde, para a defesa da causa de Timor no plano internacional”.
Cavaco Silva acrescentou ao elogio a condição de “jurista brilhante, dos mais notáveis da sua geração”, que “sempre se destacou pelo seu profundo amor à liberdade e pela integridade do seu carácter”.
A rematar a sua mensagem, o Chefe do Estado apontou que “à inteligência aliou uma afabilidade de trato que para sempre ficará inscrita na memória de todos quantos tiveram o privilégio de o conhecer”. Ou, como sublinhou ainda António Araújo, tratava-se de “um espírito livre e aberto, um exemplo de tolerância, capaz de falar com todos, mesmo sendo melhor do que todos. O melhor, em tudo: na inteligência e na humildade, na simpatia imensa e na discrição dos grandes”.
Araújo escreveu uma nota biográfica de Galvão Teles para um dicionário do 25 de Abril, o tal em que não cabe o “essencial” deste homem. Naquela entrada estava “a sua vida pública, toda, em algumas dezenas de linhas, com o que de mais importante fez - e foi muito”.

A admiração do pai pelo vizinho de baixo

Nasceu no Porto, na Foz do Douro, era Miguel por causa do rei D. Miguel, uma tradição de uma família conservadora que punha esse no-me aos filhos mais velhos. Na infância, a prioridade “era jogar à bola”, “até em casa, fosse no quarto ou no corredor”. Nestas quatro linhas, “eram umas futeboladas memoráveis”, contava, humorado, à revista Visão, também em 2006. Tão memoráveis que o pai de Miguel até dizia “que a pessoa que mais admirava” era o “vizinho do andar de baixo”.
No Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, conheceu Jorge Sampaio, de quem ficou grande amigo e a quem fintava facilmente nos jogos do campo da Cascalheira. Sampaio “tinha poucos rins” e “não fazia faltas”. Na equipa adversária jogava Francisco Pinto Balsemão, como defesa-central, “e que nunca sujava as botas”.
Rompeu com a fé católica em que cresceu, uma coisa “racional” aos 20 e tal anos. Mas a religião ainda fez muito tempo parte da vida do jovem Miguel, tendo militado na Juventude Universitária Católica (JUC), viveiro de muitos que deram o salto para a política.
Galvão Teles também passou pela política. Logo depois do 25 de Abril, fez o anteprojeto do primeiro diploma constitucional. Aderiu ao PS, mas saiu do partido quando foi convidado para o Conselho de Estado em 1982 por Ramalho Eanes. Só voltaria na liderança socialista de Ferro Rodrigues.
Juntou-se ainda a Ramalho Eanes na fundação do PRD, em 1985, apesar de nunca ter sido “especialmente entusiasta” do projeto renovador. “Aquele era o caminho do general Eanes e eu segui-o”, explicou à Visão.
A disciplina partidária nunca funcionou com ele. Afinal, foi discípulo e assistente de Marcelo Caetano, na faculdade. “Quando ele me convidou, disse-lhe logo que era democrata e socialista. ‘Isso passa-te’, respondeu ele.”
Não passou. Nem as suas convicções. Em 2006 dizia, na referida entrevista, que era “preciso não vender a alma e ser capaz de dizer ‘isto eu não faço!’”. Anos mais tarde, completaria, nas respostas ao i, que jamais defenderia “um pedófilo”. “É o pior de tudo.”
Miguel Galvão Teles era membro do Tribunal Permanente de Arbitragem, em Haia. De 1995 a 2006, nas lideranças de Pedro Santana Lopes, José Roquette, Dias da Cunha e Filipe Soares Franco, dirigiu a mesa da assembleia geral do Sporting. Este lado tirava-lhe prazer de ver os jogos. “Sofre-se é horrorosamente mais com uma derrota, porque começamos a pensar no dinheiro que o clube perde e no desgaste das direções”, confessou em 2006.
Dizia ter uma vida confortável, mas continuava a apreciar mais um livro do que outros bens materiais. “Não tenho pachorra para ostentações e fujo do jet set a sete pés. Prefiro o meu refúgio de Azeitão.”
Já tinha passado por dois aneurismas, “felizmente, nenhum deles cerebral”, e “muita coisa” mudou então. “Além de ter mandado o tabaco à vida, acabei com a minha noção de ausência de limites. Até aí, se eu quisesse, o dia tinha 30 horas.” Ontem, a morte impôs-lhe outro limite.

[obituário publicado no Diário de Notícias, de sábado, 24 de janeiro de 2015; foto Global Imagens]

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do á-dê-éne

por Miguel Marujo, em 24.01.15

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«Há limites para a liberdade de expressão? Depois dos ataques terroristas em França a pergunta voltou a correr mundo e a despertar debates. O programa "Uma Questão de ADN" da TSF junta dois irmãos que são jornalistas e católicos. Como é que eles escutaram a mensagem do Papa Francisco e as críticas que se seguiram. Como é que a religião os tem ajudado ao longo da vida. António Marujo está desempregado. Foi despedido há dois anos do jornal Público onde estava desde a fundação. Miguel Marujo também já viveu o drama do desemprego, trabalha actualmente no Diário de Notícias.»

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Dos feriados suspensos

por Miguel Marujo, em 15.01.15

Hoje discute-se no Parlamento a reposição dos feriados, provavelmente a medida mais parva que este Governo aprovou na euforia "reformista" do ministro Álvaro. Três anos depois, a pergunta a fazer é: o que ganhou em produtividade o país? Nada, antecipo. E o que perdeu em receitas internas no turismo (esse novo maná governamental)? Muito, basta fazer as contas. No deve e haver, insistir na supressão não é ideológico, é apenas parvo.

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do perdão, cheio de humor

por Miguel Marujo, em 13.01.15

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[a capa]

por Miguel Marujo, em 08.01.15

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[A capa deste dia, para mim, modéstia à parte por pertencer a esta equipa, é esta. Como a da morte de Nelson Mandela foi a do Público. Ou como a do DN poderia ter sido "a" capa, na resignação de Bento XVI, tivesse havido o rasgo que houve hoje para esta abordagem keep it simple. Prova que a imprensa portuguesa está ao nível dos melhores. Houvesse outros meios e mais leitores.]

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