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Não a uma economia de exclusão

por Miguel Marujo, em 28.11.13

"Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão." [Papa Francisco, Evangelium Gaudium]

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Once upon a time...

por Miguel Marujo, em 27.11.13

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Cinco anos depois

por Miguel Marujo, em 27.11.13

... a Cibertúlia renova a sua imagem. Graças ao Pedro, da equipa do Sapo, inexcedível desde a primeira hora em que este blogue foi convidado a mudar-se de armas e bagagens, palavras e imagens, para o Sapo. Mesmo nestes tempos em que o facebook substitui cada vez mais os blogues, esta tertúlia quer-se assim. Bonita, límpida - e sempre provocadora. É vir e ver. [E em versão otimizada para telemóveis!]

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A última sessão

por Miguel Marujo, em 24.11.13



Há muito que deixei de ir ao cinema - já lá vão mais de três anos e meio - uma opção como tantas que fazemos, na gestão de dias curtos e de um tempo mais preenchido. Longe da média de um filme por semana, de quando vim para Lisboa, lamento-o, mas é a vida. Por isso também tenho uma quota parte (pequenina) de responsabilidade no facto de o cinema King fechar hoje portas. As três salas em que aprendi tanto (de) cinema e me emocionei (ou irritei) com tantos filmes, têm hoje a sua última sessão.
Talvez seja um sinal dos tempos, de uma crise tantas vezes antecipada (afinal, algures nos anos 90, assisti sozinho a um filme, a sala toda para mim, numa acidental projeção privada). Das últimas vezes que ali fui surpreendi-me pela degradação do espaço, pela falta de chama da livraria anexa - que dificilmente chamaria leitores e (também assim) espectadores. Volta e meia ainda pensava que ali voltava, mas logo o calendário passava sem que cumprisse o regresso.
A esta ausência, tentei compensar (sem a mesma assiduidade) com o DVD visto em casa ou na box do Meo. Falta o escuro da sala e o ecrã gigante ou mesmo o sossego, apesar de surpresas desagradáveis que se pudessem ter com companheiros ocasionais de sala. Falta isso tudo. Mas não posso rasgar as vestes pelo fecho do King. Não fiz nada por ele nestes últimos anos.

[clip: The Last Picture Show/A Última Sessão, de Peter Bogdanovich; se não me falha a memória, julgo que foi no King que vi Texasville, a sequência 20 anos depois deste filme]

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The National reencontram velhos amigos

por Miguel Marujo, em 23.11.13

Fotografia ©Carlos Manuel Martins/Global Imagens

 

«Aos amigos, acolhemos calorosamente, mesmo quando o último encontro já tenha sido há um par de anos. Foi o caso dos The National, que esta quinta-feira à noite regressaram a Lisboa.

Numa sala grande, como o Meo Arena, que não esgotou, o vinho e a conversa compuseram o encontro de velhos amigos, que conhecem as histórias de cor e salteado, completam as frases, cantam por cima e acompanham com aplausos e emoção as palavras encorpadas - ou berradas. Há festas assim!

Entre maio de 2011, no Campo Pequeno, e agora, fomos recebendo notícias vertidas nas canções novas de "Trouble will find me". Ouvidos esta noite, os temas do álbum lançado em maio passado ainda se estranham aos primeiros acordes, mas já se entranham, como nas duas canções que abriram a noite: "Don't Swallow the Cap" e "I Should Live in Salt". Mas a empatia é maior ao anúncio de Matt Berninger de uma "old song" que aí vem - e de uma assentada ouvem-se "Secret Meeting" e depois "Bloodbuzz Ohio".

O rapaz que canta de copo de vinho na mão, que salta para o meio da plateia e se faz voar por entre o público (já no "encore") não falhando uma nota nem os braços e as cabeças que o apoiam, é mestre de uma cerimónia que admite pequenos crimes entre amigos. Os estalidos do microfone ou a amálgama de uma acústica que nunca foi famosa e que quase faz perder, por instantes, a harmonia dos sopros e das guitarras, mesmo quando as canções aceleram.

