«Por que razão se há-de impor dogmaticamente que o casamento se estabelece entre duas pessoas?! Por que não entre três?», pergunta no Público um tal de Gonçalo Portocarrero de Almada, que responde por ser "licenciado em Direito e doutorado em Filosofia" e "vice-presidente da Conferederação Nacional das Associações de Família".
A minha dúvida instala-se quando olho para a foto: usa cabeção. O senhor será portanto padre. Mas esconde no seu currículo a sua "profissão". E diz-se membro de uma associação de famílias, um senhor que jurou castidade e que de família não saberá o que é, a não ser aquela em que ele já nasceu. Não casou, não se juntou a ninguém, não constituiu família, não teve filhos, fez uma opção - que não está em causa. Mas, por isso, pergunto: que lhe interessa a ele o casamento gay? Nada.
(Recuso-me comentar as aberrações em que o senhor teoriza sobre a possibilidade de casamento com animais. O vómito e o asco têm limites.)
De
João a 18 de Janeiro de 2010 às 17:22
e são estes senhores que gostam de andar de saias e tem voz aflautada...
De Anónimo a 19 de Janeiro de 2010 às 12:34
"Por que razão se há-de impor dogmaticamente que o casamento se estabelece entre duas pessoas?! Por que não entre três?" - Não respondeu à questão, caro Miguel.
O Miguel é casado, portanto legalmente impedido de casar. "por isso, pergunto: que lhe interessa a (si) o casamento gay? Nada."
Respondi muita claramente, ó anónimo: a pergunta é idiota e não comparável. E eu por estar casado, posso sempre divorciar-me e recasar-me (curiosamente, a minha Igreja não me permite recasar na Igreja, mas isso é outro debate, e não é para responder a anónimos). Ao contrário dos casais do mesmo sexo, que estavam inibidos de se casar, só por serem do mesmo sexo. E a mim, não me interessa o casamento gay, mas não o proíbo, ao contrário do sr. Almada.
E por fim: é tão divertida a cobardia destes, que só comentam assim, sob a capa do anonimato.
De Anónimo a 19 de Janeiro de 2010 às 14:14
José Manuel Pintado Santos.
Muito prazer.
De
antiego a 20 de Janeiro de 2010 às 14:12
Este comentário está brilhante. A questão é que o autor do post não se explicou bem.
O autor do post deveria ter explicado que usou essa arrogante "o gajo não se pode casar, logo que cale o bico sobre o casamento", para criticar ele opor-se ao casamento gay - o que nós não sabiamos.
Confundiu aqui 2 ideias. Uma coisa é uma pessoa ser livre de ter uma opinião, outra é intransigir e até proibir determinada coisa que não lhe deveria dizer respeito.
O padre pode achar que o casamento gay é uma aberração. Não o pode é proibir ou negar que a sua inexistência é uma facada na igualdade dos direitos humanos.
De
antiego a 20 de Janeiro de 2010 às 14:06
Só porque o homem não pode casar, não pode opinar sobre o casamento e o casamento gay?
De
margarete a 20 de Janeiro de 2010 às 14:41
«e que de família não saberá o que é, (..) Não casou, não se juntou a ninguém, não constituiu família, não teve filhos, fez uma opção - que não está em causa. Mas, por isso, pergunto: que lhe interessa a ele o casamento gay? Nada.»
so what?
o vómito e o asco têm limites e esse senhor que refere tem, de facto, opiniões de nível César das Neves
mas não percebo o seu post, estranho-o até
ora, tem de se cumprir alguns dos requisitos [que não estão em causa(?)] que refere para poder opinar sobre o assunto família? Não se pode ter interesse no assunto se vivência dele?
agora as pessoas têm de "saber o que é" 'na pele' para terem opinião, assumir posições?
weird
De margarete a 20 de Janeiro de 2010 às 14:43
errata: "se vivência dele" = "seM vivência dele" :P
não, antiego, não, Margarete: ele pode falar, mas Almada comparou o casamento gay a eventuais casamentos com animais ou poligâmicos; ele pode falar, mas de facto, há mais legitimidade a quem constitui família, a quem vive estas coisas no dia-a-dia, para as discutir; afinal, ele apresenta-se como sendo membro de uma Associação de Famílias, mas não experimenta o dia-a-dia; o link que coloco para um post antigo meu, diz muito sobre isso.
