Este post só se repete dentro de quatro anos.
Este post só se repete dentro de quatro anos.
- dedicado ao G. e ao M., que todos os dias educam com amor e sabedoria o G.
A adopção por casais do mesmo sexo “contraria o criador”, disse esta manhã Telmo Correia. Peço desculpa: sou católico mas enoja-me este argumentário que invoca o nome de Deus em vão. Isso sim, um pecado maior, sr. Telmo Correia. Jesus sentou-se à mesa com os mais pobres, com os pecadores, com os excluídos. Sabe, sr. Telmo Correia, hoje Jesus teria de se sentar à mesa com os desempregados, com os excluídos, com os que são todos os dias castigados pela política deste Governo, com os homossexuais que continuam a não ter o direito de tornar felizes crianças que o Estado do sr. Telmo Correia guarda.
José Afonso
(Aveiro, 2 de Agosto de 1929 — Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987)
Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar
Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar
E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de de febre a arder
Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer
Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão
E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vem levantá-lo do chão
ninguém vem levantá-lo do chão

Leonard Cohen voltou em 2012 para mostrar-nos porque o velho canadiano só nos traz novas ideias. O novo álbum Old Ideas foi pretexto, por estes dias, para mais uma homenagem em cheio de outros músicos ao mestre - Mojo's The Songs Of Leonard Cohen Covered é mais do que um CD que acompanha uma revista. É engraçado como Cohen se presta a ser tão bem coberto por outros músicos, como provam a genialidade das versões de Hallelujah por John Cale e Jeff Buckley. Apesar de não estar ao nível de I'm Your Fan (onde se ouve Cale), também não será tão desequilibrado como este duplo álbum de 1991. Quanto mais não seja, esta nova leva de covers tem Bill Callahan em So Long Marianne.
Morreu Whitney Houston. Um nome que nunca me disse nada musicalmente, nem no cinema que fez. O registo que me importa é o apagamento de uma geração - nalguns casos traduzindo fisicamente a expressão morte do artista - que é também o apagamento de uma certa indústria. Que nasceu e viveu na era da MTV, quando o M era de music.
O vídeo diz tudo tudo tudo. Querer elaborar ou efabular sobre o mesmo não apetece. Está aqui em inglês técnico e linguagem corporal, para que não restem dúvidas. (Mas mesmo para os que as têm, é um filme explicado.)
«Não é só a economia: a política, em Portugal, parece estar também em processo de privatização. Algo que se reserva para os gabinetes dos partidos e para os recessos dos bailes de máscaras, mas que não deve sair à rua. E, quando sai, sai apenas com dichotes gastronómicos ou vitríolo anónimo. Nesta política, os cidadãos estão a mais. Estamos aqui a mais. É por isso que nos convidam tão insistentemente a emigrar.»

720 mil desempregados (novembro de 2011)
2 milhões de pobres (em 2009, e certamente que estes piegas não pararam de aumentar)
Esta segunda-feira Passos Coelho pediu aos portugueses para não serem tão piegas e separou entre os virtuosos que só pensam em arregaçar as mangas e os preguiçosos que só pensam no Carnaval. Para quem está há seis meses no poder, não está mal, não. Houve quem demorasse mais a chegar a este esprit.
«A propósito do Acordo Ortográfico, Miguel Sousa Tavares diz que “o Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz”. Sinceramente, não vem daí grande mal ao mundo. Portugal maltratou a sua língua durante anos e anos, desinteressando-se da sua gramática, do seu ensino e da sua correção – além de pensar que se tratava de uma espécie de “doação” concessionada ao resto do mundo. Não é. A língua (ortografia incluída) é de quem a fala, de quem a usa e de quem a transforma diariamente. Se o Brasil tomou a dianteira, pergunte-se o que Portugal fez em prol da Língua, que agora parece ser “um bem estratégico”. E os escritores? Não lhes cabe defender acordos ortográficos, evidentemente. Cabe-lhes escrever – bem, se possível.» (22.9.2009)
«O governo decidiu ontem que, em Portugal, a aplicação do acordo ortográfico nas escolas começará no próximo ano letivo – e a administração pública tê-lo-á a partir de janeiro de 2012. É uma corrida contra o tempo e o Brasil está à frente. Portugal esperou que Angola e Moçambique assinassem o protocolo mas não percebeu que, mal o acordo entrasse em vigor no Brasil, nada havia a fazer e que daqui a uns anos haverá apenas uma versão de ‘português’ na internet. Cada um escreverá literatura como quiser, e não haverá coimas, perseguições e castigos públicos; mas a existência de uma norma ortográfica não faz mal a ninguém. A língua é uma máquina flutuante e o Português não nos pertence por inteiro. Na verdade, não são as musas que choram; são as consoantes mudas, sobretudo.» (10.12.2010)
Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, desde Julho de 2011, que já escrevia em 2009 de acordo com a nova ortografia
Minha mãi foi à pharmácia em Guimarãis. Vasquinho só gosta assim.
Tendo a concordar com Augusto Santos Silva (no seu Facebook) sobre mais esta greve de transportes de que «
O tiro ao alvo (que não cito) é o PCP. Mas também não deixo de notar que os maquinistas da CP hoje apresentaram-se quase todos ao trabalho, ao contrário da greve singular bem mais espatafúrdia que foi a do Natal. For the record.

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