"Pause", "play", "fast forward", é assim que em palco a banda americana insiste em cantar o que de novo fez, com "Demons", "Sea of Love" e "Hard to Find". Há também tempo para "Lean", da banda sonora de "Hunger Games" ("É bom? Ainda não vi", diz Matt). E para voltar a outros discos anteriores, aqueles que foram construindo o sucesso de culto em Portugal e que os trouxe pela 11ª vez a palcos nacionais.

A hora e meia de concerto e de 20 músicas, antes do regresso ao palco para mais quatro canções no "encore", encerra-se com um quarteto de luxo: "England", "Graceless", "About Today" e "Fake Empire".

Os amigos quando se sentem bem acolhidos sabem retribuir e Matt explica como gosta de regressar a Portugal - "vocês já prestavam atenção quando mais ninguém nos prestava atenção". Mais ainda quando "Sorrow", "Mr. November", "Terrible Love" e (numa versão já conhecida, quase 'a capella') "Vanderlyle Crybaby Geeks" encerra mais um encontro em que tantos saem a cantarolar as velhas e novas histórias daqueles amigos, velhos conhecidos.» [a minha crónica do concerto, publicada no DN]

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Nunca digas que desta cola não beberás

por Miguel Marujo, em 20.11.13

Já se sabe: a Pepsi sueca foi muito infeliz numa campanha publicitária divulgada ontem de apoio à seleção sueca. Num mundo global, o google translator diz-nos o que os suecos queriam manter só para eles. Veio o puxão de orelhas da multinacional (dos EUA? pressionados pela Pepsi portuguesa?) e um pedido de desculpas, pouco tolerado por portugueses que se comovem mais com um boneco de vudu do que por mil e uma mentiras que lhes vendem todos os dias. E com pedidos inflamados para nunca mais beberem pepsi. Eu que prefiro coca-cola, mas bebo pepsi quando me apetece ou não há a outra, recuso-me embandeirar neste barco de ódio que atinge portugueses. A Pepsi sueca não será atingida, mas os trabalhadores portugueses da Pepsi não têm de ser as suas vítimas colaterais.

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Movimentos perpétuos

por Miguel Marujo, em 20.11.13

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Em tempos de carestia

por Miguel Marujo, em 19.11.13

Nestes tempos de austeridade sem fim à vista, por opção de quem governa, os jornais multiplicam pequenos sinais de aparente esperança. Hoje tropecei na notícia, que antes não o seria: «Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai dar emprego a dez licenciados». Há semanas era a nota de que a Noruega, como antes o Canadá, procurava engenheiros e outros licenciados portugueses (e sim, a M. e o C. partiram para lá em agosto).
É isto: os jornais, que viram as suas páginas de anúncios definharem até à pele (das meninas de relax), multiplicam notícias sobre ofertas de emprego - nem que sejam 10-dez-10 escassos lugares para... licenciados.
O problema permanece: pode o desemprego baixar escassas décimas (mas, caramba!, um milhão sem emprego é um milhão sem emprego!), podem os economistas de regime insistir na via única, que o que estas notícias de aparente esperança nos mostram é a desesperança - da geração mais bem formada obrigada a partir. Ou de uma geração afunilada a concorrer aos milhares (quase aposto) para escassos dez lugares. Há vida para além do défice, claro. Essa vida tem pessoas, é feita de pessoas, não de folhas excel ou de políticas destruidoras de famílias e pessoas.

