
«A generalidade dos nossos jovens licenciados, que têm hoje um nível de qualificações muitíssimo mais elevado do que alguma vez aconteceu na história portuguesa, preferem ser trabalhadores por conta de outrem do que serem empreendedores.»
- diz o rapaz que empreendeu toda a sua carreira profissional nas empresas do padrinho político.
«Estar desemprego não pode ser um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida.»

«He is “rather dangerous,” declared The Economist, which observed that he “genuinely believes in the need to create a fairer society.” Quelle horreur!» (Paul Krugman)
O Ministério da Saúde está a levar a cabo uma gigantesca campanha de mentira e desinformação sobre a Maternidade Alfredo da Costa, com o secretário de Estado da Sáude a mentir no Parlamento (ao referir uma taxa de ocupação na ordem dos 65%) e um administrador regional de Saúde a fizer que a maternidade funciona a meio gás (uma mentira tão grosseira que levaria à demissão de quem a proferiu num país civilizado). Perante isto, vêm os acólitos dos senhores instalados no Governo usar de retórica barata e face aos factos acusam quem os apresenta de ser... retórico. Haja paciência! Os piores cegos são aqueles que não querem ver, como bem se sabe.
Frei Fernando Ventura, no dia 1 de Maio, na SIC Notícias, transcrito pela jornalista Helena Teixeira da Silva (um saravá por este serviço público - o texto longo tem uma parte "escondida", mas basta clicar para ler a versão completa).
«Não é tempo de pendurar as esperanças no senhor do tempo, num qualquer messias. Este tempo é um ponto de chegada, um momento de antítese, dos ismos todos que não funcionaram à espera da síntese final. É um tempo em que a nossa missão é ser gente com gente para que cada vez mais gente seja gente. É o tempo da serenidade consciente, que terá de levar fatalmente à cidadania praticante. Eu tenho muito medo dos cidadãos não praticantes. É tempo de mobilizar a urgência urgente deste tempo. Não são os nossos governos que nos governam! Nós vivemos numa fatalidade edipiana de termos de bater no pai, mas o pai é pobre. Por ali não haverá salvação.
Quando vi as imagens do Pingo Doce, fiquei triste e alarmado. Vi isto na Venezuela, com o Chavez, exactamente o mesmo tipo de reacção. Fiquei com esta imagem como um ícone, ou como um contra ícone, uma mensagem de sinal contrário daquilo que é uma das urgências a descobrir hoje. Desde logo, querem convencer-nos que economia e finanças é a mesma coisa - e não é. As finanças serão uma pequena parte daquilo que é a economia, a gestão da casa, que tem de ser uma casa comum. Estamos confrontados com um discurso de inevitabilidades - que não existem!
Hoje, depois da manifestação, pensei: para que Emaús vai esta gente? Que esperança podemos trazer à História? Será que as centrais sindicais, a Igreja, as associações do bairro, não têm uma responsabilidade social? Têm! Têm que ter! A nossa resposta e o nosso grito não pode ser só enrolar a bandeira até à próxima manifestação ou até à próxima greve geral. É preciso sermos imaginativos e fazer outra coisa. Deixem-me ser profundamente demagógico agora: nós estamos todos com a corda ao pescoço. De cada vez que metemos gasolina, os nossos carros andam a impostos, 84% do que metemos no carro são impostos e aquilo anda. E os preços estão a subir, não porque a matéria prima esteja a subir, mas porque o consumo está a baixar. Isto é maquiavélico, um ciclo vicioso. Temos quatro companhias em Portugal a vender gasolina. O Governo já disse, pela activa e pela passiva, várias vezes, que não tem poder para mexer naquilo. O lobi está instalado. Mas nós temos maneira de mexer. Imagine que durante uma semana a CGTP e a UGT dizem: esta semana ninguém compra gasolina e gasóleo em duas destas marcas. Aqueles senhores, ao fim de uma semana, terão os preços mais baixos. E as outras duas vão ter que baixar também, por causa da concorrência. De cada vez que vou na auto-estrada sinto-me insultado. Porque é que gastaram aqueles milhões a colocar aqueles painéis sobre a informação de preços quando os preços são todos iguais? Isso é brincar!
