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Uma imagem, uma frase: Eppur si muove

por Miguel Marujo, em 29.07.13

O Papa falou sobre os homossexuais, no voo de regresso a Itália, depois da euforia no Brasil:

"Si una persona es gay y busca al Señor y tiene buena voluntad, ¿quién soy yo para criticarlo?"

 

E desse Brasil, mais do que as fotos dos milhões nas ruas, destaco esta imagem em que o Papa é cumprimentado efusivamente por um jovem. Nem de João Paulo II, o homem dos afetos, se viram fotos assim... De uma humanidade (esqueça-se o Sua Santidade, pf) desarmante.


[foto Veja]

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Tudo como dantes

por Miguel Marujo, em 23.07.13

A remodelação em público do ministro do pastel de nada* é mais um episódio do regular funcionamento das instituições.



*- o seu a seu dono: esta definição extraordinária de Álvaro é do meu camarada Luís Reis Ribeiro

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De um labirinto para outro

por Miguel Marujo, em 22.07.13

«Depois das ideias originais, mas que não eram boas, acerca das suas competências em tempos de crise, o Presidente da República acabou por fazer o mais previsível de todos os discursos. Um observador de curto prazo diria que o primeiro-ministro ganhou tudo o que queria. O Presidente nem se esqueceu de aceitar a mitologia de um "novo ciclo", em que cabe uma moção de confiança e, adivinha-se, a aceitação da remodelação que colocará Paulo Portas como número 2 do executivo. Foi pena que o Presidente se tivesse esquecido de referir que esta crise não resultou da falta de consenso nacional sobre a época crítica que se vive em Portugal, mas da ausência de uma vontade convergente no interior da mesma coligação a que agora dá renovado apoio. Exatamente três semanas depois da carta de demissão de Vítor Gaspar, a política portuguesa parece ter sido devolvida à casa de partida. Este Governo, com os mesmos homens e mulheres que o com punham (com mais algumas eventuais aquisições), vai ter de resolver a quadratura do círculo: reduzir 3% do PIB em despesa pública (os famosos 4700 milhões da alegada "reforma do Estado") e ao mesmo tempo entrar na desejada "fase de investimento", o que implicará, se quisermos passar da retórica aos factos, uma mudança, ainda incerta, da estratégia do diretório europeu na condução geral da crise na Zona Euro. Na verdade, esta crise fútil e vã, gerada por aqueles que agora são reconduzidos pelo Presidente à mesma responsabilidade de que não foram dignos, torna Portugal menos competente para ajudar a construir o consenso que verdadeiramente nos falta: o consenso europeu para nos libertar do labirinto onde todos nos arriscamos a perder o futuro.»
[Viriato Soromenho-Marques, DN]

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Esfregar-lhes a democracia na cara

por Miguel Marujo, em 21.07.13
Pedro Adão e Silva, ontem no Expresso

[clicar aqui para ver em maior, via Corporações]

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Ilações, ralações

por Miguel Marujo, em 20.07.13

«Se esse compromisso não for alcançado, os portugueses irão tirar as suas ilações quanto aos agentes políticos que os governam ou que os pretendem governar» - Cavaco Silva, 10 de julho.

 

O problema maior nisto é que o autor desta frase esteve parado dois anos a ver qualquer possibilidade de compromisso definhar sem mexer um dedo, a não ser quando o dinheiro mal lhe chegava para as despesas.

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Prioridades trocadas

por Miguel Marujo, em 20.07.13

«Na semana passada, todos fomos confrontados, de forma inesperada, com uma grave crise política. Os efeitos fizeram-se sentir de imediato no aumento das taxas de juro e na deterioração da imagem externa de Portugal.» - disse Cavaco Silva, a 10 de julho e somou mais achas para a fogueira da crise.

 

Mas se este presidente cuidasse dos portugueses, teria dito:

«Na semana passada, todos fomos confrontados, de forma inesperada, com uma grave crise política. Os efeitos fizeram-se sentir de imediato ainda mais no aumento do desemprego e na deterioração da qualidade de vida dos portugueses

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Marcha atrás

por Miguel Marujo, em 19.07.13

Gaspar deu a oportunidade a Passos de fazer marcha atrás e este desaproveitou. Agora, é uma juíza que dá a oportunidade a Paulo Macedo de voltar atrás no fecho da MAC, mas já se percebeu que o Governo (ou alguns dos seus assessores, pelo menos) prefere(m) o insulto em vez de aproveitar(em) para recuar numa medida gravosa para a Saúde do país.

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Esquerdas - da falta de memória

por Miguel Marujo, em 15.07.13

[no meu regresso de férias]

 

O Bloco de Esquerda pediu ao PS, no sábado, que não negociasse nada sobre "acordo" algum pedido por Cavaco, colocando-se de fora da óbvia exigência de integrar essa discussão (depois do Presidente que se diz da República descaradamente ter ignorado dois partidos que representam cerca de 20% dos eleitores portugueses) e fazendo assim um favor ao inquilino de Belém. Os bloquistas esqueceram a lição de 2011, quando não quiseram reunir com a troika, sofrendo também por isso uma penalização forte nas eleições legislativas desse ano. O conservador PCP seguiu o mesmo caminho, para depois apontar o dedo estafado "à política de direita do PS".

