«Não é só a economia: a política, em Portugal, parece estar também em processo de privatização. Algo que se reserva para os gabinetes dos partidos e para os recessos dos bailes de máscaras, mas que não deve sair à rua. E, quando sai, sai apenas com dichotes gastronómicos ou vitríolo anónimo. Nesta política, os cidadãos estão a mais. Estamos aqui a mais. É por isso que nos convidam tão insistentemente a emigrar.»

720 mil desempregados (novembro de 2011)
2 milhões de pobres (em 2009, e certamente que estes piegas não pararam de aumentar)
Esta segunda-feira Passos Coelho pediu aos portugueses para não serem tão piegas e separou entre os virtuosos que só pensam em arregaçar as mangas e os preguiçosos que só pensam no Carnaval. Para quem está há seis meses no poder, não está mal, não. Houve quem demorasse mais a chegar a este esprit.
«A propósito do Acordo Ortográfico, Miguel Sousa Tavares diz que “o Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz”. Sinceramente, não vem daí grande mal ao mundo. Portugal maltratou a sua língua durante anos e anos, desinteressando-se da sua gramática, do seu ensino e da sua correção – além de pensar que se tratava de uma espécie de “doação” concessionada ao resto do mundo. Não é. A língua (ortografia incluída) é de quem a fala, de quem a usa e de quem a transforma diariamente. Se o Brasil tomou a dianteira, pergunte-se o que Portugal fez em prol da Língua, que agora parece ser “um bem estratégico”. E os escritores? Não lhes cabe defender acordos ortográficos, evidentemente. Cabe-lhes escrever – bem, se possível.» (22.9.2009)
«O governo decidiu ontem que, em Portugal, a aplicação do acordo ortográfico nas escolas começará no próximo ano letivo – e a administração pública tê-lo-á a partir de janeiro de 2012. É uma corrida contra o tempo e o Brasil está à frente. Portugal esperou que Angola e Moçambique assinassem o protocolo mas não percebeu que, mal o acordo entrasse em vigor no Brasil, nada havia a fazer e que daqui a uns anos haverá apenas uma versão de ‘português’ na internet. Cada um escreverá literatura como quiser, e não haverá coimas, perseguições e castigos públicos; mas a existência de uma norma ortográfica não faz mal a ninguém. A língua é uma máquina flutuante e o Português não nos pertence por inteiro. Na verdade, não são as musas que choram; são as consoantes mudas, sobretudo.» (10.12.2010)
Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, desde Julho de 2011, que já escrevia em 2009 de acordo com a nova ortografia
Minha mãi foi à pharmácia em Guimarãis. Vasquinho só gosta assim.
Tendo a concordar com Augusto Santos Silva (no seu Facebook) sobre mais esta greve de transportes de que «
O tiro ao alvo (que não cito) é o PCP. Mas também não deixo de notar que os maquinistas da CP hoje apresentaram-se quase todos ao trabalho, ao contrário da greve singular bem mais espatafúrdia que foi a do Natal. For the record.
«É o que te digo, ela pousa de uma maneira, lindaaaaaaaaa, faaantástica, faz a imaginação voar, é o que te digo, tem um corpo lindo, lindo. É. Mas não é magra, não, nada, é bem roliça, mesmo, cheia até. É. Mas pousa de uma maneiraaaaaa. É a Tatão.»

Fotografia © Pedro Rocha/Global Imagens
Esta imagem vale um congresso. Sexta e sábado acompanhei o conclave da CGTP, como jornalista, e pude ver ao vivo um momento histórico. A saída de alguém que teve tempo para (durante longos 25 anos) construir uma central sindical que se foi libertando de um espartilho partidário, que tentou condicionar muito a ação dessa central, e a entrada de alguém que terá não mais do que oito anos para responder ao "preconceito anticomunista" (como Arménio Carlos classifica as críticas que lhe dirigem por agora acumular a sua função de secretário-geral da Intersindical e ser membro do comité central do PCP).
Esta imagem vale um congresso: no primeiro dia, momentos antes da sua intervenção, Carvalho da Silva alinha as notas de um discurso que, apesar das violentas críticas ao acordo de concertação social e às políticas do Governo, soube ler sinais diferentes de um mundo a preto e branco (e relembrar a esperança que uma eleição de Obama trazia, por exemplo). No final, Arménio teria uma palavra para Carvalho da Silva, mas apenas diluída na coletiva menção dos "camaradas" que saíram. Muito pouco para reconhecer que - apesar de uns mais mediatizáveis que outros, como Arménio fez questão de sublinhar várias vezes -, Carvalho da Silva deu muito ao sindicalismo português. Independentemente do lado da barricada.

