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[confiar]

por Miguel Marujo, em 25.08.14


[Ser Amigo, de Arianna Papini, ed. Kalandraka]

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Nem para um banco de citações o senhor serve

por Miguel Marujo, em 15.08.14

Anda tudo a dizer que Ricardo Salgado citou o Papa, mas ninguém cuidou de saber que texto era esse - e confirmar a fonte (ou aceita-se acriticamente tudo o que o ex-dono-disto-tudo diz?!). O Rui Almeida, no seu facebook, pôs os pontos nos is:

 

"Ricardo Salgado terá tentado citar o Papa na entrevista que deu. Acontece que as três frases dadas como sendo de Francisco («Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade»; «Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens»; «não chores pelos que te abandonaram e luta pelos que estão contigo») são de um texto apócrifo, com a suposta autoria já há muito desmentida.
Pelos vistos, já nem para um banco de citações o senhor serve..."

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Anybody got a match? Thanks.

por Miguel Marujo, em 13.08.14


- Lauren Bacall, Dies at 89.
[in To Have and Have Not]

Podia trazer aqui a memória de como construí a minha memória cinéfila, numa cidade onde o cinema era escasso: graças a um serviço público de televisão que aos sábados à tarde nos dava índios e cowboys, que nem suspeitávamos serem clássicos de John Ford ou John Huston, porque para nós eram apenas divertimento puro, e que nem estranhávamos no preto e branco numa infância de televisor a preto e branco. Ou aos dias de semana, com cinema às 21, 21.30, no canal 1 ou no 2, sem necessidade de cortar no sono o que nos cativava. Como Casablanca, ou este To Have and Have Not. Por isso na minha galeria também incluo Lauren Bacall, Ava Gardner, Greta Garbo, Marilyn Monroe, Gene Tierney, sem pestanejar na idade. A cinefilia faz-se de memórias. E de cinema que nos tiram cada vez mais.

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Carpe diem. Robin Williams, 1951-2014.

por Miguel Marujo, em 12.08.14

Robin Williams.

«They're not that different from you, are they? Same haircuts. Full of hormones, just like you. Invincible, just like you feel. The world is their oyster. They believe they're destined for great things, just like many of you, their eyes are full of hope, just like you. Did they wait until it was too late to make from their lives even one iota of what they were capable? Because, you see gentlemen, these boys are now fertilizing daffodils. But if you listen real close, you can hear them whisper their legacy to you. Go on, lean in. Listen, you hear it? - - Carpe - - hear it? - - Carpe, carpe diem, seize the day boys, make your lives extraordinary.» (Clube dos Poetas Mortos, 1989)

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A crise de que não saímos bem

por Miguel Marujo, em 08.08.14

«Desde que este governo tomou posse, a Segurança Social cortou apoios a 170 mil pessoas. O rendimento social de inserção perdeu 1/3 dos beneficiários em plena crise económica, o que configura uma anormalidade na resposta social – a menos que acreditemos que todos aqueles a quem foi cortado tinham automóveis de 100 mil euros, como chegou a afirmar o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, num regresso à sua campanha eleitoral típica de pôr pobres contra pobres. A segunda prestação que mais desceu foi o complemento para idosos – outro dos grupos sociais mais afectados pela crise. Resta o subsídio de desemprego a subir, em correlação óbvia com o desemprego galopante (ainda que a taxa oficial dê agora sinais de redução). Esta crise sistémica, a da decadência do Estado enquanto promotor dos mínimos de igualdade, está no seu esplendor. A aceitação generalizada de que as pessoas podem – e devem – falir é a miséria do nosso tempo.» Ana Sá Lopes, in jornal i.

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Estado mínimo. Estado máximo.

por Miguel Marujo, em 06.08.14

«ESTADO MÍNIMO PARA OS POBRES, ESTADO MÁXIMO PARA OS RICOS | Se a solução encontrada para o "sarilho BES" pelo "triângulo das Bermudas", situado entre São Bento, Belém e a Igreja de São Julião, fosse tomada por um governo socialista, o pessoal do costume, naqueles blogues que fizeram a ossatura deste governo, em que se cita Tocqueville e Benjamin Constant, a torto e a direito, estariam a destilar veneno contra a"ofensiva socialista contra os mercados", a "expropriação de accionistas", a "destruição do mais antigo banco português" a "nacionalização da banca". Agora, uns, estão calados; outros, dizem que qualquer outra solução seria pior. O "neoliberalismo" português é isto: o Estado não tem que pagar subsídios de desemprego a "quem não quer trabalhar". Mas o Estado deve intervir (e avançar, no escuro, com quase 5 mil milhões de euros dos contribuintes) para salvar um banco.» Tomás Vasques, no seu facebook

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Oito anos

por Miguel Marujo, em 05.08.14

Ontem, dia 4, passaram 8 anos desde que fui despedido sem justa causa (mas causa "ganha" em tribunal, três anos e meio depois) de um jornal, pelo maior fdp com quem trabalhei na vida, daqueles que fazemos por nunca mais tropeçar na vida. E o que a vida nos ensina não é que o desemprego é uma oportunidade (é um desenrascanço, porque nos lixa a vida toda), mas sim que voltamos a tropeçar em gajos quase-assim. E que todos os dias nos apregoam virtudes alheias, os mesmos que atiraram o mundo ao charco em 2008, mas que continuam a querer convencer-nos que a receita certa é a deles. Eles não ganharão, mesmo que demore outros "três anos e meio".