Ou nos galvanizamos ou nos albanizamos! Não há via do meio.
A Cabeça nas Mãos
"Às vezes encontramo-nos com a cabeça nas mãos. Tudo o que poderia ter corrido bem correu mal. O mundo, que era igual à vida, afasta-se de repente. Distancia-se e continua a existir, como se nada tivesse a ver ou a haver connosco, como se fizesse questão de mostrar a independência dele, mundo, que não existe só porque nos damos conta dele. A má notícia é má, mas a pior, para quem cá está, é a pessoal. A minha pessoa é a Maria João e a Maria João passa mal. Nem o amor nem a sabedoria médica a podem salvar. Só uma conjunção das duas coisas, mais um acrescento de milagre.
O cabrão do cancro alastra-se. Exterminado no pulmão ou na mama, foge para o cérebro, onde se refugia e cresce. Forma uma força da morte, aproveitando as barreiras antigas entre o sangue e o cérebro, que infiltra conforme lhe apetece. Hoje, domingo, é o último dia em que estaremos juntos, dois amores, felizes há quase vinte anos. Amanhã, logo às nove da manhã, estaremos na consulta dos excelentes neurocirurgiões do Hospital de Santa Maria, onde nos avisarão das complicações possíveis. Obama deveria inspirar-se na perfeição clínica e humana do serviço de saúde português e francês. Mas a dor não diminui. Nem a tristeza abranda.
Vai morrer o meu amor. Não vai. Como o meu amor por ela, nunca há-de morrer.
As coisas acontecem sem acontecer o pensamento nelas. A alma, o coração e a cabeça são coisas diferentes.
Que se dão bem. E são amigas. E deixam de ser quando morrem."
Miguel Esteves Cardoso, in Público, 29/04/2012
Um clube deve salários há vários meses aos jogadores. Estes anunciam que vão rescindir e o presidente do clube acusa-os de tudo, dizendo que a rescisão laboral é um "caso de polícia".
Este clube consegue inscrever (sabe-se lá como e com que "pressões") nove jogadores para este domingo e, num jogo de 11 contra 11, a equipa entra em campo com oito (um dos nove afinal não joga).
No final do jogo, em que a equipa em causa perde 0-4, percebe-se porque um dos nove não jogou: o jogador fugiu com uma mala de dinheiro com seis mil euros (este jogador tem salários em atraso), denuncia o presidente, gritando de novo que é um "caso de polícia". [Diz a sabedoria popular que ladrão que rouba ladrão...]
O presidente diz que a mala de dinheiro era para pagar despesas "inerentes ao jogo". Seis mil euros? Não era para pagar salários, era para pagar algo.
Há uma pergunta que se impõe: que despesas são estas, que custam seis mil euros? Mais: porque leva um clube da I Liga dinheiro vivo numa mala, quais mafiosos a fazerem compras ilícitas?!
Tudo isto é uma bela parábola sobre o futebol. Mas mais: sobre empresas e trabalhadores, sobre crises e valores. Afinal, este post é mais do que um post sobre futebol - é sobre o país.
Documentário.
É um filme militante, não o esconde, que desvela factos históricos que podem ajudar a perceber o que o país andou para aqui chegar. Os Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa, que se [estreou] no dia 25 de abril, numa maratona de filmes deste género na RTP2. O filme [que pode ser visto na íntegra em baixo], que nasceu do livro homónimo (co-escrito por cinco dirigentes do Bloco de Esquerda, Jorge Costa, Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas), retrata "Cem anos de poder económico". "Quisemos tornar acessíveis factos históricos, que são matéria útil de como aqui chegámos", explica Jorge Costa ao DN, que já viu o filme.
