30.06.08

A malta da ERSE pretende pôr os cidadãos comuns a pagar as dívidas acumuladas por caloteiros clientes da EDP, num total de 12 milhões de euros e, para o efeito, a entidade reguladora está a fazer uma consulta pública que encerra em meados de Julho. Em função dos resultados da consulta será tomada uma decisão. Esta consulta não está a ser devidamente divulgada nem foi publicitada pela EDP. A DECO tem protestado, mas o processo é irreversível e o resultado desta consulta irá definir se a dívida é ou não paga pelos clientes da EDP. A DECO teme que este procedimento pegue e se estenda a todos os domínios da actividade económica e a outras empresas de fornecimento de serviços (EPAL, supermercados, etc.). Há que agir rapidamente. Basta enviar um e-mail com a nossa opinião, o que também pode ser feito por fax ou carta. Enviem este mail, se concordarem.

(Se concordar, copie o texto abaixo e envie)
Enviar para: consultapublica@erse.pt

 

"Exmos. Senhores:
Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a V.  Exas. a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à "proposta" – que considero absolutamente ilegal e inconstitucional – de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dos incumpridores.
Com os melhores cumprimentos,

(nome)"



Miguel Marujo, às 16:29

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Comentários:
De Anónimo a 30 de Junho de 2008 às 23:49
A página do portal da ERSE onde se encontra a informação respectiva é

http://www.erse.pt/vpt/entrada/consultapublica/


De CC a 1 de Julho de 2008 às 10:45
Miguel,
a minha proposta foi esta (já seguiu por mail):

«Exmos Senhores:

Ao que parece, a ERSE apresentou uma proposta para regularizar as dívidas de que é credora e que passa por imputar esse valor a todos os consumidores que são cumpridores.

Ao contrário da maioria dos consumidores, não me oponho a essa proposta.

Ponho apenas uma condição: que, em contrapartida, a ERSE pague as minhas dívidas, nomeadamente a hipoteca da minha habitação, à instituição bancária competente.

Com os melhores cumprimentos,

Carlos Cunha»


PS: a proposta partiu da ERSE e não da EDP.


De Miguel Marujo a 1 de Julho de 2008 às 10:49
bem sei que a proposta é da ERSE, mas o desmando beneficia a EDP, exclusivamente por enquanto...


De Miguel Marujo a 1 de Julho de 2008 às 10:49
faltou dizer que a tua carta está excelente (eu limitei-me a editar um mail que anda por aí a correr a internet... ;))


De 123 de Oliveira 4 a 1 de Julho de 2008 às 16:51
Ontem fui à mercearia e comprei uma série de coisas. No fim, ao conferir a conta, reparei que o Sr. Zé tinha acrescentado mais 1 euro. "ó sõr Zé, então, porque é que me está a cobrar mais 1 euro?" E ele responde-me: "Ó amigo, é que a maralha tem-me vindo aqui surripiar fruta dos caixotes quando eu vou lá dentro ao armazém... como eu não tenho possibilidade de estar sempre a vigiar, tenho que cobrar esta taxa aos clientes." E eu: "Ah, pois claro! É justo. As grandes empresas como a EDP deviam aprender com o sôr Zé."


De Helena a 1 de Julho de 2008 às 16:53
Miguel,
por um lado concordo contigo, e com o protesto.
Não faz sentido pagar o cumpridor pelo incumpridor.

Por outro lado... não é já o que nos acontece nos supermercados e nas demais lojas? O preço de venda já inclui uma margem para cobrir aquilo que é roubado. E mais o agente de segurança à porta.

Quando compro o arroz e o leite, sei que no preço desses produtos vai uma pequena taxa para cobrir o foie gras do espertalhão que o deixou escorregar para dentro do saco "sem querer".
Já agora: que fazer com esses espertalhões que se acham muita graça, e até contam as suas proezas? Alguém tem coragem de lhes dizer alguma coisa na cara?

Em conversa de economista: se o preço de venda deve conter todos os custos de produção e comercialização + margem de lucro, então deve incluir o custo previsto para roubos e cobranças duvidosas.

No caso da EDP, só é um bocado mais evidente porque eles se esqueceram de incluir essa taxa no preço, e agora preferem (calculo eu, que só sei disto o que li no teu post) passar o custo aos clientes, em vez de baixar a margem de lucro.
Admito que seja só um episódio: da próxima vez que o preço for definido, já não se esquecerão de incluir esse custo.
Ou esquecem?


De Helena a 1 de Julho de 2008 às 16:56
por coincidência, o 123 de Oliveira 4 estava a escrever o mesmo que eu no mesmo momento...

Ironias à parte: pagar o que os outros roubam já é um dado adquirido da nossa realidade.


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