... e todos os dias vendem-me que isto é um país de "empresários com visão" contra os "trabalhadores improdutivos"... pois, pois...
De Nuno Gaspar a 3 de Julho de 2009 às 14:24
Generalização avulsa a partir de um episódio não fica bem a um jornalista.
A generalização avulsa, como dizes Nuno, não sou eu que a faço, é o discurso liberal do costume feito pelos do costume, que todos os dias enxameiam manifestos e jornais...
Ao jornalista, sobram factos: só na comunicação social, desde há um ano: despedimento colectivo no Primeiro de Janeiro, depois na Controlinveste, despedimentos na Impresa e na Cofina (apesar de lucros), despedimentos e desvarios vários na Impala, despedimentos no Público e agora a tentativa de redução de salário dos trabalhadores, pagamento escravo na Media Capital, despedimentos nas rádios da MC... É preciso mais? A generalização, como vês, é dos empresários com visão. O jornalista recolhe factos.
De Nuno Gaspar a 3 de Julho de 2009 às 20:02
Então e a culpa de não existir mercado é dos empresários?
Das duas uma: ou cada um faz o que pode para ter as suas empresas em funcionamento, ou as empresas de comunicação social geram lucros fabulosos que lhes permitem despedir pessoal sem que o seu mercado seja ocupado por outros empresários com «mais visão», com mais empregados, com melhores qualificações e com melhores remunerações. Nesse caso é uma pena desperdiçares a oportunidade.
Francamente, acho que é esse discurso antiempresariado que mais contribui para que a economia seja cada vez mais dominada pelas muito grandes empresas, só elas capazes de (aparentemente) vencer as contrariedades que, além do próprio mercado, as políticas ditas antiliberais colocam (trabalho, fiscal, ambiente, regulatory), gerando os desequílibrios que estão à vista.
a minha visão é diametralmente oposta da tua, Nuno, peço desculpa: o mercado, para mim, tem de ter uma forte componente social, inclusive de responsabilidade social, não pode ser meramente geradora de lucros, como muito bem assinalou nas suas encíclicas sociais João Paulo II...
os desequilíbrios que estão à vista começaram com a concentração acelerada dos grupos de comunicação social com os governos de Cavaco Silva, o paladino das privatizações no sector, que aceleraram e degradaram o sector...
a culpa de não existir é de empresários que insistem em "pensar" o que os leitores pensam e querem da imprensa... não deixa de ser curioso que o Público, para dar um exemplo bem conhecido, tenha começado a perder leitores quando passou a ser um jornal com um projecto editorial de linha política dissonante entre quem o dirige e quem o lê.
mais: é extraordinário que os empresários à mínima dificuldade optem (sempre, sempre, sempre) pelo despedimento de trabalhadores: nunca vi um que fosse abdicar do seu carro de luxo da empresa, do seu cartão de crédito com plafond ilimitado...
e acho mais graça ainda quando sugeres que o melhor é eu montar uma empresa, como se todos tivéssemos ou conseguíssemos ter capital, como se fosse fácil... é curioso: um estrangeirado dizer-me isso...
De Nuno Gaspar a 3 de Julho de 2009 às 21:34
"como se fosse fácil..."
Pois por não ser nada fácil é que admiro quem o faz (de forma honesta e leal). E por isso acho que quem arrisca deve ser encorajado e acarinhado e não olhado com inveja e desconfiança como faz uma boa parte da esquerda que se julga detentora das políticas de apoio social mas nunca é capaz de mostrar os seus exemplos de tomada de risco e criação de postos de trabalho.
Também eu acho que mais importante que o lucro é a criação de trabalho, digno. Por isso nunca me vou esquecer da entrevista em que MFL disse que as empresas que não dessem lucro deviam fechar (por esta ordem de ideias deveria ser o próprio Estado a fechar, pois vive em défice há muito tempo).
Por isso acho que quanto menos regulamentação e fiscalidade incidir sobre o trabalho mais facilmente
será criado.
A culpa de não existir mercado também é dos empresários. Quando os donos dos jornais decidiram que o seu negócio era vender leitores aos anunciantes e não notícias aos leitores, contribuíram para extinguir o mercado das notícias.
Isto também leva a um desprezo por aquilo que devia ser a essência do jornal: o conteúdo, que passa a ser aquela cena à volta dos anúncios. E portanto, um desprezo pelos jornalistas.
É pelo menos a opinião de uma pessoa que merece todo o meu respeito:
http://www.youtube.com/watch?v=Llnbzq7b4Ww
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