
ATHENES, 24 jan 2012 (AFP) - Le réalisateur grec Theo Angelopoulos, décédé mardi soir à l'âge de 76 ans après avoir été renversé par un motard dans la rue au Pirée, près d'Athènes, a incarné à partir des années 1970 le Nouveau cinéma grec, qui a émergé après la dictature des colonels.

Este sol a pôr-se que aqui ficou é enganador: as nuvens cinzentas toldaram os céus, com um acordo de concertação social que concerta tudo contra os trabalhadores sem apelo nem agravo, apenas com muita subjetividade e ambiguidade. "Histórico": sim, é. Para o mal. O tempo vai mostrar como.


Fundação Champalimaud e Belém, 17/1/2012.
Há 40 anos, a primeira página do Diário de Notícias deste dia, dizia que "uma 'superfície frontal' veio passar o domingo a Portugal: chuva e vento em todo o país".
Ainda há dias aqui defendi que os blogues não estão mortos. Reinventam-se, depois da euforia juvenil dos anos iniciais. Mais um exemplo: Acordo Fotográfico (um achado, este nome), que nos traz leitores nas ruas. "Roubo" uma foto de Sandra Nobre, a feliz autora de uma página feliz...

«Há já algum tempo que acalento a ideia de sair por aí a retratar aqueles e aquelas com quem me cruzo no dia a dia, enquanto leem. Felizmente, são cada vez mais: nos transportes, nos cafés, nos jardins, em qualquer sala de espera - há cada vez mais gente a ler.»

Há um erro de apreciação no produto português a exportar. O frango de churrasco do Nando's (que entusiasmou o ministro canadiano da Economia) nasceu na África do Sul e espalhou-se pelo mundo, Canadá incluído, o que terá motivado Álvaro, mas o pastel de nata já foi visto em Londres, Bruxelas, Xangai, Taiwan e, pasme-se, Toronto. O que acontecerá com este rapaz é que não está organizado em cartel, num qualquer Tony's cream. Nisto o Álvaro, se calhar, já anda a precaver futuros mais desnatados.
O facebook é o blogue instantâneo que entra pelo nosso ecrã. Foi o blogue do ano em 2010 para o Tiago, que ainda nos alimenta com o seu pão de cada dia a voz do deserto. Em 2011 será de novo o "blogue do ano", mas a vitalidade dos blogues-blogues mantém-se imparável. Escuso de nomear os que me vão deixando ko, pela sua leitura (estão aqui ao lado e seguem pelo ecrã abaixo). Há quem se diga cansado, que não lê, que não sei o quê, mas há pequenas coisas que ainda vamos vendo e lendo que nos fazem acreditar nos blogues.
Deixo três exemplos de posts em final de 2011 e um blogue que tentou resumir o ano. Quatro boas ideias:
- a playlist de Pedro Passos Coelho
- carta de Natal de um emigrante para o primeiro-ministro
- carta aberta ao senhor primeiro-ministro
e
Não faço listas do ano que passou; não vi filmes em salas, não ouvi todos os discos que queria, nem li tudo o que acho merecedor, blogues incluídos; por isso, recordo 2011 naquilo que me interessa, nas coisas e pessoas que merecem ser citadas. A destempo, aqui vou deixando notas dos dias que passaram no ano passado.
Eduardo Catroga reformou-se em 2007 com uma pensão de 9693 euros por mês. Leu bem: 9693 euros por mês. Pois o senhor ainda não está reformado! Foi agora escolhido para a EDP onde todos nós lhe pagaremos 639 mil euros por anos. O senhor já veio cuspir na sopa e lamentar-se que pagará metade em impostos. Esquece-se que continua a ganhar o que 98% da população não ganha. Em todo o caso, acho que o que isto devia significar é só uma coisa: o Estado devia suspender-lhe a reforma milionária - está a trabalhar! Depois, quando se reformasse a sério, voltava a pagar-lhe. Querem sustentabilidade da segurança social? Podem começar por aqui.
[A obscenidade das nomeações da EDP tem vários exemplos destes reformados de luxo. Paulo Teixeira Pinto é outro. ]
«Estes são os homens que, nos últimos anos, nos explicam que o emprego seguro tinha chegado ao fim. Que defendem a meritocracia. Que cospem no papel do Estado (aquele que se faz com transparência e regras claras, não este que vive da troca de favores e de cromos) na economia. Que olham para os portugueses como se eles fossem um meninos mimados habituados a vida fácil. Vivem num País muito especial. Nesse País, não há carreiras, não há mérito, não há a ansiedade do desemprego e da penúria. Há acumulação de mesadas. Seja no público ou no privado, vivem entre a política e os negócios para se pendurarem no trabalho dos outros. São os avençados da Nação. Recebem um rendimento máximo garantido por nos venderem a austeridade que nunca irão conhecer. Liberais de pacotilha, vivem de expedientes enquanto afundam, há décadas, as esperanças de um povo que trabalha.» [Daniel Oliveira]
«As nomeações para a EDP são um mimo. Catroga, Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo... isto não é uma lista de órgãos societários, é a lista de agradecimentos de Passos Coelho. O impudor é tão óbvio nas nomeações políticas que nem se repara que até o antigo patrão de Passos, Ilídio Pinho, foi contratado. [...] O problema é que, enquanto isso, milhões de portugueses estão a perder salários, empregos, a pagar mais impostos, mais pelas rendas ou pela saúde. Estas nomeações são uma provocação social. Porque enquanto muitos tratam da sua vida, alguns tratam da sua vidinha. [...]» [Pedro Santos Guerreiro]