ATHENES, 24 jan 2012 (AFP) - Le réalisateur grec Theo Angelopoulos, décédé mardi soir à l'âge de 76 ans après avoir été renversé par un motard dans la rue au Pirée, près d'Athènes, a incarné à partir des années 1970 le Nouveau cinéma grec, qui a émergé après la dictature des colonels.

Este sol a pôr-se que aqui ficou é enganador: as nuvens cinzentas toldaram os céus, com um acordo de concertação social que concerta tudo contra os trabalhadores sem apelo nem agravo, apenas com muita subjetividade e ambiguidade. "Histórico": sim, é. Para o mal. O tempo vai mostrar como.


Fundação Champalimaud e Belém, 17/1/2012.
Há 40 anos, a primeira página do Diário de Notícias deste dia, dizia que "uma 'superfície frontal' veio passar o domingo a Portugal: chuva e vento em todo o país".
Ainda há dias aqui defendi que os blogues não estão mortos. Reinventam-se, depois da euforia juvenil dos anos iniciais. Mais um exemplo: Acordo Fotográfico (um achado, este nome), que nos traz leitores nas ruas. "Roubo" uma foto de Sandra Nobre, a feliz autora de uma página feliz...

«Há já algum tempo que acalento a ideia de sair por aí a retratar aqueles e aquelas com quem me cruzo no dia a dia, enquanto leem. Felizmente, são cada vez mais: nos transportes, nos cafés, nos jardins, em qualquer sala de espera - há cada vez mais gente a ler.»

Há um erro de apreciação no produto português a exportar. O frango de churrasco do Nando's (que entusiasmou o ministro canadiano da Economia) nasceu na África do Sul e espalhou-se pelo mundo, Canadá incluído, o que terá motivado Álvaro, mas o pastel de nata já foi visto em Londres, Bruxelas, Xangai, Taiwan e, pasme-se, Toronto. O que acontecerá com este rapaz é que não está organizado em cartel, num qualquer Tony's cream. Nisto o Álvaro, se calhar, já anda a precaver futuros mais desnatados.
O facebook é o blogue instantâneo que entra pelo nosso ecrã. Foi o blogue do ano em 2010 para o Tiago, que ainda nos alimenta com o seu pão de cada dia a voz do deserto. Em 2011 será de novo o "blogue do ano", mas a vitalidade dos blogues-blogues mantém-se imparável. Escuso de nomear os que me vão deixando ko, pela sua leitura (estão aqui ao lado e seguem pelo ecrã abaixo). Há quem se diga cansado, que não lê, que não sei o quê, mas há pequenas coisas que ainda vamos vendo e lendo que nos fazem acreditar nos blogues.
Deixo três exemplos de posts em final de 2011 e um blogue que tentou resumir o ano. Quatro boas ideias:
- a playlist de Pedro Passos Coelho
- carta de Natal de um emigrante para o primeiro-ministro
- carta aberta ao senhor primeiro-ministro
e
Não faço listas do ano que passou; não vi filmes em salas, não ouvi todos os discos que queria, nem li tudo o que acho merecedor, blogues incluídos; por isso, recordo 2011 naquilo que me interessa, nas coisas e pessoas que merecem ser citadas. A destempo, aqui vou deixando notas dos dias que passaram no ano passado.
Eduardo Catroga reformou-se em 2007 com uma pensão de 9693 euros por mês. Leu bem: 9693 euros por mês. Pois o senhor ainda não está reformado! Foi agora escolhido para a EDP onde todos nós lhe pagaremos 639 mil euros por anos. O senhor já veio cuspir na sopa e lamentar-se que pagará metade em impostos. Esquece-se que continua a ganhar o que 98% da população não ganha. Em todo o caso, acho que o que isto devia significar é só uma coisa: o Estado devia suspender-lhe a reforma milionária - está a trabalhar! Depois, quando se reformasse a sério, voltava a pagar-lhe. Querem sustentabilidade da segurança social? Podem começar por aqui.
[A obscenidade das nomeações da EDP tem vários exemplos destes reformados de luxo. Paulo Teixeira Pinto é outro. ]

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