Há o momento em que a águia voa e vai pousar no local combinado, mesmo que às vezes se deixe levar pela alegria em volta. Um momento assim é mágico, como o olhar de miúdo fascinado de Nevdev, antes do jogo das estrelas contra a pobreza. Esta noite, Vitória ficou longe de Alvalade, mas a magia do futebol trouxe de volta o seu voo.
«Fiquei com a impressão de que o PS (ou seja, José Sócrates) conseguiu convencer a Portugal Telecom (ou seja, Zeinal Bava) a gastar uns valentes milhões de euros para dominar a TVI. Este investimento tinha como retorno o fim do noticiário de Manuela Moura Guedes. Que loucura!
Fiquei com a impressão de que José Eduardo Moniz soube de toda esta conspiração e aceitou ir embora, provisoriamente calado depois de negociar uma indemnização paga pela Media Capital. Que loucura! (...)
Fiquei com a certeza de que Manuela Moura Guedes foi perseguida. Ela foi vítima de um atentado contra a liberdade de imprensa. Mas lembro-me de que Moniz e Manela não foram tão combativos quando o perseguido, na mesma TVI, foi Marcelo Rebelo de Sousa, o patrão se chamava Pais do Amaral e o perseguidor PSD (ou seja, Durão Barroso e/ou Santana Lopes). Nessa altura acabaram por meter a viola no saco. Que loucura!
Fiquei com a impressão de que Mário Crespo é um paladino da liberdade de imprensa, o que é esquisito, pois, quando o jornal 24horas foi invadido ilegalmente pelo Ministério Público (ilegalidade confirmada em todos os tribunais que julgaram o caso e os respectivos recursos), este grande jornalista recusou subscrever um abaixo-assinado de apoio aos seus camaradas de profissão. "Sabe-se lá quem está por detrás daquela gente!" ou "o texto do abaixo-assinado é um bocado radical", ouviram-no dizer no bar da SIC (nota: à luz dos critérios de Mário Crespo, informações obtidas por tagarelice em ambiente hoteleiro são jornalisticamente válidas). Que loucura! (...)» (Pedro Tadeu, in DN)
Escreve (e bem) Ana Gomes: "(...) Não é possível - e, como socialista, não me parece útil - varrer para debaixo do tapete as questões que tais escutas suscitam: é preciso esclarecer se era, ou não, por instruções governamentais que a PT estava a negociar a compra da TVI à PRISA. Acresce que o que foi publicado - e até hoje não foi desmentido - reforça dúvidas sobre a actuação das mais altas instâncias do Ministério Público. (...)"
Já aqui disse que a solução eram eleições. Hoje ao almoço, dois terços da mesa defendeu o contrário - mudar sim, mas sem eleições, por desgastarem o país e nada de substancial mudar: o PS deve então decidir internamente um líder que mudasse o estado de coisas, como António Costa. Argumentei que teria uma legitimidade semelhante à de Santana Lopes (algo a que me oponho - um Governo emana da Assembleia, Costa não é deputado, como Santana não era), o que não colheu junto dos comensais. Santana foi indigitado por Durão e confirmado por um órgão reduzido do PSD, sem congresso; o PS poderia e deveria convocar congresso para legitimar uma direcção nova, com directas. Não estou convencido, mas pior do que andamos, não podemos andar mais.
No Verão, perante supostas escutas (falsas, como se provou) a Belém, a oposição pedia a queda de um governo em fim de mandato. Agora, o PSD só pede um inquérito parlamentar ao alegado controlo da comunicação social. A oposição tem medo de eleições e não pede o que devia.
José Sócrates deve demitir-se. Sem mais. Mas depois de hoje não se admirem da república dos juízes em que se transformou este país. Os mesmos que os aplaudem cá, zurziam nos italianos por quererem erradicar um mafioso. Mas para que tudo fique claro - caia o Governo, dê-se mais dinheiro ao soba da Madeira e logo veremos o que farão de Portugal estes acólitos de liberdades de um sentido único.
avanço lesto por entre a multidão insane presa de ecrãs de televisão alarmes soam em todo o quarteirão disparos, gritos, lançando a confusão é guerra sem quartel de empresas rivais na busca do controlo de mercados locais ou então... ou então... encena-se um directo para a televisão sirenes passam em grande aceleração olhando para ecrãs de televisão o caso surge com outra dimensão imagens com voz servindo de guião é guerra sem quartel de empresas rivais na busca do controlo de mercados locais ou então... ou então... encena-se um directo para a televisão
do álbum apropriadamente intitulado "Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável". Estávamos em 1998. Ninguém diria.