"Desde que o livro saiu, o país mudou muito, desde há um ano e meio", com a intervenção externa e a crise económica, diz o autor. Por isso, o filme pretende questionar – com esses factos – "se vivemos e quem viveu acima das suas possibilidades". É um retrato de família, uma "grande família", aquele a que assistimos em 48 minutos. "Os mesmos donos daquelas grandes famílias que povoavam a Baixa" lisboeta no século XIX povoam as páginas da imprensa deste início de século XXI, ouve-se logo a abrir o documentário, na narração de Fernando Alves. "Será que ainda lá vão estar em 2050?" Mesmo que hoje se encontrem "novas famílias capitalistas", a tese do filme que era a do livro é a de que "a árvore genealógica da burguesia portuguesa mostra-nos afinal uma grande família que domina o centro económico".
A teia tece-se com os mesmos nomes desde há 100 anos: Salgados, Espírito Santo, Roquette, Lima Mayer, Champalimaud, Cupertino Miranda, Soares dos Santos. Num umbiguismo que se reproduz pelo casamento, ou de outro modo, no campo económico com a bênção política: "Os bancos privatizados são adquiridos por privados com dinheiro emprestado pelos próprios bancos", resume a dado momento no documentário o economista Eugénio Rosa, sobre as privatizações que floresceram nos anos do cavaquismo (1985-1995).
Mas a síntese perfeita é dada pelo atual presidente do omnipresente Banco Espírito Santo. "O BES é um banco de todos os regimes, de todos os géneros", diz Ricardo Salgado, como que confirmando involuntariamente a tese do livro-documentário. Na narrativa de Os Donos de Portugal surgem episódios e personagens, que à luz dos dias que se vivem, parecem um fado repetido. Ali se recorda a crise financeira de 1876 e o empréstimo inglês a Portugal. Ou, muito mais recente, o "escândalo" da venda do Totta & Açores aos espanhóis do Banesto, no consulado de Cavaco, onde há caras que também são familiares no caso BPN. A História não se repetirá, mas tem coincidências: são "as teias da política que organiza os grandes negócios", defende-se no documentário. "E sob o regime da dívida, a própria democracia política é ameaçada", conclui-se.
[texto escrito para o DN, que saiu numa versão muito curta na edição em papel do dia 25/4/2012]
Donos de Portugal from Donos de Portugal on Vimeo.
Estou preocupado: a PSP estava atenta a radicais desordeiros na manif do 25 de Abril que nunca teve radicais desordeiros em 38 anos. Estou preocupado: esta PSP não acerta uma.

Crianças sírias em vigília por outras crianças sírias mortas por Assad
A Vogue resolveu publicar um artigo hagiográfico de Asma al-Assad, a bonita mulher "ocidentalizada" do ditador sanguinário. Estávamos em fevereiro de 2011. Em março seguinte, o regime de Assad iniciou uma violenta repressão que se traduz neste momento em mais de 9000 mortos, a maioria civis, muitas crianças e mulheres. Depois desta contabilidade de horror, a má consciência da Vogue retirou o artigo do seu site, não deixando qualquer rasto do mesmo. O pior é que um site (também hagiográfico) do regime mantém disponível o texto da revista americana, onde se pode ler a profunda hipocrisia de que se revestem estes perfis, pagos pelos próprios. Nesta história, ainda há quem acredite na sensatez de Asma, quando afinal esta rosa do deserto tem as mãos cheias de sangue.
O que têm em comum O Amante de Lady Chatterley e O Anti-Cristo? Que laços unem Quando os Lobos Uivam ou Fanny Hill? O que aproximou Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Mário Soares? Para todas estas questões, a mesma resposta: a censura do Estado Novo, que proibiu 900 livros. A discricionariedade das ditaduras traduz-se sempre no seu fraco gosto estético. O primeiro passo para o abismo.