De margarete a 20 de Janeiro de 2010 às 16:33
desculpe a insistência, mas...
não compreendo a necessidade dos requisitos para opinar acerca de determinado assunto
requisitos para afiançar legitimidade?
seguindo essa premissa: um educador de infância sem filhos é um educador "menos legítimo"?; um psicólogo que não tenha vivenciado determinada situação é menos legítimo para opinar/orientar?; ... Um padre, é tb - por definição/reconhecimento da ICAR um orientador/educador da família, segundo a instituição ele terá formação para tal (pondo de lado, então, o assunto "vivência/experiência pessoal")
li o seu post quando comentei a 1ª x
sabe, para quem não é católica (sou mm ateia), faz-me alguma confusão a indignação constante com regras e leis que são tão próprias e permanentes na ICAR
são assuntos que eu percebo que não podem "evoluir com os tempos" (alguns sim, vejo a possibilidade de evolução sem ir contra a lei católica), fazem parte da estrutura da igreja, da forma como usa a biblia
se eu quiser respeitar a ICAR e a sua lei, percebo como é possível o tal bispo dizer barbaridades à luz das bem aventuranças, percebo a proibição do uso de contraceptivos (nomeadamente o preservativo), etc
respeito as pessoas e a sua espiritualidade, não respeito a ICAR (nem outras igrejas/religiões)
compreendo que "quem quiser ser sócio" tem de perceber e aceitar certas regras como base, sendo imutáveis
acho óptimo que as pessoas procurem diálogo nas suas igrejas e deixem as suas opiniões, e até que denunciem
mas é só isso, porque sei que "eles" encontram sempre justificações...
nunca fico espantada com declarações e artigos
por mais fiéis que percam, há coisas que não podem mudar à medida do freguês só porque são tempos pobres em espiritualidade (seja lá o que isso for...)
Pois, Margarete, por mais pobres que sejam, não acho nada disso: a minha obediência à Igreja Católica é à fidelidade do Evangelho, não a regras humanas impostas por alguns, ao longo de séculos, por isso não tem nada a ver com vontades dos fregueses. Agora: a própria Igreja Católica define que cada fiel tem os seus carismas e cada um é chamado a responder nas suas funções e serviços. É nisto que o Vaticano assenta a não ordenação das mulheres, por exemplo. O carisma de um padre é um, o dos leigos é outro. Daí, insisto: assiste-me mais legitimidade o tema família do que ao sr. Almada. O que não quer dizer que ele não tenha opinião. Tem-na, mas como bem se depreende da leitura do texto não perebe nada de família e de viver em família.
De margarete a 20 de Janeiro de 2010 às 16:47
eu acho que tudo o que é religião é humano :) mas isso é outro campeonato
ser-se da ICAR é ser-se das regras dela, para se ser outra coisa diferente será então "apenas" cristão
eu acho esse padre e todos os artigos dele que li até hoje absolutamente ridículos
a conversa é como as cerejas... os meus comentários são mesmo por causa disto "Daí, insisto: assiste-me mais legitimidade o tema família do que ao sr. Almada. O que não quer dizer que ele não tenha opinião. Tem-na, mas como bem se depreende da leitura do texto não percebe nada de família e de viver em família." independentemente do texto ser uma idiotice pegada, volto a pegar nisto:
seguindo essa premissa: um educador de infância sem filhos é um educador "menos legítimo"?; um psicólogo que não tenha vivenciado determinada situação é menos legítimo para opinar/orientar?
Insisto eu: «mas isso é outro campeonato ser-se da ICAR é ser-se das regras dela, para se ser outra coisa diferente será então "apenas" cristão» - isto é uma concepção errada do que é ser-se cristão ou católico.
De margarete a 20 de Janeiro de 2010 às 16:51
ok
e a premissa da legitimidade?
falei-lhe dos carismas de cada um na Igreja; e mantenho: tenho mais legitimidade para. A educadora não é comparável: ela estuda para isso.
De margarete a 20 de Janeiro de 2010 às 17:01
já tínhamos dado conta de que discordamos...
considerando os diferentes universos, um padre tem formação assim como o tem um educador de infancia ou um psicólogo
no meu caso, não reconheço o padre, reconheço os outros 2 profissionais referidos
se eu sou católica, se a minha igreja compreende que o padre que forma (carismas à parte?) está habilitado a interferir na família, estamos a falar de legitimidade
é evidente que isto não obriga a que um fiel o aceite
conclusão: no meu "universo" legitimo quem não tenha determinada vivência uma vez considerando a sua formação
De
Helena a 21 de Janeiro de 2010 às 10:39
Ola Miguel,
comentei aqui:
http://conversa2.blogspot.com/2010/01/familias.html
falta de tempo para a resposta calma e ponderada, Helena... lá irei.
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