Dê-se a independência às ilhas e faça-se pagar a dívida desse "estado" a Portugal. O palhaço da Madeira rapidamente deixava de desejar bom carnaval a quem quer que fosse.
Quando falo das monarquias que nos impõem uma família a mandar em nós vêm logo com o discurso de que hoje há famílias que também mandarão em nós. Mistura-se economia ou política com a génese de um regime, como se fosse a mesma coisa. Não é.
[actualize-se: no Janela Indiscreta, da Antena 1, Pedro Rolo Duarte citou esta humilde casa (crónica de 1 de Fevereiro).]
Ao ouvir discursos sobre a República e republicanos parece que estamos a consultar um mapa das Avenidas Novas, em Lisboa. Damos nomes às ruas, já que as placas toponímicas são tão pobrezinhas.
Festeja-se a partir de hoje: há quase 100 anos colocou-se um fim a um regime em que, por uns nascerem numa família, tinham o direito de mandarem em todos.
Fico sempre fascinado com o Benfica-Porto dos gadgets entre appleianos e microsoftianos. Como se todos tivessem acções de cada uma das empresas. Por mim, digladiem-se para os preços baixarem e os produtos melhorarem. Mas verdade seja dita: é muito bonito.
Antes diziam-nos que escusávamos de tossir que Bruxelas é que mandava nas nossas continhas. Agora (como somos modernos) dizem-nos que há para aí umas agências de rating a dizerem como nos devemos comportar. O melhor de tudo é ver os nacionais de direita que denunciavam o peso de Bruxelas, lembrarem-nos todos os dias como devemos dizer ámen a estes senhores que (coisa sem importância) nunca elegemos. Pelo menos os de Bruxelas têm cara.
Investigadores da Universidade de Aveiro descobriram uma nova espécie animal no canal de Mira, da ria de Aveiro. Trata-se de um verme marinho, com o nome Diopatra micrura. Os mesmos investigadores tinham encontrado uma outra espécie, Diopatra marocensis. Desta notícia não se façam juízos políticos.
Está um senhor na SIC-N a garantir que Portugal foi nos últimos dez anos uma das cinco piores economias do mundo. Assim, de repente, gostava de discutir a economia com este economista do Afeganistão, Chade, Sudão, RD Congo, Burkina Faso, Bósnia, Albânia, Roménia, Haiti, Guatemala, El Salvador. Pronto: para não dizer que falo só de países miseráveis (mas que têm economia, certo?!) posso acrescentar a Irlanda e a Grécia.
Coisas bizarras de uma manhã de Janeiro: "pré-inscrever" alguém que ainda não nasceu numa escola. E alertarem-nos que se o fizermos daqui a duas ou três semanas pode ser tarde. Tarde? Mas como se responde à pergunta de ter necessidades especiais? Como se preenche o campo da data de nascimento? Ou mesmo o do nome completo? Cada escola dá a sua resposta bem-intencionada porque é o sistema (calma, sportinguistas, não é esse).
O sistema diz-nos que isto é anormal, mas faz-se assim. O Estado devia tomar como prioridade absoluta isto - o de preencher as necessidades reais de cada cidade em matéria de escola pré-básica. Está provado que os privados têm o seu sistema, que não querem que mude. E está provado que se deve evitar que esse sistema seja exportado para o ensino básico e secundário.
Ali, o Químico foi enforcado pelo Governo iraquiano. É sempre um sinal de fraqueza dos Estados, quaisquer que sejam, que se comportam como os carniceiros que os governaram: a matarem como as ditaduras. Qualquer democracia que mate é menos democracia - como são os Estados americanos que mantêm este método como suposta forma de justiça. Uma democracia sendo o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros devia ser exemplo. Ao levarmos uma suposta democracia para o Iraque devíamos ter insistido para que a morte estatal ficasse de fora. Não ficou. Perdemos todos.
Ontem nasceu a Maria, no meu dia de anos a Alice, uns dias antes o Guilherme. E nos próximos meses haverá mais algumas crianças em espera. À minha volta, amigos dão cabo das estatísticas do INE que dizem que nunca se tinha nascido tão pouco nos últimos 12 meses. Se fosse o CDS já andava a praguejar contra as sondagens. É sinal de que o orçamento devia ser feito à esquerda.