«João Gobern, comentador de futebol num programa de televisão, foi dispensado por ter recebido a notícia de um golo do Benfica com um festejo contido. A RTP dispensou-o por ter festejado; eu tê-lo-ia dispensado por ter festejado contidamente. Celebrar um golo de qualquer clube é um acto de liberdade. Celebrar um golo do Benfica é um acto de liberdade e de bom gosto. Quem contém a liberdade e o bom gosto merece castigo.
Aqueles que acusaram a RTP de perseguição aos vermelhos estavam certos apenas em parte. Este novo macartismo é, na verdade, daltónico. Amanhã acontecerá o mesmo com adeptos do Sporting, do Porto, do Braga, do Arrifanense. Não se admite que quem fala de futebol goste de futebol. Quantos dos nossos amigos que se interessam por futebol e gostam de falar sobre ele não têm clube? Quantos dos que apreciam literatura não têm escritores preferidos? Quantos dos que sabem de música não se emocionam mais com um compositor do que com outro? E, no entanto, a esmagadora maioria dos comentadores de futebol que vemos na televisão não tem clube preferido. São apenas entusiastas assépticos das transições defensivas, burocratas da basculação, geómetras do duplo pivô. Não são exactamente seres humanos. São semideuses que não se deixam afligir pelas paixões da alma.
Ora, estes comentadores, tal como João Gobern, não relatam factos, comentam. Exprimem opiniões. O que torna o seu trabalho muito mais difícil, uma vez que os robôs não têm opiniões. Os comentadores políticos podem manifestar a sua preferência por determinado programa político ou líder partidário. Nenhuma estação dispensa um crítico de cinema quando exprime regozijo por um filme ou um artista da sua predilecção ter vencido um prémio.
No futebol, talvez por ser matéria mais importante que a política e a arte, não se admitem gostos. Há uma única excepção. Quando a brava selecção lusitana defronta a estrangeirada bárbara, não só os comentadores como os próprios jornalistas podem festejar o que quiserem, designadamente atirando ao ar os papelinhos que resultaram de terem rasgado o código deontológico. No futebol, o amor à pátria é o único que se tolera. Parece-me mais proveitoso que quem exprime opiniões sobre futebol tenha mesmo opiniões sobre futebol. E parece-me mais honesto que não as esconda.
Pessoalmente, nunca escondi que sou do Benfica, não por uma questão de honestidade mas de imodéstia: ser benfiquista é a minha melhor qualidade - se não for a única. E não tenho grandeza de carácter suficiente para a manter secreta. Um adepto do Vasco da Gama chamado Carlos Drummond de Andrade escreveu: "Para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração." Felizmente, a RTP já não foi a tempo de lhe mergulhar o coração em formol.» (Ricardo Araújo Pereira, in Visão)
Sobre o fecho da Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, o ministro atira sempre uns dados para cima da mesa que são meias-verdades ou mentiras absolutas. Assim se faz política, assim se destroi o Serviço Nacional de Saúde.
Será que ele responderia a isto?
1. Se não se pode manter uma maternidade sem uma valência de internamento para a mulher, quer dizer o senhor ministro que vai fechar as maternidades Magalhães Coutinho, em Lisboa, Bissaya Barreto e Daniel de Matos, em Coimbra, e a Júlio Dinis, no Porto?!
2. Se é preciso rentabilizar as capacidades do São Francisco Xavier e Santa Maria porque não proibir a ADSE de pagar partos nos privados e esgotar então a capacidade do SNS, nestes dois hospitais?
3. Como manter a excelência das equipas da MAC se as dividem por dois sítios ou atiram pessoas para o desemprego?
4. Se é para fechar a MAC porque gastou este Governo dinheiro em auditorias de qualidade nos últimos meses que vão certificar um serviço encerrado?!
5. Se não há qualquer obsessão ou ansia no fecho da MAC porque não espera o Governo pelo parecer técnico do grupo constituído para o efeito e aponta já o fecho como inevitável?

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