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Na morte de António Borges

por Miguel Marujo, em 25.08.13

Dispensem-se elogios fúnebres a quem só nos queria fazer exéquias.


[atualize-se, 26/8/2013, pelas 17:25, para os mais impressionáveis:

 

«[...] Fiquei com a ideia de que o que defendi lhe suscitou desdém. Havia um enorme mar e um intenso nevoeiro entre a margem que eu habito e a que ele habitava. Acho que ele não apenas não via o outro lugar como não tinha interesse em descortiná-lo. Contava-se talvez entre os que cultivam o autismo económico.

 

[...] O que me parece é que Borges foi, na cena pública da nossa desgraça recente, quem mais tomou para si a tarefa de usar certas ideias como instrumento poderoso para configurar a sociedade, para a hierarquizar, para minimizar a imprevisibilidade dos humanos, para limitar a escolha, para, enfim, a ajustar a um mundo que era o seu, o das instituições que frequentava, o da relações sociais que desejava.

Neste sentido, foi o mais normativo e o mais alheio à pólis dos intervenientes no debate económico. Estaria errado e não estimaria o que a mim me parece que mais estima deve merecer. Mas também acho que estava convencido disso. Aquele era, afinal, o seu mundo. E cada um de nós só pode procurar fazer valer o seu se a vida for plural e até tiver o colorido que os excessos de Borges lhe deram. [...]» José Reis, no Diário Económico]

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O fogo e as cinzas

por Miguel Marujo, em 22.08.13

É cliché gasto, esse de renascer a partir do fogo, mas o incêndio do Chiado há 25 anos significou de facto - mesmo com a tragédia da destruição, a perda de empregos, a ruína prolongada - o renascimento de um bairro da cidade que é único. Dispensem-se adjetivos ingleses e modernaços, armados ao pingarelho, e veja-se a cidade intercultural que ali vive, se exprime e se passeia. É a maior herança do incêndio. E o bem maior desse renascimento.

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De como o Álvaro deixou de andar de metro

por Miguel Marujo, em 17.08.13

 

É sábado de manhã e na estação da Baixa-Chiado, em Lisboa, o tempo de espera pelo próximo metro é de pelo menos 10 minutos. Chegados a Santa Apolónia, o tempo de passagem do 728 pode chegar aos 30 minutos – é um autocarro que vai do Restelo à Portela, passando por Belém, Santos, Cais do Sodré, Terreiro do Paço, Xabregas e Parque das Nações. Este roteiro explica o grande número de turistas (e sim, Xabregas é destino muito procurado, ou não fosse lá o Museu do Azulejo).

 

Repito: sábado de manhã. Mas os tempos de espera também podem chegar aos 25/30 minutos durante a semana. E na estação do Marquês, linha azul, pode esperar-se pelas três (em vez de seis) carruagens seguintes pelo menos uns 8 minutos, às 20h30 de um dia de semana – e o cenário repete-se duas estações depois, no Saldanha, na linha vermelha. Com as mesmas três carruagens, para os turistas poderem experimentar o que é a sardinha em lata. Pelos vistos, para a administração do Metropolitano de Lisboa, 20h30 é uma hora tardia que não merece maior frequência na passagem de comboios nem mais composições.

 

Estes pequenos exemplos replicam-se noutras coisas: no metropolitano, há escadas rolantes sistematicamente avariadas (naquele sábado, era ver turistas a carregarem pesadas malas, em dois lanços de escadas da Baixo-Chiado); há elevadores continuamente fora de serviço (experimente-se o da estação do Rato, sistematicamente indisponível); muitos postos de atendimento estão fechados. Os autocarros andam cheios fora da hora de ponta, não vá algum passageiro ficar mal habituado e achar normal encontrar lugar sentado. Há turistas que suspiram. Uma amiga diz-me de Londres de como uma cidade que aposta no turismo dá emprego a muita gente. Apostar no turismo é também apostar na qualidade dos serviços oferecidos.

 

Apesar disto, pagamos mais e mais. Entrar no autocarro e validar o cartão custa 1,25 euros – eram 90 cêntimos a.T., antes da Troika, a 1 de janeiro de 2011. Se não se tiver bilhete, paga-se ao motorista 1,80 (a tarifa de bordo era 1,50 no início de 2011). Mais: ao fim de um ano, qualquer cartão Viva Viagem termina a sua validade. Mesmo que esteja em perfeitas condições e a uso. Para o trocar e manter os títulos que tem no cartão, é necessário ir a um “posto de atendimento” e pagar mais 50 cêntimos (100 escudos!) pelo novo cartão.

 

Álvaro Santos Pereira, o ministro que veio de Vancouver e enchia a boca nas primeiras semanas de que usava o metro (ficava bem para o boneco) como meio de transporte, não aprendeu nada nos anos em que viveu no Canadá. A aposta nos transportes públicos é a pedra de toque de qualquer política sustentável de um país. E o famigerado memorando da troika não é desculpa para tamanha degradação de serviços e oferta. O único aumento que ali explicitamente se referia era no “sector ferroviário” (“em particular aumentando os preços dos bilhetes”, lê-se, num documento que também parecia conhecer muito mal os transportes).

 

Nas últimas semanas, correu mundo uma foto de uma manifestante no Brasil. “País civilizado não é aquele em que o pobre anda de carro, é aquele em que o rico usa o transporte público.” Álvaro veio de um país civilizado para dar cabo do pouco que começava a haver de civilização. Pode sempre voltar para lá, nós ficamos com este pastel de nada.

 

[originalmente publicado no Dinheiro Vivo - foto MM, ago/13]

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Quando um jornal dá liberdade de imprensa

por Miguel Marujo, em 16.08.13

Um senhor resolveu comentar uma notícia escrita por mim (num post no facebook de terceiros, completamente a despropósito) para constatar que se tratava de «aquele mesmo DN que deu liberdade de imprensa a um tal Marujo». Quando lhe expliquei o óbvio funcionamento de um jornal (tanta gente neste país que é jornalista encartado e eu não sabia), responde com «lápis azul» ou «aproveitamento» da notícia. Voltei a ler o que o sujeito escreveu sobre mim, logo a abrir. Coerências, claro.

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Também ele nunca era o responsável

por Miguel Marujo, em 07.08.13


Pinóquio.

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provedorias

por Miguel Marujo, em 03.08.13

Habituei-me a ler os provedores dos leitores como consciências críticas do jornalismo e do trabalho de jornalistas. Habituei-me mal, ao ler gente como Mário Mesquita, Bettencourt Resendes, Jorge Wemans, Joaquim Fidalgo ou José Queirós (entre alguns mais). Constato este detalhe: foram eles que me ensinaram muito do que sou como jornalista. Pena que hoje só leia ódio gongórico em quem se diz provedor do leitor. Deve ser isto também a decadência dos jornais de que se fala.

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a gosto (a trabalhar)

por Miguel Marujo, em 01.08.13

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