David Sylvian escreveu a Pop Song mais anti popsong que podemos ouvir, mas a sua música é pop de primeira água. A cada álbum, baralha-nos os sentidos: as programações, o experimentalismo sonoro ou o lirismo musical cruzam-se em perfeita sintonia. Em álbuns de originais, de canções ou instrumentais, ou entregando as suas criações à recriação de outros, Sylvian não necessita de estar nas listas do ano para ser sempre ouvido por cá. Died in the Wool foram em 2011 as variações de Manafon de 2009, mas a novidade permanece indelével.
Repare-se: para mim não está em causa que tecnicamente a decisão da Jerónimo Martins seja inatacável, como Pedro Santos Guerreiro (e Elisabete Miranda) nos explica(m). O que para mim conta é que Soares dos Santos nos tenha andado a bater, como portugueses, classificando sempre de forma pouco meiga comportamentos e alegadas falta de empenho, produtividade e outras expressões que estes senhores debitam, ditos com uma banalidade confrangedora, como se comprova em vídeos apanhados ao acaso na internet. Dito isto: frei Tomás não deve ser invocado, nunca, por quem nos andou a atirar à cara com um moralismo aviltante e agora foge às suas responsabilidades morais.
É isto: o senhor pode ter as contas todas certinhas e continuar a pagar parte dos impostos cá, mas não se diga (e aqui critico PSG) que «é assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece». Nisso, Soares dos Santos foi o filho pródigo. Sabe-lhe bem agora pagar tão pouco.

«Foi através de Pedro Lains que cheguei ao estudo, os Ladrões de Bicicletas deram conta dele dias depois e ontem, quando já trabalhava o tema, numa coincidência que afirmou a sua inevitabilidade, entrou-me na caixa de correio um artigo do Financial Times sobre o assunto: Portugal, o país mais desigual da Europa, foi aquele onde a austeridade aplicada pelo Governo foi mais regressiva em termos de distribuição de rendimentos. Ou, dito de outra forma: Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais pobres.» [Rui Peres Jorge]
«A família Soares dos Santos, principal accionista (56,14%) da rede de supermercados Pingo Doce e Recheio, transferiu o seu capital para a Holanda. Dito de outro modo: deixa de pagar impostos em Portugal. [...] Alexandre Soares dos Santos, patriarca da família, o homem que nos últimos anos não fez outra coisa senão dar lições de moral aos portugueses, em sucessivas entrevistas e programas de televisão («Plano Inclinado», etc.) pagos com os nossos impostos, mandou às urtigas o interesse nacional. O povo que suporte o agravamento fiscal. Ele foi pastar para outra freguesia.» [Eduardo Pitta]
Não faço listas do ano que passou; não vi filmes em salas, não ouvi todos os discos que queria, nem li tudo o que acho merecedor, blogues incluídos; por isso, recordo 2011 naquilo que me interessa, nas coisas e pessoas que merecem ser citadas. A destempo, aqui vou deixando notas dos dias que passaram no ano passado.
«Ano novo, vida nossa
Bateram as doze badaladas e anunciaram que tínhamos ficado em 2011. Na televisão, um comentador explicava: “seria uma irresponsabilidade mudar de ano agora, em plena crise”. O colega de debate, especialista em finanças cronológicas, concordava: “não estamos em tempo de comprar novos calendários, as pessoas têm de compreender que é preciso fazer sacrifícios”.
Claro que nem toda a gente aceitou pacificamente a ideia. Milhares de jovens que iam fazer 18 anos em 2012 organizaram manifestações pelo direito ao futuro: “não queremos ficar com as nossas vidas congeladas”, gritavam nas ruas. Movimentos de cidadãos fizeram uma jornada contra o “recuo histórico” que significava voltar ao passado. Houve uma greve por um novo calendário e por melhores condições de vida. Clandestinamente, alguns começaram a produzir calendários alternativos e a funcionar com as datas de 2012. O Governo explicou que era “totalmente inviável” mudar de ano. Sugeriu que os jovens emigrassem. Perante os protestos, ameaçou prender quem tentasse fazer um ano novo à revelia do acordo estabelecido com parceiros internacionais.
De repente, as praças foram ocupadas pela gente. Fizeram-se músicas, contos, poemas, filmes sobre os futuros possíveis: como seria um ano novo? As pessoas começaram a criar aquilo de que falavam. Aguentaram semanas na rua, numa lenta impaciência. Até que um dia o poder viu-se impotente: já não restava ninguém em 2011.»
José Soeiro (O jornal Público pediu ao ex-deputado do BE que, em pouco mais de 1000 caracteres, escrevesse uma mensagem com desejos para 2012. "Saiu isto e foi publicado ontem")

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