Uns rapazes em busca de audiências para o blogue cometeram um acto muito corajoso, idiota, revolucionário, divertido, terrorista, o que for, depende do ponto de vista de quem o vê (achei divertido, inconsequente, claro, porque na verdade nem eles querem Duarte Pio para mandar nisto). A coisa pode dar prisão, diz a lei, mas já há quem (que gosta pouco da democracia que temos) ache que se houver multa ou punição é coisa de "velha azeda". A República, claro. Se esta mesma República assobiasse para o ar com um outro qualquer acto idêntico - por exemplo, um grupo de negros proclamar da mesma maneira a instauração da colónia de Angolisboa - logo haveria muita gente a clamar a sua indignação contra o estado deste Estado.
[actualize-se: reparo entretanto que o Daniel fez um exercício engraçado com palavras indignadas dos camaradas do 31; para não falar do candidato a deputado que se marimba para a República pela qual é candidato.]
Extraordinário. Agora sou candidato *pela República*. Não sabia. Estranha concepção das candidaturas, que as identifica não à orientação política que defendem, mas sim ao regime em que são apresentadas. Uma coisa é certa: a minha candidatura é contra esta concepção anti-democrática da República.
"concepção antidemocrática"? É Vasco Campilho que diz: "estamo-nos marimbando para a forma do regime, desde que o conteúdo seja decente". Vasco Campilho é candidato à Assembleia da República, mas detesta a concepção de tal coisa. Esclarecidos sobre o seu conteúdo.
Mas isso é uma cassete ou é só vontade de chatear? "Detesta a concepção de tal coisa"? Onde foi buscar isso? A indiferença perante a questão de regime é completamente diferente da detestação da República.
Mas ainda que tal fosse a minha posição - que não é - haveria algum mal a que, em democracia, estivessem representados no Parlamento deputados hostis à forma republicana de regime? Não deverá haver, porque tem havido vários - não apenas no PPM - e a democracia nunca sofreu com isso. Tal como a Monarquia Espanhola não tem sofrido com a representação parlamentar de partidos republicanos.
Quem sofre, porventura, são mentes menos capazes de distinguir entre a forma e o conteúdo. Há-as tanto em monárquicos como em republicanos. Felizmente, os marimbistas não caem nessa esparrela.
não pare, vasco. por favor não pare com isto. estou a divertir-me bastante com a qualidade da argumentação (e quase quase a votar em si, homem).
então eu digo que estou quase a votar em si e o vasco pára com isto? que desilusão, homem.
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