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[publicadas no Qi - Quociente de Inteligência, suplemento aos sábados do DN, a 2/8/2014]

 

“Estão ambos convencidos de que uma súbita paixão os uniu. É bela essa certeza mas a incerteza é ainda mais bela.” É a partir desta epígrafe de Wislawa Szymborska que Jimmy Lao constrói, com um traço belíssimo e a dose certa de poesia, a história dela e dele, que vivem paredes-meias sem saberem e sem nunca se cruzarem. Um dia encontram-se e vivem um amor intenso à primeira vista, mas voltam a desencontrar-se. Ela e ele vão continuar à procura de um e do outro e no final, apesar do título do livro, ficamos sem saber se de facto o desencontro marcou esta história contada ao ritmo das estações do ano. No final, a primavera nasce por entre as paredes...

Jimmy Lao, ‘Desencontros’

Livro, Kalandraka, 16 euros.

 

Já tivemos Os Donos de Portugal, um livro e documentário sobre cem anos de poder económico dos mesmos de sempre. E Jogos de Poder, de Paulo Pena, sobre “os bancos portugueses e a forma como criaram a dívida que todos temos de pagar” – estávamos em abril e nessas contas “só” entravam o BPN e a austeridade. Agora temos Ricardo Salgado e uma teia de gente que se achava dona disto tudo, atropelando a democracia a seu favor. Dizem-nos que a fatura não será nossa. Mas poucos acreditam. Esta obra mostra o percurso de Salgado e do banco que esteve “mais próximo do poder político – e o que mais benefícios colheu da máquina do Estado”. “Todos os governantes serviram o líder do clã Espírito Santo ou foram por ele servidos.” Talvez por isso o título deste livro devesse ser O Último Inimputável.

Maria João Babo e Maria João Gago, ‘O Último Banqueiro’

Livro, Lua de Papel, 15 euros

 

Morrissey regressou aos discos, cinco anos depois, para baralhar e dar de novo, com a inteligência de escrita de sempre e surpresas nos arranjos e na composição. Os que acham que os Smiths já não passam por aqui, podem redimir-se agora.
Morrissey, ‘World Peace Is None of Your Business’
CD, Capitol 15,99 euros

 

Ultraviolence não tem a frescura da estreia que foi Born To Die, mas Lana del Rey continua a saber envolver-nos num universo que cativa. Seja por narrativas que parecem saídas de filmes de David Lynch (e os telediscos dela ajudam à imagem) como por histórias que carregam dramatismo e sensualidade na sua voz.

Lana del Rey, ‘Ultraviolence’

CD, Interscope/Universal 15,99 euros

 

Para os mais distraídos, é um dos acontecimentos editoriais do ano. Os Rádio Macau, de Xana e Flak, estão de regresso com um disco de inéditos, raridades e um tema ao vivo – dez canções perdidas, gravadas nos anos 1980 ou regravadas agora em 2014. Flak explicou que quis manter o som vintage das canções, mas este álbum não é de forma alguma datado.

Rádio Macau, ‘Space Monster’

CD, Rádio Macau/Blitz 3,90 euros (dist. revista Blitz)

 

É o registo na íntegra da despedida dos LCD Soundsystem, de James Murphy, no mítico palco de Madison Square Garden. Disponível para download ou numa edição luxuosa de vinil, é possível ouvir registos dos três álbuns de originais, os Arcade Fire em palco e o pano da História a fechar-se para esta banda.

LCD Soundsystem, ‘The Long Goodbye: Live at Madison Square Garden’

MP3 (vinil 5LP), Parlophone, 13,40 euros (ou 79,9 euros), na amazon.com

 

Desde há anos que a TV americana vem sendo campo para algumas das experiências mais interessantes em termos narrativos – falamos de séries e filmes, que mostram uma capacidade de incomodar e ousar que parece mais afastada dos estúdios de Hollywood. É Kevin Spacey – ele que dá corpo à personagem principal, um congressista democrata – que diz que “os argumentos mais interessantes e as personagens mais interessantes estão na televisão”. House of Cards percorre os corredores americanos da política e do jornalismo e é um retrato cru sobre poder, ética e relações humanas, magnificamente interpretado.

Beau Willimon e David Fincher, ‘House of Cards – 1ª temporada’

DVD, Sony Pictures, 19,99 euros

 

Silva disse ao DN que “Lisboa só fez bem” a este disco. E nós agradecemos esta vista para o mar: sonoridades que bebem na melhor tradição da pop, com cheiro a Brasil e sabor a verão, mas sem estar amarrado aos eternos clichés da MPB e do samba.