 

 

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here.

por Miguel Marujo, em 18.11.13

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Estragar a vida aos pobres!

por Miguel Marujo, em 18.11.13

«Quero estragar a vida aos pobres. Tanto que até me chateia que sejam pobres. Por isso, bato-me pela subida do salário mínimo nacional. É bem feito para eles!»
[José Manuel Pureza, no seu facebook, na resposta justa e medida ao abominável césar das neves - e outra resposta factualmente económica]

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A seguir com atenção

por Miguel Marujo, em 17.11.13


um partido partilhado: Livre.
[sobre isto, sobre este tema, voltarei aqui... por agora, observo.]

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Sang bagsak

por Miguel Marujo, em 12.11.13

A legenda possível para esta foto da Reuters é esta (e escrevi-a no DN). «No dia em que a notícia foi a alegria do nascimento de Bea Joy, depois de Emily Sagalis, 21 anos, a ter dado à luz por entre os escombros, o mundo ignora o nome desta pequena criança que o seu pai transportou para a morgue da cidade filipina de Tacloban, arrasada pelo tufão Haiyan e que terá feito dez mil mortos.»
Estive nas Filipinas em outubro de 1992, seria época de tufões mas não me recordo de ter essa preocupação, assim como ignorei os perigos de idêntica tempestade em Hong Kong, no verão de 1991. Estávamos perto da Eco'92, no Rio de Janeiro, antes e depois, mas o aquecimento global era ainda um tema quase académico-excêntrico, como tantos antes de nos entrarem pela janela dentro.
No meio da confusão de Manila ou Quezon City, os jeepneys faziam as vezes de transportes públicos levando-nos eficazmente de um lado para o outro em Metro Manila ou transportando-nos para a aldeia de Sitio Balangbag Arau - se a memória não me atraiçoa -, no meio da floresta e onde Magellan era sinónimo de Portugal.
Ao ver as imagens da destruição de Tacloban reconheci naquelas construções débeis e arrasadas muitas das casas que retive da visita ao país, naquela aldeia a duas horas da civilização ou na área metropolitana da capital e na região de Laguna Bay. Já não me recordo dos nomes daqueles com quem me cruzei, não sei que caminho seguiram. Mas prefiro pensá-los no meio dos escombros como Bea Joy e não numa estrada de destroços como a deste pai. A eles e a um país, que no seu exotismo longínquo aprendi a ter como próximo: as Pilipinas. E como os próprios dizem, para dar sorte, para ter sorte, sang bagsak.

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12 de novembro de 1991

por Miguel Marujo, em 12.11.13

Cemitério de Santa Cruz, Díli, Timor-Leste. Não esquecer nunca.

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este país

por Miguel Marujo, em 08.11.13

Avenida de Berna, Lisboa, hoje, pouco antes das 13. A mulher terá os seus setentas e muitos, caminha de mala na mão, casaco quente, quando me fala, rosto fechado, voz envergonhada, quase sumida, pede dinheiro, para crianças que fiquei a cargo. Sabemos que nos milagres económicos só esta pobreza é irrevogável.

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a mão dada

por Miguel Marujo, em 06.11.13

[a partir do texto do Tolentino, que reproduzo no post anterior]

 

nunca foi uma mão que se desse muito - a minha à dele, mas há uma foto das duas mãos dadas, naquele último internamento: não caminhávamos já pelo corredor do hospital. a última vez que o tínhamos feito, depois da refeição, foram aqueles 10 metros vagarosos a zurzir no que eles andavam a fazer ao país. era setembro, tinha ouvido alguma coisa no noticiário do televisor daquela sala comum para doentes, tinha conversado com o enfermeiro (comunista, disse-me a sorrir) sobre como isto ia mal, longe de saber o pior. mas já não caminhávamos no corredor, já não falava, apenas nos olhava. e naquela tarde, a sós, segurou-me a mão, segurei-lhe a mão. (depois guardei a sua força num instantâneo que ainda guardo, a tal foto. íntima. como se fosse o rosto que nos sorria.)

 

«Eu passava-lhe toda a força que podia com a minha mão. Mas a sua mão era maior do que a minha. E sei que ainda é.»

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