

Ele falava alto e bom som ao telemóvel enquanto ouvíamos as respostas dela em alta voz. Um destes dias, a rua saberá tudo.

Electro pioneers Kraftwerk have released digitally remastered versions of eight astounding albums.
«O Presidente da República alertou hoje para a necessidade de uma reflexão sobre a forma como a humanidade se relaciona com o planeta, lembrando que a geração actual não é dona da Terra mas apenas um habitante temporário.» [da Lusa]
A small boy wrote to Santa Claus:
"SEND ME A BROTHER"
Santa Claus wrote back:
"SEND ME YOUR MOTHER"
[recebida por mail]
Ler os outros: «O casamento, que foi consagrado juridicamente para tutelar a família, tem de tutelar as famílias. Todas. Mesmo aquelas que não seguem as ilustrações dos livros da primeira classe.» [Laura Abreu Cravo]
Já lá estamos. E agora voltamos aos rodriguinhos de sempre.
Ouve-se a transmissão do jogo Bósnia-Herzegovina - Portugal e parece que a Selecção joga no terceiro mundo, que nós fomos para a guerra, que, que, que... Isto é desporto, rapaziada. (Já não falo de jornalismo nisto.)

[...] Muro de Berlim tarde caíste. Toda a razão, Bruno. Toda a razão.
Perto da perfeição, este romance de Richard Yates traz-nos um relato de duas famílias da classe média americana que vivem o sonho adiado de um futuro melhor. O autor de “Revolutionary Road” traça com “Perto da Felicidade” esse sonho mítico – que a América sempre vendeu ao mundo – de uma forma crua.
Perto da Felicidade, Richard Yates, Quetzal, 2009
Um jovem inglês com 20 anos deixa a sua casa numa manhã de Verão. Um ano depois está em Vigo, percorre as terras quentes de Espanha, até ao sul nos meses que antecedem a Guerra Civil espanhola. Numa prosa simples, Laurie Lee traz-nos um relato de viagem que nos transporta para um país tão próximo de Portugal e cuja história trágica ecoou por cá.
Quando Parti Numa Manhã de Verão, Laurie Lee, Bertrand Editora, 2009
Quentin Tarantino, Sacanas sem Lei, Contraponto, 2009
O mundo globalizado já não guarda grandes segredos sobre lugares inacessíveis ou sítios exóticos, mas estes “Traços de Viagem” prometem trazer ao leitor “experiências remotas, locais invulgares”. A acompanhar as crónicas de Manuel João Ramos, que já tinha trazido “Histórias Etíopes”, este diário de viagem é ilustrado com desenhos desses lugares. Pena que as ilustrações venham a preto e branco.
Traços de Viagem, Manuel João Ramos, Bertrand Editora, 2009
É a primeira obra a chegar a Portugal de uma escritora japonesa com mais de 20 romances publicados e traduzidos um pouco por todo o mundo. Os elogios também precedem Yoko Ogawa e este seu “Hotel Íris”, uma história em que Mari e a sua mãe gerem um pequeno hotel num Verão de obsessões e descoberta do desejo.
Hotel Íris, Yoko Ogawa, Quetzal, 2009
O criador da BD “Mutts”, Patrick McDonnell, empresta o seu traço inconfundível a um compêndio de ideias que Eckhart Tolle formula para nos fazer sentir melhor. Oprah diz que ele “é um dos profetas dos nossos dias” e “Guardiões do Ser” quer ensinar-nos que “todas as coisas naturais – cada flor, cada árvore e cada animal – têm lições importantes para nos ensinar. Um livro deste tempo.
Eckhart Tolle e Patrick McDonnell, Guardiões do Ser, Pergaminho, 2009
[* - escritos para 24horas, nem todos publicados]
O país vive algures entre Elm Street e saber o que fizeram no verão passado ao telefone. Maus filmes de terror.
O canalizador andou a sondar as paredes, de contador fechado, para ver de onde vem a fuga. O CDS já veio dizer que está contra - são sondagens.
Tabloide estampa foto de Ronaldo com a camisa do Corinthians se referindo ao craque do Real Madrid.

Vale de pouco neste momento vir falar com serenidade do casamento. A instituição está em baixo de forma - divórcios disparam, o civil é preferido ao religioso, há anos que se fala em porquês. Mas ao mínimo movimento para alargar o casamento aos gays, cai o carmo e a trindade, e saltam os do costume com os costumes. Esquecem-se que o amor importa - hoje João César das Neves diz, no i, que o casamento não tem nada a ver com o amor, numa clara inversão do que deve ser entendido o casamento por um cristão, mas há muito que eu duvido que este senhor o seja. Ao importar o amor, pouco me importa se se casam elas com eles, eles com eles ou elas e elas. Vejo todos os dias, como ontem à noite ao jantar, testemunhos suficientes do que é importante - o mesmo na educação dos filhos.
(Retomo sobre o comportamento e palavras dos bispos, partes de um texto do MCE, de 1993, que infelizmente para nós permanece demasiado actual:
Denunciamos então a validade de um discurso que não assume as suas próprias historicidades e circunstancialidades e que esquece as contribuições para um melhor conhecimento do Homem trazidas quer pelas ciências humanas e biológicas quer pela experiência dos cristãos leigos, sempre que estas ameaçam pô-lo em causa. A inoperacionalidade deste discurso oficial da Igreja advém da sua desarticulação com o real e portanto da sua inaplicabilidade. Resulta daqui a sua ausência de credibilidade tanto junto da comunidade cristã como perante a sociedade em geral. [...]».)
Está marcado o julgamento, da acção interposta em Outubro de 2006. Rufar de tambores: no dia... 18 de Março de 2010.
A bizarria de ter intervalos nas televisões de 20 minutos em filmes ou séries transmitidas à uma da manhã continua a ser motivo de explicação transcendente. Mais ainda quando tenho de ver anúncios à boneca Titucha e ao Toys'r'us. Meus senhores, os putos já dormem há muito.
Corre um debate efémero sobre o melhor hino de sempre. RDA? URSS? Ou Hungria? Por muito que agradeça ao Sergei Bubka, depois de ouvir (recordar) o húngaro, só posso concordar com o Luís Naves - oremos:
20 anos depois, a Liberdade. A Europa varrida pela democracia, deixando para trás um regime que matou milhões, que deixou na miséria tantos e tantas, que pura e simples iludia a liberdade e a alegria.
20 anos depois, a obscenidade: ler o jornal Avante! e descobrir pérolas como «A derrota do socialismo, com o desaparecimento da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa, constituiu uma tragédia, não apenas para os povos desses países mas para toda a humanidade» é perceber que há gente que ainda não percebeu que aquilo não era socialismo. Mais: que ainda não percebeu que a tragédia era aquela vida sem liberdade. Que o PCP-ano-2009 o diga e escreve é trágico. E risível.
Chove. Lá em baixo, desce a Avenida na sua imaculada camisa branca de manga curta. Vai fresco, ele. Como o tempo.

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