É assim a esquerda, diz-nos a prática, não fosse esta (se se tiver memória) enganadora: em 1989, Jorge Sampaio federou um consenso à esquerda para a Câmara de Lisboa (algo que muitos julgavam impossível), que depois se renovaria e alargaria. (Os comunistas romperam mais tarde, os hoje bloquistas saíram quando Luís Fazenda liderava a concelhia...).

O jogo socialista de se sentar à mesa (apesar do PS ter insistido para que BE e PCP também se juntassem) é de risco, mas já se percebeu que o país está dividido sobre a necessidade de romper já (com eleições) ou tentar chegar ao fim do famigerado memorando (julho de 2014, a data de Cavaco). Nesse deve e haver, não basta que se aponte um horizonte de eleições (mesmo que para daqui um ano).

Aceitar qualquer reforma baseada nos cortes de 4700 milhões de euros será o mesmo que dizer adeus ao voto de muitos eleitores. O PS tem de centrar o seu discurso em duas balizas: reformar sem valores na mesa (afinal, estes 4700 milhões foram uma invenção gaspariana para troika ver); reformar sem atingir o cerne do Estado Social - saúde, educação, segurança social. Aquilo que deve ser posto na mesa do debate são funções do Estado que, por estranhos motivos, não são questionáveis: a defesa, para começar. Porquê manter um estado dentro do Estado? As PPP: porque não romper contratos penalizadores, como os da Lusoponte, resgatando para o Estado essas parcerias? Os swap: porque não rasgar estes contratos? A contratualização fora do Estado: porque continuar a entregar aos privados aquilo que o público pode e tem capacidade de fazer? Tantas coisas para fazer antes de atacar aquilo que sempre se atacou: o SNS, a escola pública, as pensões e reformas.

 

A esquerda (toda) tinha mais uma oportunidade para se fazer valer junto da direita. Não quiseram PCP e BE, deixando o PS sozinho, acusando-o de colaborar com a mesma direita a quem se aliaram em 2011 para derrubar um governo socialista. Comunistas e bloquistas insistem que não têm de negociar, mas os mesmos já se sentaram à mesa com o Governo (e não com o PSD e CDS) a discutir a reforma do Estado. Podiam não fazer valer nenhum dos seus pontos de vista, mas faziam-se ouvir. O que a esquerda continua a fazer é ilusionismo. Falta ao PCP e BE descerem ao terreno concreto e mostrarem que querem ser um projeto de poder - só assim podem proclamar (alto e bom som) que a esquerda deve governar.

[outras leituras recomendadas:
Ana Matos Pires, Não entendo...

Rui Bebiano, PS na grande encruzilhada
Pedro Marques Lopes, Insustentáveis
João Galamba, Salvação, disse ele]

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Do verbo demitir

por Miguel Marujo, em 11.07.13

Aos primeiros aplausos ilusórios a Cavaco, talvez pela surpresa de que afinal teria feito alguma coisa, sucedem-se agora as perplexidades perante algo de que o Presidente se demite: ser Presidente.

 

- A sua função de moderador e de magistratura será endereçada a alguém "de prestígio" para o consenso. Se não serve para isto, porque não se demite Cavaco?

 

- A atuação futura do Governo merece desconfiança e uma tutela. Mas se o Governo não serve para governar, porque não o demite - dissolvendo a Assembleia?

- A antecipação das eleições em um ano, e o adiamento agora por um ano, significa adiar qualquer resolução da crise por semanas, meses ou um ano. Mas se as eleições não servem agora, quando servirem já não terá a democracia sido demasiado achincalhada? Sim, claro.

Resumindo: a única saída para a crise não é a solução de Belém. E Cavaco bem podia resignar dada a sua incapacidade de ser Presidente.

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Do verbo mentir

por Miguel Marujo, em 03.07.13

 


[foto MM, San Francisco, Out/2005]


Passos quer fazer-nos crer que há semanas, meses, andava a preparar a saída de Gaspar. Se assim é, mentiu meses a fio no Parlamento e aos portugueses, ao agitar o papão da instabilidade, do segundo resgate, das eleições antecipadas, etc., etc..
Passos veio desmentir a versão de Portas na hora da demissão. Mas conhecendo o historial de outras situações e de contra-informação e de desmentidos e de esclarecimentos às suas próprias palavras, parece que a versão de Paulo será mais fiável.
Passos anunciou que não abandona o barco, num exercício autista, em que acha que ainda é a esperança dos portugueses. Mas o discurso anedótico que fez esta noite tem uma frase assombrosa. "Não abandono o país", ele que pediu a tantos e tantos que o fizessem com a sua política.

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