Silva, ‘Vista Pro Mar’

CD, Sony Music, 13,90 euros

 

B Fachada experimentou neste último ano um tempo sabático, sem lançar um disco que fosse (O fim é de dezembro de 2012), ele que até aí nos tinha habituado a dose duplas anuais. Regressou aos concertos em maio, apenas como Fachada, e fechou julho com seis temas novos para escuta ou download na plataforma Bandcamp – e recuperando o ‘B’ no seu nome. O humor das letras, os arranjos populares de Um Fandango Ensaiadinho ou Pifarinho, a leitura de Já o tempo se habitua de Zeca Afonso transportam-nos para um universo familiar, mas em que se sente que o músico não desiste de renovar uma linguagem sua e já incontornável na música portuguesa.

B Fachada, ‘B Fachada’

MP3, Bandcamp, 7 euros

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das curvas da serra

por Miguel Marujo, em 03.08.14

Por vezes aos domingos o carro lá ia até ao sopé da serra do Buçaco, com garrafões na bagageira para aproveitar as bicas do Luso, passeávamos pela mata, subíamos até à Cruz Alta, as estações da via sacra por entre as árvores densas e gigantes, espreitávamos o Palace e demorávamos nas salas do museu e soldadinhos quase de chumbo a entrarem na nossa imaginação. Descíamos as curvas da serra, quase enjoados atrás dos camiões que travavam a marcha. Era viagem que demorava, num país ainda longe de apressadas auto-estradas e estradas melhoradas e parque automóvel rejuvenescido. Nesses tempos, o país era maior do que é de facto, demorava-se nessas estradas lentas e más. Agora encolheu. Mas não encolhe a memória.

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do dia de notícias

por Miguel Marujo, em 03.08.14

Jimmy Liao, Desencontros (Kalandraka)

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O mail não autorizado

«Nas 7100 autorizações dadas pela Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), só em 2014, não consta nenhuma que se enquadre no envio por e-mail de marketing político pela candidatura de António Costa às eleições primárias do PS, que motivou já várias queixas junto da CNPD e da Comissão Eleitoral socialista.

Fonte oficial da CNPD não quis comentar o “caso em concreto” por estar “a ser analisado, na sequência algumas queixas apresentadas”. Mas salientou que “todas as autorizações emitidas pela CNPD são imediatamente publicadas no site oficial”. Na pesquisa do DN, não foi encontrada essa autorização.

Questionada a candidatura de Costa sobre o nome da empresa detentora da base de quatro milhões de endereços eletrónicos e se era possíver verificar essa autorização, a resposta da assessoria de imprensa foi lacónica: “Nada mais a acrescentar.”

A candidatura de Costa garantiu ao DN que tudo foi feito de acordo com a lei, não suspendendo o envio dos e-mails, onde António Costa pede ao destinatário para “participar nas primárias”. Os responsáveis afirmam que “as bases estão certificadas pela CNPD”. E explicam: “Temos essa confirmação desde o início e consta do contrato. Não há, nem deveria haver, certificação do conteúdo. Todas as pessoas que receberam e-mails autorizaram previamente aos detentores das bases a receção de informação.”

“Quem está sujeito a esta regulamentação é o detentor da base (que não a candidatura), que está obrigado a enviar respeitando estas regras, nomeadamente a do prévio consentimento, e não o titular do conteúdo da mensagem”, acrescentou a assessoria de imprensa.

Um parecer de 2005 da CNPD conclui que o envio deste genéro de e-mails, designados como marketing político, tem de ter o conhecimento prévio por parte do destinatário”. E esse “conhecimento”, sublinha a Comissão Nacional de Proteção de Dados, deve ser livre, específico e informado. E nada mudou na lei desde então.

A fonte oficial da CNPD sublinhou que “a utilização dos dados pessoais para estes fins (marketing eletrónico político) tem de ter consentimento específico e informado dos visados, que teriam de ter facultado estes dados” para este objetivo em concreto.

A candidatura costista fala numa autorização dada pelas pessoas à empresa que detém a base de dados, para estes serem transmitidos a terceiros. Será esta a nuance que leva à conclusão da parte da campanha do socialista de que “é legal a utilização destas bases de dados”. Segundo a assessoria da candidatura, até ontem à tarde “ninguém foi contactado pela CNPD”.

Na quinta-feira, o DN noticiou que Jorge Coelho, presidente da Comissão Eleitoral, responsável pela organização e coordenação das eleições primárias do PS, confirmou a existência de queixas junto do órgão a que preside de simpatizantes recenseados que receberam o referido e-mail. Jorge Coelho garantiu então ao DN que “não há falhas no processo”.» [Miguel Marujo e Valentina Marcelino, in DN, 2/8/2014]

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O silêncio.

por Miguel Marujo, em 02.08.14

O post que aqui tem estado continua a ilustrar tão bem este tempo, estes dias, este País, agora que o BES vai ser resgatado, que apetece o silêncio. Com esta frase, este título.

 

Só com os criminosos pobres é que não se pode comer à mesa.

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